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MÁRIO MAGALHÃES E A INDIGNAÇÃO SELETIVA.

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Há um artigo assinado por Mário Magalhães que está fazendo sucesso nas redes sociais e nos portais de notícia. Chama-se “O SILÊNCIO CÚMPLICE ACEITA A BARBÁRIE”.

Trata-se de uma destas coisas que parecem bacanas, parecem expressar o bem, o belo e o justo. Mas esta percepção é falsa. O artigo é manco, é incompleto. Me incomodo tanto quanto ele com estes cartazes idiotas e ideias agressivas nos protestos “da direita”, mas a realidade é que estas pessoas são irrelevantes e são ignoradas pelos demais. São gatos pingados desarticulados, sem qualquer importância estatística ou política. Deveriam ter sido expulsas das manifestações? Talvez. Mas ignorá-las não chega a ser intolerável. Se estas pessoas e suas ideias estúpidas têm alguma repercussão é pela ação de pessoas como Mário Magalhães e dezenas de outros simpatizantes do PT e de outros partidos da esquerda que as amplificam para tentar desqualificar os protestos contra o governo que defendem, já que nos protestos à favor tudo é tolerado.

Não vi nenhum gesto de estranheza na Presidente Dilma e nos demais presentes quando o nada irrelevante Wagner Freitas, presidente da CUT, em pleno Palácio da Alvorada, ameaçou pegar em armas no caso de Dilma sofrer um impeachment. Não encontrei nenhuma crítica desta fala no blog do Mário Magalhães. Encontrei foi o contrário em todos estes blogs bem patrocinados com dinheiro público: justificativas mil para relativizar a aberração.

Também não encontrei protestos do PT e seus seguidores quando, em discurso na porta da Petrobrás, Stedile ameaçou incendiar o país.

Observe que os idiotas autoritários da direita que pregam ações violentas são rigorosamente anônimos. Já os da esquerda, possuem real poder de mobilização. Os velhinhos terroristas da direita lamentam que a ditadura não tenha sido violenta o suficiente. Já personalidade públicas como Guilherme Boulos do MTST, João Pedro Stedile do MST e Wagner Freitas, presidente da CUT, acenam com a bandeira da violência para o futuro.

Eu concordo em banir das ruas todos que fizerem apologia da violência. Quem não concorda com isto são os Mários Magalhães, porquê nesta hipótese os protestos da esquerda seriam reduzidos a nada.

Segue a íntegra do artigo:

________________________________________

“O SILÊNCIO CÚMPLICE ACEITA A BARBÁRIE”.

Por Mário Magalhães.

Somente um grande mentecapto suporia que os 800 mil manifestantes do domingo subscreveram mensagens como as retratadas acima (todas garimpadas na internet).

Seria ofensivo vincular o conjunto dos participantes dos protestos a bandeiras como o extermínio sob tortura em campos de concentração, como eram os DOI (Destacamentos de Operações de Informações) da ditadura; à convicção de que rico é imune à corrupção (vide contas secretas na Suíça e pilantragens de empreiteiros); ao lamento por não ter havido genocídio de antagonistas no golpe de Estado de 1964; à defesa de um novo golpe, por meio de “intervenção militar”; e ao abraço em Eduardo Cunha como deputado digno de reverência.

Não subscrevem, é verdade. Mas não se soube de uma só restrição à presença de tais pessoas e à divulgação de tais ideias.

Nem de cidadão que tenha se retirado dos atos públicos ao se deparar com os arautos da intolerância.

A presidente da República foi o alvo central, com justiça ou não, das manifestações. Não é o caso, aqui, de julgar seu governo. Quando jovem, mais jovem do que hoje é a minha filha mais velha, Dilma Rousseff foi presa por agentes do Estado. À margem até da lei da ditadura, foi torturada com choques elétricos, no pau-de-arara, com a crueldade que quem não viveu não é capaz de imaginar.

Cartazes como os de ontem não são novidade nas demonstrações anti-Dilma que se sucedem desde o ano passado. Desta vez, novamente, ninguém confrontou os mensageiros da barbárie.

Quem cala consente, proclama o provérbio.

A gestação do fascismo, do nazismo e do stalinismo foi facilitada pelo silêncio cúmplice.

Não estou dizendo que o Brasil de 2015 se assemelha à Europa dos anos 1920 e 1930.

Mas que, se não podem ser apontados como co-autores das barbaridades de ontem, os manifestantes toparam estar lado a lado com os autores das barbaridades.

Em nome do combate ao adversário político, aceitam perfilar com quem, no conteúdo de alguns cartazes, não difere muito dos cretinos que, no século XX, identificavam-se com a SS.

Se quiserem brigar, não avacalhem a mim, nem me xinguem.

