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CONTRA ÓDIO E PRECONCEITOS, INFORMAÇÃO.

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O texto abaixo é uma dica de Luciano Pires muito oportuna neste Brasil que procura seu rumo. Vale à pena ler.

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A elite brasileira é cheia de ódio? Texto de Leandro Narloch pra fazer pensar.

Já foi devidamente denunciada a tentativa dos jornalistas alinhados ao governo de qualificar os panelaços como “manifestação de ódio da elite golpista”. Os marceneiros e faxineiras que vaiaram Dilma em São Paulo provaram que a insatisfação vai muito além das varandas gourmet. Mas se fosse verdade, se apenas os brasileiros mais ricos estivessem contra o governo, seria o suficiente para afirmarmos que a elite brasileira é cheia de “ódio de classe”?

Certamente há ricos odientos e odiosos por aí; mas em vez de evidências anedóticas é melhor confiar em pesquisas. E o que as pesquisas dizem sobre os brasileiros mais ricos e estudados é o contrário: são a parcela mais tolerante e ética da população brasileira.

A grande fonte desse assunto é o livro A Cabeça do Brasileiro, do sociólogo Alberto Carlos Almeida, de 2007. Almeida entrevistou 2 363 brasileiros e concluiu que, quanto maior a escolaridade (e a renda, já que os dois fatores são bem relacionados no Brasil), maior a tolerância entre classes e o respeito aos direitos humanos.
Quando perguntados, por exemplo, se um funcionário público deveria usar o cargo em benefício próprio, 60% dos analfabetos concordaram com a ideia, 31% entre os que têm até a quarta série e apenas 3% das pessoas com ensino superior.

Um político que rouba pouco, mas faz muito, teria o voto de 53% dos analfabetos, 46% dos que têm até a oitava série e 25% dos que terminaram a universidade.

E o ódio entre classes? Pessoas com curso superior são mais abertas ao convívio entre classes que os menos escolarizados. Para 76% dos analfabetos, porteiros e empregados devem usar o elevador de serviço, mesmo que os moradores autorizem o uso do elevador social. Entre quem tem diploma, 72% acreditam no contrário.

O respeito aos direitos humanos também é uma bandeira mais comum na elite. Não são os com ensino superior que pedem a morte de bandidos pela polícia – apenas 17% concordam com a ideia. São os analfabetos: 40% destes apoiam a execução após a prisão.

A tortura como método de investigação recebe apoio de 51% dos analfabetos e só de 14% dos brasileiros com diploma universitário.

Isso significa que todos os ricos do Brasil são do bem? Não: continua errado qualificar a personalidade das pessoas a partir do dinheiro que elas possuem. Mas as pesquisas contradizem os que, com fins partidários, fomentam o conflito entre classes.

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8 comentários em “CONTRA ÓDIO E PRECONCEITOS, INFORMAÇÃO.

  1. Antônio Borges
    10/17/2015

    Tem gente que se faz de democrático, de libertário, mas sonha secretamente com o totalitarismo. Alguns, nem tão secretamente, como Mauro Iasi (PCB) que já foi candidato à presidência do Brasil na eleição do ano passado pelo PCB, partido filiado ao Foro de S. Paulo, e já foi candidato a vice-governador de São Paulo. Não é um participante inexpressivo pinçado no meio de uma manifestação, como a imprensa faz com qualquer lunático em atos contra o PT. É PhD em História pela USP e de 2011 a 2013 foi o presidente da Associação dos Docentes da UFRJ.

    Assista o vídeo abaixo e me diga: é ou não é incitação ao ódio? É ou não é um discurso carcomido por traças do século XIX?

    Esta é nossa esquerda: gente classe média, com emprego público e platéia para defender paredões e assassinatos como seus ídolos fizeram ao longo da história.
    O planejamento socialista funciona apenas para a classe de onde saem os planejadores, que podem se assegurar de que seus interesses pessoais sejam atendidos. É por esse motivo que o socialismo é um fenômeno da classe média, e não da classe operária. Trata-se, ao contrário da propaganda de libertação do proletário, um programa de radicais de classe média que imaginam representar a classe operária. Operários de verdade, aqueles que trabalham, querem mesmo é se integrar à sociedade de consumo “burguesa”, ter bons empregos, ver a novela depois do trabalho nas suas TVs de 50 polegadas e tomar sua cerveja nos fds, ter boa vida. Não lhes passa pela cabeça coisas de “socializar os meios de produção” e “igualdade social”.

