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VLADIMIR SAFATLE E A DEFESA DO GOLPE.

Safatlenin

Vladimir Safatle é uma ameaça à educação brasileira e à logica, mas o que gostaria mesmo é de ser uma ameaça à democracia.

Sua ameaça à educação brasileira está circunscrita à USP e aos incautos que levam a sério seus livros e artigos nas diversas mídias que ocupa sistematicamente.

À lógica, a ameaça está exposta todas as vezes que fala em defesa da democracia. Safatle despreza a democracia. Tem ódio.  É um marxista-leninista que incorporou algumas das teses de Slavoj Žižek que, como o próprio Safatle, justifica até ações terroristas e lhes empresta legitimidade no enfrentamento com as democracias liberais.

Toda a ação conhecida de Safatle tem como eixo a superação da democracia representativa e do sistema econômico chamado capitalismo. Há despistes ali ou acolá, há dissimulações, mas sua verdadeira natureza emerge sempre, como no artigo abaixo publicado na Folha de São Paulo.

Uma leitura menos distraída de suas palavras deixa o seguinte recado: a democracia brasileira não presta, a constituição brasileira não presta, as saídas constitucionais para a crise política não prestam e, por tanto, devemos “caminhar ao que poderíamos chamar de “grau zero da representação””. Ou, como diz em outro parágrafo: “A saída da crise não se dará por meio de conchavos de bastidores, mas pela radicalização da democracia”.

Caso não tenham reparado, ele está propondo um golpe. Este é o nome que se dá a uma proposta não contemplada pela constituição. “Radicalização da democracia” é apenas um eufemismo para golpe. Algo a estranhar? Em se tratando de Safatle, nada.

Não vou nem entrar no mérito das análises simplórias que faz do que chama de Nova República ou sua visão tosca de economia. O importante aqui é observarmos a cobra tentando o bote para inocular seu veneno na jugular da democracia.

Sua ideia básica é destituir não só a presidente mas também o vice, todos os deputados e todos os senadores, rasgar a constituição e convocar novas eleições sem partidos, que renovariam a política e escreveriam uma nova constituição.

Se fossem eleitos candidatos alinhados com suas crenças, ocuparia feliz seu lugar no politburo. Se fosse eleita uma maioria da qual discorda, continuaria com sua voz aguda e raivosa pregando contra a democracia e seus defeitos.

Gente assim só fica feliz com a tal “democracia de partido único”. E o mais incrível é que ainda tem gente que o leva a sério.

Leia o artigo e confira se tenho ou não razão.

Deixe os mortos enterrarem seus mortos.

Vladimir Safatle  – Folha de S. Paulo em 07-08-2015.

A Nova República acabou. Qualquer análise honesta da situação brasileira atual deveria partir dessa constatação. O modelo de redemocratização brasileiro, que perdurou 30 anos, baseava-se em um certo equilíbrio produzido pelo imobilismo.

Desde o momento em que FHC se sentou com ACM e o PFL para estabelecer a “governabilidade”, a sorte da Nova República estava selada. Frentes heteróclitas de partidos deveriam ser montadas acomodando antigos trânsfugas da ditadura e políticos vindos da oposição em um grande pacto movido por barganhas fisiológicas, loteamento de cargos e violência social brutal.

O resultado foi um sistema de freios que transformou os dois maiores grupos oposicionistas à ditadura (o PT e o núcleo mais consistente do PMDB, a saber, o que deu no PSDB) em gestores da inércia. Com uma “governabilidade” como essa, as promessas de mudanças só poderiam gerar resultados bem menores do que as expectativas produzidas.

Mas a Nova República tinha também um certo princípio de contenção por visibilidade. No auge da era FHC, José Arthur Giannotti cunhou a expressão “zona cinzenta de amoralidade” para falar do que ele entendia ser um espaço necessário de indeterminação das regras no interior da dita democracia com sua “gestão de recursos escassos”.