Briguem, avacalhem e xinguem os fatos. Pois é fato que silenciaram diante do ovo da serpente.

E desfilaram com quem preferia que Dilma Rousseff tivesse sido enforcada no DOI a enfrentá-la na democracia.

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RETOMO PARA CONCLUIR

Reparem: toda vez que alguém da esquerda bate no peito e defende a democracia liberal, está apenas disfarçando sua indignação seletiva.

Artigo por Paulo Falcão.

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8 comentários em “MÁRIO MAGALHÃES E A INDIGNAÇÃO SELETIVA.

  1. Paulo: essa postura da senhora com o cartaz é a postura mais repercutida por gente do exército. Ela é preocupante, pois não é isolada e justifica assassinatos extrajudiciais.

    Já a postura do presidente da CUT seria perfeitamente legal em caso de golpe. Em caso de golpe militar, é justo que eu defenda o governo com armas e mate os que se levantam contra ele em armas. Há, sim, embasamento legal para isso. Só que é mera bravata. Sabemos que são adeptos da revoluçao passiva.

    Se os participantes do dia 16 fazem discurso de ódio, eles têm razão: o PT, focando na classe média, propagou um radicalismo pequeno-burguês e focou na moralização; a classe média acreditou. Agora, quando se mostraram corruptos, não fazem autocrítica. Fingem-se de inocentes e saem acusando o outro setor empresarial com o mesmo moralismo anterior! Não expulsam os corruptos do próprio partido (afinal, seria preciso fazer uma verdadeira razzia. Não ficaria quase ninguém), a mídia, o judiciário, a ultra-esquerda…todos são culpados, menos o PT e seus novos aliados: Collor, Sarney, Kátia Abreu, Renan, etc.

    O PT não pode dizer que não faz discurso de ódio, pois existe o discurso tolo de Marilena Chauí contra a classe média. Embora ela seja uma boa especialista em Spinoza, como analista social é detestável e justifica o nome de “marxilena Xuxaí” que lhe foi pespegado pelo poeta Bruno Tolentino. A partir de um pressuposição de que ela estaria em uma posição a favor da classe trabalhadora apenas por apoiar o partido dos trabalhadores, Marilena, que durante muito tempo escreveu na Folha e só parou de escrever porque suas críticas vazaram para a Folha através de um aluno, passa a acusar a classe média de inúmeras coisas, ignorando que: 1) o PT era originalmente formado por pequena burguesia radicalizada e a aristocracia da classe trabalhadora; 2) ela quer dizer que classe média =PSDB. 3) Lula já disse que seu sonho era ser classe média, Dilma disse querer um país de classe média. Eles já quiseram impiximã de Sarney, FHC, Collor e Itamar, em todo escândalo de corrupção, sempre visando dividendos eleitorais. Lula já falou no impiximã como “solução dos problemas nacionais”, veja que demagogo ignorante! Lula e Dilma apenas colhem o que o PT plantou.

    Sou a favor de protestar junto a essa senhora no dia 16, mas sou maoísta e tb vejo a violência como progressista na história.

    http://revistacidadesol.blogspot.com.br/2015/08/felipe-vasconcelos-comendo-na-lata-de.html

    • Questões Relevantes
      08/24/2015

      Lúcio, gosto de suas posições (embora discorde delas) porque são transparentes. Declara logo: sou maoisa. Não fica fazendo pose de democrático. Jogo claro, posições claras.

      Quanto aos comentários acima, não vejo apoio a golpes militares vindo de pessoas ligadas às forças armadas. As lideranças militares têm insistido que estas tentações do passado não estão presentes hoje.

      Também não vejo possibilidade da Dilma sair por golpe. A única possibilidade (além da renúncia) seria o impeachement, que é constitucional e, por tanto, não é golpe.

      Ou seja, falar em pegar em armas, neste momento, é, no mínimo, irresponsável.

      Obrigado pela participação.

      • Sim, Paulo, é irresponsável e foi para constranger os manifestantes, uma bravata na linha de Lula falando do exército do MST. Nada tem a ver com esquerda: tudo gira em torno de populismo e do projeto pessoal do presidente Lula. São manobras à esquerda a que se prestam alguns iludidos. Tanto que o pT é responsável, sim, pela lei anterrorismo que pretende constranger os movimentos sociais.

      • Questões Relevantes
        08/25/2015

        Lúcio, para sermos mais precisos, a lei antiterrorismo é iniciativa da oposição e foi aprovada com o apoio do PMDB, sem a participação do PT.

  2. Wiliam SJ
    08/21/2015

    Caro Paulo Falcão, acho um erro político por parte da esquerda desqualificar manifestações como a de domingo, mesmo a despeito dos ignorantes de sempre que fazem apologia à violência e pedem o retorno dos militares ao poder, seria importante separar quem tem pautas claras.