    • Questões Relevantes
      10/17/2015

      Boa contribuição. Obrigado.

  2. Fabio
    09/28/2015

    Interessante, mas a corrupção pesada, passa pelos que tem nivel superior, todos os envolvidos na lavajato, mensalão, Alston, Metro de SP, Prefeituras, sonegação de impostos,hospitais publicos , Judiciário tem nivel superior,. Talvez o fato de estarem no serviço publico favoreça este tipo de comportamento, pois os que entram ali , só saem depois que morrerem e a família continua recebendo, a corrupção passa de pai para filho e o serviço publico tem varios herdeiros.
    Esta estatística poderia ser feita dentro do serviço publico, para definir que extrato social é o mais corrupto.

    • Questões Relevantes
      09/28/2015

      Fábio, toda generalização é perigosa e este é o eixo central do artigo.

      Mas você toca em um ponto importante: é fundamental que a sociedade tenha meios de controlar e de punir a corrupção dos agentes públicos.

      Esta é uma briga que vale à pena.

  3. Marco Aurelio Paula
    09/08/2015

    A crise que assombra o Brasil é um dos mais claros exemplos dos estragos que o populismo costuma trazer às nações.

    Líderes populistas são fantásticos encantadores de multidões. Em seus discursos sustentam que tudo o que é negativo resulta da ação dos chamados inimigos do povo, das classes mais favorecidas, dos empresários gananciosos. Ou então de agentes externos, como o imperialismo norte-americano, por exemplo. Um populista trata o povo como um conjunto homogêneo, sem senso crítico, capaz de apoiá-lo em troca simplesmente de promessas vazias.

    O povo sempre busca um líder honrado, sem interesses escusos, mas é iludido pela poderosa máquina de marketing do poder que esconde erros do eleito e converte pequenas benesses em extraordinárias concessões aos oprimidos. Com base nessa dicotomia, o populista consegue dividir a sociedade entre NÓS e ELES e faz com que a maior parte da população, a base da pirâmide social, passe a lhe admirar, perdoando-lhe todos os roubos, atos de corrupção, mudanças na legislação e até a falta de justiça.

    Os populistas, registram os historiadores, costumam repetir uma mesma mentira tantas vezes quantas for necessária até que ela se pareça uma verdade. Usam como um mantra o discurso de que tudo o que o fazem é para favorecer o povo e que os que ousam discordar ou apenas questionar suas ações são agentes GOLPISTAS. Nos programas de rádio e televisão, nas redes sociais e até em escolas públicas, essa argumentação vira uma espécie de doutrinamento. É essa parte de um figurino que veste perfeitamente a realidade de países como a Venezuela de Hugo Chávez e Nícolas Maduro, a Argentina dos Kirchner e o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

    Raro lembrar um discurso em que o ex-presidente Lula não jogasse para “as elites” a responsabilidade por qualquer dificuldade de seu governo… Rsrsrs. Já no Mensalão, como ficou conhecido o esquema de compra de apoio político com dinheiro público, Lula e os líderes petistas insistiram na tecla de que tudo não passara de um suposto nós contra eles. Mesmo depois de condenados pelo Supremo Tribunal Federal, não se cansaram de se colocar como vítimas daqueles dos andares de cima da pirâmide, que estariam incomodados com a ascensão social dos mais pobres. E, até hoje, o ex-presidente ecoa o famoso “eu não sabia de nada”. Agora, no caso do Petrolão, apesar das provas que se avolumam e descortinam o maior escândalo de corrupção já visto na história do País, Dilma, Lula e Cia entoam diuturnamente o discurso de que ambos e o PT são vítimas de golpistas interessados em tirar do poder aqueles que lá chegaram por força do voto do povo.