Essa zona de amoralidade, mesmo tacitamente aceita, deveria saber respeitar uma certa “linha de tolerância”, pressuposta na opinião pública. Havia coisas que não poderiam aparecer, sob pena de insuflar a indignação nacional.

Giannotti acreditava falar da essência da democracia, mas estava, na verdade, a fornecer involuntariamente o modo de funcionamento das misérias da Nova República: um acordo fundado sobre uma zona cinzenta de amoralidade resultante de disfunções estruturais e democratização limitada.

Mesmo isso, no entanto, é coisa do passado. O primeiro sintoma do fim da Nova República é a pura e simples gangsterização da política e a brutalização das relações sociais. Não há mais “linha de tolerância” a respeitar, pois não é mais necessário um “pacto pelo imobilismo”.

Pacto pressupõe negociação entre atores que têm força e querem coisas distintas. Mas todos os principais atores políticos da Nova República já estão neutralizados em seu risco de mudança. Os que não querem a mesma coisa não têm mais como transformar seu desejo em ação.

Assim, como não há mais linha de tolerância a respeitar, o outrora impensável pode ser mostrado, desde que sirva para desestabilizar o governo de plantão.

Por exemplo, foi como um sindicato de gângsteres que o Congresso Nacional e seu presidente agiram na semana passada ao convocar, para uma CPI de fantasia, a advogada de defesa de denunciantes da Operação Lava Jato, a fim de intimidá-la.

De toda forma, só uma política gangsterizada pode aceitar que o presidente da Câmara seja um indiciado a usar seu cargo para, pura e simplesmente, intimidar a Justiça, como se estivesse na Chicago dos anos 1930.

Dilma acreditava ainda estar na Nova República ao rifar seu governo para economistas liberais. Seu cálculo era: “Se eu garantir que não haverá nenhuma mudança drástica de rota, serei preservada no governo”. Esse raciocínio, no entanto, não serve mais.

Como é, atualmente, indiferente saber quem está no governo, pois todos sabem que nenhuma mudança drástica de rota virá, a rifa de Dilma não garantirá sua sobrevida.

Em um contexto de crise dessa natureza (e, antes de ser econômica, a crise brasileira é política, é a marca do fim de uma era política) a única solução realmente possível é caminhar ao que poderíamos chamar de “grau zero da representação”.

Não há, hoje, mais atores políticos no Brasil. Os principais foram testados e falharam, e é desonestidade intelectual acreditar que uma simples troca de presidente mudará algo. Por isso, o poder instituinte precisa se apresentar diretamente, com o mínimo de representação possível. Ao apresentar-se enquanto tal, o poder instituinte pode impulsionar um processo de constituição de novos atores e novas formas.

O parlamentarismo tem a possibilidade de convocação de eleições em situações de crise. O presidencialismo brasileiro precisaria de tal flexibilidade para, no caso, convocar eleições gerais, tendo em vista, entre outros objetivos, a dissolução deste Congresso e a convocação de uma assembleia constituinte capaz de refundar a institucionalidade política nacional.

Assembleia para a qual poderiam se apresentar candidatos independentes, fora de partidos políticos, com controle estrito do poder econômico. A saída da crise não se dará por meio de conchavos de bastidores, mas pela radicalização da democracia. Como já se disse antes, há horas que você precisa deixar os mortos enterrarem seus mortos e seguir outro caminho.

RETOMO PARA CONCLUIR.

A frase final, que também dá nome ao seu artigo, é interessantemente reveladora.

Lá no início parece insinuar que “os mortos” a serem enterrados são os políticos atropelados pelas denúncias de corrupção e “os mortos” que os devem enterrar são os partidos políticos a que pertencem.

Quando volta à frase no final, após sua defesa do golpe, fica claro que “os mortos” a serem enterrados são a democracia representativa e seus defensores. Nada mais natural para quem, ainda hoje, sabendo o que todos sabemos, vê com bons olhos o falecido modelo soviético.