    O problema está aí a meu ver. Qual a pauta dessas pessoas a não ser tirar Dilma do poder ? Qual o verdadeiro sentimento que movem essas pessoas, não é possível que seja somente ódio anti-petista, afinal a história mostra que esse sentimento belicoso sempre custou caro a nossa sociedade. Também não me parece tão legítima se apropriarem da bandeira anti-corrupção, quando pouquíssimos manifestantes e principalmente os grupos que lideraram esses protestos se preocuparam em gritar contra Cunha, também não vi nenhum gesto de indignação contra o financiamento privado de campanhas ou pedido pela celeridade ao julgamento do mensalão tucano, cobrança aos envolvidos no cartel de trens em SP ou aos responsáveis pela crise hídrica em SP.

    Portanto, mesmo que defenda o direito ao diálogo é necessário que a parcela que tenha pautas claras para o país se descole do restante da parcela violenta e fascista e principalmente dos líderes de ocasião e mostre o que realmente desejam. Do contrário fica difícil sequer estabelecer o mínimo de diálogo com este segmento da sociedade.

    • Questões Relevantes
      08/21/2015

      Wiliam, todas as suas ponderações são justas, mas a resposta às suas indagações é simples: Dilma e o PT são o Collor da vez. Há uma indignação canalizada para a manda-chuva de um país em crise. No Paraná há um movimento não tão articulado mas importante pedindo o impeachment do Beto Richa, governador do PSDB.

      Mas o ponto central de meu artigo é este tipo de posicionamento falsamente correto, falsamente bonzinho, falsamente justo de vários articulistas que fizeram coro com Marcio Magalhães. Se não me engano foi Sartre quem definiu o ético e o moral como aquilo que permito ao outro fazer comigo. Se não permito ao outro incentivar a violência, por que devo permitir a mim e aos que estão ao meu lado fazê-lo?
      Ou seja, não estou falando das manifestações, mas do cinísmo de certas críticas.

      • Wiliam SJ
        08/22/2015

        Entendo e endosso a tese central do seu ponto. A estupidez não apresenta ideologia e acomete igualmente direita e esquerda. Apesar de concordar no ponto onde o tal presidente da CUT ressuscita o lema da esquerda utópica, discordo no que se refere ao oposto da direita que se utiliza da mesma estupidez com a diferença que seriam atores anônimos.
        Há várias formas de se pregar violência ou estimulá-la, o palavrório do presidente da CUT é direto e conclama seus filiados a cerrarem fileiras, ali ele se utilizou do expediente comum a qualquer presidente de central sindical, palanque e microfone para tecer suas bobagens.
        Opostamente, quando um jornalista visando a amplificar a “voz do dono” resolve partir para o jornalismo de “fofoca” ou mediúnico, ao estampar por exemplo uma ficha criminal falsa da então candidata Dilma, igualmente estimula e incentiva o ódio em uma parcela considerável de leitores, quando um jornalista parte para a “fofoca” ao endossar um pretenso fato de que uma camareira teria sido agredida a “cabidadas” por Dilma, alimenta um clima belicoso que não faz bem a democracia. Curiosamente, a pouco tempo atrás, o repórter Guga Noblat foi ofendido na Av Paulista por usar uma camisa vermelha, curiosamente o pai do repórter, o jornalista Noblat é um dos que mais abastece esses abutres anti-democráticos com matérias dignas de qualquer revista de fofoca.
        Quando pastores-políticos ou pastores-eleitores se utilizam em suas igrejas, de suas pregações conteúdos de cunho moralista e seletivo, impõe a uma parcela de fiéis facilmente manobráveis apenas a sua opinião. Como não esquecer do absurdo espaço que se deu a conteúdos moralistas na campanha de 2010 por exemplo ? É legítimo manifestar-se contra um presidente, isso aconteceu com Collor em 1992 como você disse, mas naquela época não presenciamos um clima de ódio tão grande como esse, clima esse alimentado por ambos os lados por atores anônimos ou não.

      • Questões Relevantes
        08/22/2015

        Por nossa troca de comentários fica claro que estamos em campos opostos na política, mas não na civilidade. Se todos fossem assim, seríamos outro pais. Todas as suas ressalval são legítimas, mas o clima de ódio foi cuidadoramente cultivado pelo PT nos últimos 13 anos. Na maior parte deste tempo, este clima rendeu bons frutos para os petistas. Agora, tenho dúvidas se alguém ganha algo com isso.
        Segue um link que acho interessante sobre este ódio cultivado: NÃO É MERA COINCIDÊNCIA http://wp.me/p4alqY-fV

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Publicado às 08/20/2015 por em Uncategorized e marcado , , , .
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