    Ainda de acordo com os ensinamentos da história, um populista se consolida no poder ao atender determinadas demandas sociais e divulgá-las insistentemente de maneira que a propaganda o transforme em uma espécie de SALVADOR dos mais oprimidos. Para isso, eles elevam os gastos públicos, multiplicam o tamanho da máquina administrativa empregando parentes e correligionários. Criam uma série de subsídios e promovem uma gigantesca distribuição de benefícios como cestas alimentares, por exemplo. O problema é que para manter esse sistema ao longo dos anos, os populistas precisam tomar outras medidas, que acabam invariavelmente em crises a serem pagas, normalmente, pelos mais carentes. Para atender a demanda de benesses, os populistas aumentam os impostos, elevam a dívida pública e a inflação, que acaba corroendo as conquistas dos mais pobres. Com isso, os serviços prestados pelo estado ficam cada vez mais deteriorados. Assim, constata-se uma outra peça do figurino que veste muito bem a nossa realidade. Ou será que há no País alguém que duvide da força do Bolsa Família para a reeleição de Lula e para os seguidos mandatos de Dilma?

    Os programas populistas incentivam o consumo e não o desenvolvimento tecnológico ou o aprimoramento da infraestrutura. Assim, descapitalizam o país e o setor produtivo é espoliado até que o dinheiro se acabe e a economia então entra em retração. Os governos, então, desesperados, precisam tomar outras medidas para manter as dádivas. Aí surgem coisas como controle de preços, de tarifas de exportação e importação. Chega a um ponto em que a economia entra em colapso. É isso o que ocorre na Venezuela, na Argentina e começa a se tornar cada vez mais visível no Brasil. Nunca na história desse País ficaram tão claras as pedaladas fiscais e as manobras econômicas praticadas por um governo em ano eleitoral e que logo depois das eleições explodem em forma de crise. Mas, nunca a culpa é do populista. Quando a coisa vai mal a culpa é jogada aos “inimigos internos” chamados de golpistas e a fatores externos que têm a força de abalar a economia em qualquer parte do planeta. Mas, o que a história também ensina é que mesmo o mais competente dos populistas não consegue ENGANAR a todos por todo o tempo e quanto mais sólida for uma democracia menor será o tempo de sobrevida política do populista. Nesse sentido, o Brasil parece se diferenciar dos vizinhos já citados. Por aqui, as pesquisas de opinião já dão sinais de que o populismo lulopetista caminha para o FIM !!!

    • Questões Relevantes
      09/08/2015

      Marco Aurelio, dê uma olhada neste vídeo. Tem tudo a ver com suas colocações: NÃO É MERCA COINCIDÊNCIA http://wp.me/p4alqY-fV

  4. Simone
    09/03/2015

    Não entendi o que a pesquisa do sociólogo tem a ver com as pesquisas sobre o perfil da população presente nas manifestações anti PT… E de qual elite trata este artigo e a pesquisa? A política, a econômica ou a intelectual? Há que se ter mais rigor para se falar de dados e conceitos sociológicos, sob pena de tornar a matéria tão tendenciosa quanto o ponto de vista que se quis criticar. Do jeito que está, é uma mera opinião, tão válida quanto aquela que se quis desqualificar.

    • Questões Relevantes
      09/03/2015

      Simone, o artigo não pretende ser um tratado sociológico, mas é suficientemente claro em seu eixo central: trata da elite financeira e intelectual, salientando que no Brasil elas possuem grande sobreposição.

      Penso que a matéria não tem nada de tendenciosa. Ao contrário, apresenta informações claras, sem enrolação, que ajudam a entender que uma mentira repetida 1000 vezes pode convencer muita gente, mas nem por isso deixa de ser mentira.

      Na falta de argumentos que façam sentido, há muita gente apelando para este discurso do arranca rabo de classes para defender a boquinha e o poder político.

      A mim, parece que a única atitude éticamente correta seria que todos estivessem nas ruas protestando contra quem dissemina este discurso de ódio e transformou a corrupção em um método de governo.

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Publicado às 09/02/2015 por em Uncategorized e marcado , , , , .
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