Felizmente, para a democracia, cada vez menos gente leva à sério nosso Lênin tupiniquim.

Artigo de Paulo Falcão.

Link para o artigo original de Safatle: http://www1.folha.uol.com.br/paywall/login-colunista.shtml?http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/08/1665348-deixe-os-mortos-enterrarem-seus-mortos.shtml

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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40 comentários em “VLADIMIR SAFATLE E A DEFESA DO GOLPE.

  1. Cicero Oliveira
    08/19/2015

    Mas de que democracia que esse site “Questões relevantes”,fala?
    No Brasil, ou em qualquer país capitalista, democracia, existe sim, mas para quem tem CAPITAL.

    • Questões Relevantes
      08/19/2015

      Cicero, dois artigos respondem sua pergunta. Este é o mais curto: http://wp.me/p4alqY-3n

      Este é mais técnico: http://wp.me/p4alqY-3B

      • Cicero Oliveira
        08/19/2015

        Eu concordo quando o artigo diz que estamos numa democracia, mas esse mesmo artigo carece de complemento, pois estamos,sim,numa democracia política,pois a econômica,é uma verdadeira DITADURA.É só olhar nos postos de saúde,dezenas de doentes pelos corredores,sofrendo,morrendo,um verdadeiro inferno.Enquanto,a minoria,que fica cada vez mais rica,como os banqueiros,para citar só essa classe,tem atendimento de primeiro mundo.Isso é democracia? A comida dentro de uma casa pertence a toda família,sem exceção.Isso deveria ser,também,no país,e isso será um dia,apesar de pensamentos contrários.VIVA A FELICIDADE DE TODOS,NÃO SÓ DA MINORIA!

      • Questões Relevantes
        08/19/2015

        Cicero, meu ponto é o seguinte: vários países de democracia liberal atingiram níveis bem satisfatórios de distribuição de renda e direitos básicos como saúde e educação, conciliados com ampla liberdade política, de imprensa e tudo mais que caracteriza democracias, mas nenhum pais que abraçou o marxismo e suas derivações o fez. Assim, devemos sim nos mobilizar para aperfeiçoar a política brasileira, mas fazer isto fora do estado democrático e de direito é a receita certa para ditaduras. Se de esquerda ou de direita, não sei, mas não quero viver sob nenhuma delas.

  2. A filosofia do Safatle é um marxismo ortodoxo requentando pela psicanalise lacaniana (na linha do Zizek mesmo). Mas não sei se ele discursa contra a democracia. Aliás a nova república ainda não acabou. Ela ainda vive a pleno vapor repetindo as mesmas formulas de 45 pra cá, em maior ou menors grau (veja por exemplo que a briga atual entre PSDB e PT é um revisão do conflito Vargas e Lacerda). Mas ele está certo que Dilma entregou o governo à economia liberal e perdeu o rumo do governo. Não vejo nada de mais da expressão “radizalização da democracia”. Ela quer dizer que para os males da democracia o que se deve fazer é por mais democracia, fortalecer as instituições, dar credibilidade à soberania popular etc.

    • Questões Relevantes
      08/19/2015

      Pedro, seria bom se fosse isso que o Safatle pensa e diz, mas não é. A chave para entender o que ele chama de radicalização da democracia está no conceito “grau zero da representação”. O que ele propõe é que a sociedade se mobilize para forçar a deposição do executivo federal e do legislativo, com convocação de eleições sob este clima beligerante. Se não fosse por outros motivos, como esta proposta não encontra amparo na constituição, a única maneira dela ocorrer seria a ruptura do estado democrático e de direito.

      Na parte final do artigo ESQUERDA x DIREITA: A TEORIA DAS GAVETAS OU COMO NÃO CHAMAR URUBU DE “MEU LÔRO” há um interessante debate sobre as ideias que Safatle prega em seu livro “A esquerda que não teme dizer o seu nome”. O link é este: http://wp.me/p4alqY-a

  3. Dario Ramos
    08/18/2015

    Sou contra qualquer tipo de controle politico e Social. No mundo de hoje os conceitos e ideias de 1917 estão envelhecidos demais. Mas se olharmos a situação do Brasil hoje, são preocupantes as possibilidades no horizonte. Todas caminham para um retrocesso politico e Social com um povo dividido. Isto não vai acabar bem.

    • Questões Relevantes
      08/18/2015

      Dario, a democracia pode ser morosa na solução de conflitos, mas é o melhor caminho para que se encontre soluções pacíficas.
      Entendo seu desencanto, mas me parece que não cedeu à tentação de alguma saída fora do estado de direito.
      Apostar no confronto como gatilho da mudança, com faz Safatle, é uma reciclagem do velho “acirramento das contradições sociais”. Ai sim é certeza: nunca terminou bem.

  4. Alcides Miranda
    08/18/2015

    Li com atenção o texto crítico e o que percebi é uma mera tentativa de desqualificação do outro, inclusive com a versão intencionalmente rebaixada e obtusa de suas ideias (as quais também tenho lido e, reconheço, discordo de muitas, entretanto, não as confundo com o estereótipo do autor). Lamentavelmente existem pessoas mais (pre)ocupadas com esse tipo de abordagem e discussão.

    • Questões Relevantes
      08/18/2015

      Alcides Miranda, Vladimir Safatle não é uma personalidade qualquer. Ele participa de um partido polítido de esquerda marxista, é professor da USP, comentarista da TV Cultura, articulista da Folha de São Paulo, autor de livros e um ativo militante de ideias que se chocam com o que conhecemos por democracia.

      Conheço vários jovens que prejudicaram suas vidas escutando o que este senhor prega.

      Suas ideias já foram discutidas em outros artigos do blog e por outras pessoas que certamente discordariam de sua avaliação de que se trata de uma “versão intencionalmente rebaixada e obtusa de suas ideias”. Safatle defende abertamente o Marxismo-Leninismo, despreza a democracia representativa e toda a sua ação está focada no jogo político no qual busca espaço (foi candidato a Governador de SP até o Maringoni puxar seu tapete).

      Deixar claro o que ele pensa, o que ele diz e faz é, do meu ponto de vista, um serviço de utilidade pública.

      Obrigado pela crítica.

      • Moésio Pereira
        08/19/2015

        Não vi nada de golpista no artigo. De mais a mais, marxista comentarista da TV Cultura e articulista da Folha me pareciam coisas inconciliáveis. Mas essa já é outra história.

      • Questões Relevantes
        08/19/2015

        Moésio, há um outo artigo no blog que explica melhor o tal “grau zero da representação”. Esta é a chave para entender o porquê a proposta do Safatle só pode existir como golpe, como revolução. Chama-se A VIOLÊNCIA, ŽIŽEK E A BUSCA DE UM SENTIDO ( http://wp.me/p4alqY-fJ )

  5. Wanderson Santana da Silva
    08/15/2015

    Que legitimidade têm as instituições da chamada nova república?? Lula/Dilma e seus acordos com as empreiteiras, com Sarney, Calheiros, Collor….. Este congresso capitaneado por Eduardo Cunha??? Este aparato repressivo das PM’s, Guardas Municipais chacinadoras?? Este modelo econômico baseado numa usurpação do povo, especialmente o pobre e os trabalhadores, através de uma cobrança de impostos escorchantes (35% de carga tributária) para pagar dívida (em outras palavras, bancar o sistema financeiro, a burguesia e setores de classe média rentistas). Não há dúvidas de que a desconexão entre o sistema político e o dia-a-dia das ruas é total! Nada do que aí está representa qualquer saída consistente e coerente para esta crise histórica que atravessamos. Chamar Safatle de golpista é parcial e desqualificante do cerne do que ele propõe (criar um novo sistema de representação, um novo estado). A crítica, me parece, vem de um governismo lulo/petista (burocratas partidários, sindicais, dirigentes de autarquias e estatais e parlamentares adestrados pelos luxos do poder) desesperado diante da falência do modelo político-econômico clientelista sustentado por ele. Aprofundemos o debate e criemos, democraticamente (com o sentido mais radical, popular e operário que o termo possa ter), um outro pais, ! Como bem disse Safatle, o Brasil pós ditadura naufragou!

    • Questões Relevantes
      08/15/2015

      Wanderson, você pode não gostar deste governo ou de democracia. É um direito seu. É um direito do Safatle também. O que o artigo defende é que a proposta apresentada por ele é, tecnicamente, um golpe de estado. Criar um novo sistema de representação, um novo estado, como você disse, se feito dentro dos ritos previstos na constituição, é democrático e dentro do estado de direito. Se feito ao arrepio da constituição, é revolução ou golpe. Desta discussão nasceu um outro artigo chamado NOSSA DEMOCRACIA É UMA MERDA, MAS A ALTERNATIVA É PIOR. Pode ser lido aqui: http://wp.me/p4alqY-gf

  6. concocordo plenamente com ele

    • Questões Relevantes
      08/15/2015

      Existem outros que também concordam. A democracia não é um valor fundamental para vocês.

  7. Bruno Marques
    08/12/2015

    Assistam o “debate” dele com o filósofo canadense Stefan Molyneux, onde fica bem claro o nível intelectual raso e as veias ditatoriais desse sujeito. Recomendo muito, principalmente porque ele passou possivelmente a maior vergonha da carreira nesse debate, com um inglês pífio pra um doutor e colocações rechaçáveis por qualquer aluno aplicado do ensino médio. Ele fica tão sem argumentos que passa de debatedor a entrevistador no meio do debate. Sério, esse “debate” é impagável, não deixem de assistir. https://www.youtube.com/watch?v=ekIJikGZU5I

    • Questões Relevantes
      08/12/2015

      Obrigado pela contribuição. Realmente este debate de 2012 já é um clássico. Na verdade o debate é entre dois “utopistas”, Stefan Molyneux defendendo o anarquismo, a ausência de estado (que define como coercitivo) e Vladimir Safatle defendendo o estado que pratica a “coerção certa”. Há contradições no que os dois dizem em diferentes momentos, mas Safatle, na parte final, dá a pista do modelo que julga mais próximo do ideal: a Rússia com Lênin, antes de acabar com os soviets, ou conselhos. É o que chamam, eufemisticamente, de “democracia direta”.

  8. Ary Lucio Souza
    08/12/2015

    Marx, Engels, Lenin , foram grandes e inlectuais respeitaveis, que merecem ter sua memoria respeitada. Que interesse tem esta burguesia, fracassada, em jogar a população contra todos os pensadores socialistas, sendo que da ao brasileiro, um regime concentrador de renda, um capitalismo selvagem. Precisamos estudar mais, moçada.

    • Questões Relevantes
      08/12/2015

      Ary, sou 100% favorável a que se estude mais. O blog, inclusive, visa contribuir neste processo. Quanto a Marx e Engels, desculpe a ironia, mas há muito deixaram de ser referência como intelectuais para assumirem o posto de Messias do amanhã luminoso, que virá após a engenharia dos homens e a produção e mortos educativos em escala industrial. Lenin está para eles como Pedro para Cristo: fundou a igreja em que Safatle e outros “pastores” pregam.

  9. Benicio Chagas Neto
    08/10/2015

    Que o modelo republicano brasileiro é péssimo – ninguém tem dúvidas. O caminho deve ser procurado. O que fazer com mais de 600 parlamentares? O Brizola falava em 200 e pouco seria um bom número. Só para enumerar uma das mazelas.

    • Questões Relevantes
      08/10/2015

      Benício, esta discussão é legítima e existem previsões constitucionais para realizá-la. Isto é do jogo. O que não é do jogo, e portanto é golpe, é o que defende o Safatle.

  10. Lúcio Júnior Espírito Santo
    08/08/2015

    Que mané defesa do golpe. Constituinte, até Dilmãe já defendeu. Que golpe? Golpe comunista? rs Zizek não é nada disso q vc falou. Zizek é fascista, é racista.

    Safatle apenas requenta temas do próprio imaginário governista. Dilmãe mesmo propôs constituinte, radicalizar a democracia é tendência do Genoíno no PT, Democracia Radical. No fundo, Safatle, PSOL, PCB, os trapalhões enfim, os quatro são governistas. Eles querem pt no poder, mas de boca fazem esse barulhão.

    Klein, Jacob Levich e outros intelectuais levantaram o passado de Zizek na ex-Iugoslávia. Nos anos 80, ele era parte de um grupo dissidente dentro do partido “comunista” da Eslovênia. O jornal Tribuna, periódico oficial do partido, publicou, em 1988, o polêmico texto Protocolos dos Sábios de Sião, famosa falsificação antissemita que inspirou Hitler e que permanecia, desde 1934, inédito na Iugoslávia. Não apareceu outra justificativa para a publicação do texto, comprovadamente não escrito por sábios de Sião, a não ser a de estimular o antissemitismo. Segundo Klein, Zizek e seu grupo defenderam-se dizendo que aqueles judeus que conspiravam mundialmente, na verdade, eram uma metáfora dos “comunistas” iugoslavos. O texto seria, então, uma crítica ao governo e não um verdadeiro ato antissemita.

    Veja este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=IrEJW3INm58

    • Questões Relevantes
      08/08/2015

      Lúcio, qualquer saída não prevista na constituição é uma ruptura do estado democrático e de direito. O nome popular disso é golpe.

  11. André Brito Pereira
    08/07/2015

    Vladimir Safatle, para mim, é um dos cientistas políticos mais lúcidos no nosso contexto atual.

    Uma pena que o autor do texto não tenha sequer tentado compreender o significado de suas metáforas (e talvez esse seja o ponto chave para compreender suas intenções); isso fica claramente exposto no trecho em que a frase “caminhar ao que poderíamos chamar de “grau zero da representação” se torna a propositura de um golpe.

    A crítica poderia ser bem mais extensa, mas acho que em certos casos ignorar é a melhor solução mesmo. De fato, uma pena.

    • Questões Relevantes
      08/07/2015

      André Brito Pereira, o Safatle não está fazendo nenhuma metáfora, está defendendo o que sempre defendeu: uma alternativa à democracia representativa.

      Você tem o direito de concordar com ele, mas isto não transforma o viés autoritário de suas ideias em uma forma de democracia.

      • André Brito Pereira
        08/07/2015

        Paulo Falcão, recomendo a leitura: http://goo.gl/Tj2COe

        Lembremo-nos que não existe somente a alternativa do autoritarismo à representação.

      • Questões Relevantes
        08/07/2015

        Já li e critiquei também. Entendo que você o admire, mas as ideias que ele defende nada têm de democráticas. Esta discussão está posta neste outro artigo: http://wp.me/p4alqY-3n

      • André Brito Pereira
        08/08/2015

        Paulo, poderia esclarecer o porquê disso se tratar de um golpe para você? Confesso que ainda não me entrou na cabeça como alguém consegue chamar o apoio à democracia direta de chamado ao golpe, mas enfim.

      • Questões Relevantes
        08/08/2015

        André, esta discussão tem duas frentes.

        Na teórica, o embate sobre democracia liberal e democracia direta está até dicionarizado e pode ser visto no “Dicionário de Política” de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino. No blog há artigos sobre o tema e link para a íntegra do dicionário.

        Outra coisa, diversa, é a proposta de Safatle neste momento. O Brasil tem uma Constituição legítima e tem uma presidente, deputados e senadores também legítimos. Podemos não gostar deles, mas são legítimos.

        A constituição prevê alternativas para tratar com a crise, para cassar políticos e até para alterar a própria constituição, mas todas são desprezadas por Saftle.

        Seu artigo é uma tentativa de criar-se uma mobilização popular que imponha a mudança radical “de tudo isso que está aí”. Como esta iniciativa não tem previsão constitucional, se ela fosse bem sucedida estaríamos diante de um golpe.

        Há riscos nesta escolha, e não são pequenos. Quem sonha com mudanças drásticas, à margem do estado democrático e de direito, é movido pela esperança de que seu sonho será o vencedor. O problema é que não há garantias sobre que ideia vencerá o embate na ausência do estado de direito.

        Em 1964 a esquerda acreditou que o Brasil estaria maduro para uma revolução socialista e foi atropelada por um golpe de direita e uma ditadura militar de 30 anos. Imaginar que hoje seria muito diferente é, no mínimo, pouco inteligente.

        Como resume o Dicionário de Política citado acima, sobre os enunciados de Platão, “Distinguindo as formas boas das formas más de Governo com base no critério da legalidade e da ilegalidade, a Democracia é, nesse livro, considerada a menos boa das formas boas e a menos má das formas más de Governo: “Sob todo o aspecto é fraca e não traz nem muito benefício nem muito dano, se a compararmos com outras formas, porque nela estão pulverizados os poderes em pequenas frações, entre muitos. Por isso, de todas as formas legais, é esta a mais infeliz, enquanto que entre todas as que são contra a lei é a melhor. Se todas forem desenfreadas, é na Democracia que há mais vantagem para viver; por outro lado, se todas forem bem organizadas, é nela que há menor vantagem para viver.”

        Ou seja, como na prática a teoria é sempre diferente, a democracia é a melhor alternativa. E “democracia”, a que existe, pode ser medida e estudada, é a democracia liberal, como aponto no artigo que lhe sugeri na resposta anterior.

      • Francisco Wilton fernandes
        08/13/2015

        Safatle está certíssimo. O articulista que o critica, parece-me, ainda vive na guerra fria. Oxalá tivéssemos vários Safatles para orientar as mentes mais jovens. Não é o Vladimir quem pede a volta de ditaduras, mas sim os seus críticos mais radicais

      • Questões Relevantes
        08/13/2015

        Francisco, é curioso que eu faço uma defesa clara do estado democrático e de direito, apresento argumentos, evidencio o discurso lacunar de Safatle, tão caro ao pessoal da USP, e sou acusado por você de querer a volta de ditaduras. Sua afirmação nem errada é, de tão sem sentido.

    • Cláudio Donato
      08/08/2015

      Parei no quarto parágrafo, o cara não consegue interpretar “radicalização da democracia”, o autor desse artigo é semi analfabeto.

      • Questões Relevantes
        08/08/2015

        Cláudio, conheço bem a malandragem do Safatle. “Radicalização da democracia” significa, para ele, no mais das vezes, a abolição da democracia representativa e sua substituição pela democracia direta, algo que não funciona bem nem em assembléia de condomínio. Mas neste caso, ele até disfarça: quer “apenas” derrubar congresso, senado e presidência e convocar novas eleições sem ingerência de poder econômico e sem necessidade de partidos. O nome disso é golpe, e um golpe aloprado. Você pode chamar de semáforo, de chicabom ou “radicalização da democracia”, mas tecnicamente é apenas um golpe de estado.

    • Denise Andrade
      08/14/2015

      Tb penso como vc… Nao entendeu a metafora..

      • Questões Relevantes
        08/15/2015

        Que metáfora? Isto não tem nada de metáfora.

  12. Luiz Carlos Verli
    08/07/2015

    Ele faz tanta questão de parecer com o Lênin que até o inglês dele é russo.

    Vejam a surra que o Molyneux deu nele quando veio pro Brasil.

    • Questões Relevantes
      08/07/2015

      Obrigado pela contribuição.

  13. rafael
    08/07/2015

    Diante dessa argumentação tendo a entender que qualquer tipo de ato revolucionário também seria considerado “golpe”…
    Acredito que a argumentação de Safatle está assentada em um fato: a democracia liberal não pode ser posta como um “valor universal” intrínseco a todos os povos. Veja bem, estou me referindo única e exclusivamente a democracia representativa, invenção burguesa que não passa de uma modelo demagógico pseudo-representativo. A democracia liberal desde o início já se mostrou como algo falido, que não tem respaldo na realidade, já que quando os interesses da elite são ameaçados ela é a primeira a rasgar qualquer tipo de véu democrático. As ditaduras são isso. Acho um pouco estranho a comparação com Lênin, não só porque Safatle está bem a direita dele, mas pela insinuação de que Lênin seria um golpista. Quem faz isso deve não leva em consideração todo o processo histórico russo de 1917, esquece de toda a organização soviética realizada pelos operários,soldados e camponeses que de forma autônoma e genuína efetivaram na realidade a verdadeira democracia, aquela que Safatle parece acenar. No meu entender buscar uma verdadeira democracia, onde a maioria da população de fato representação política, não é só o mais lógico, como é também o real objetivo da política.
    Se tentar romper com a lógica divisória entre classes for um ato “golpista”, ou até mesmo “inconstitucional” é porque de fato o é. Mas é porque as regras do jogo postas não foram elaboradas por todos, e nem ao menos tem respaldo em todos, a democracia liberal não passa de uma das maiores peças pregadas, ela representa a ilusão de uma sociedade “igualitária” que de fato não existe. Aqueles que defendem de forma fervorosa a democracia não são diferentes dos altos burocratas do Estado que se beneficiam desse modelo. Devemos sim realizar uma democracia real, conselhista, que de fato não seja o subjugo de uma minoria sobre a maioria.
    Esse debate é só mais um dos grandes equívocos da esquerda brasileira, a esquerda pequeno burguesa preocupada em angariar cargos dentro do Estado burguês, preocupada em fazer política dentro de câmaras longe do povo, assim como Marx falaria em 1850, a esquerda brasileira, e especificamente a fração representada por PSOL e PT, está mais preocupada em fazer “criticismo parlamentar” do que de fato mobilizar as bases para um rompimento real de consciência e da estrutura da sociedade brasileira. Uma esquerda que nega Lênin, e que paulatinamente parece negar Marx, é uma esquerda sem direção e que no máximo poderá a criar um bloco abstrato de seguidores dentro da classe média esclarecida, mas jamais terá o apoio da classe trabalhadora. Esse artigo é uma sínteses dessa esquerda que denomino de “festiva”.

    • Questões Relevantes
      08/07/2015

      Rafael, vários dos artigos deste blog refletem sobre as questões que você pontua.

      Sobre a democracia como valor universal, seria desejável, mas estamos longe disso. Por ora me contento com o ocidente democrático que tem a democracia como valor fundamental.

      A distinção crítica que você faz à “democracia burguesa” está bem discutida no artigo “DEMOCRACIA SOCIALISTA” É O SACI PERERÊ DA CIÊNCIA POLÍTICA: NÃO PASSA DE FOLCLORE ( http://wp.me/p4alqY-3n ).

      Evidentemente nem PT nem PSOL são revolucionários como foi o movimento liderado por Lênin, mas isto ocorre menos por convicção do que por falta de oportunidade.

      De qualquer maneira, obrigado pela participação.

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Publicado às 08/07/2015 por em Uncategorized e marcado , , , , , .
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