Safatlenin

Vladimir Safatle é uma ameaça à educação brasileira e à logica, mas o que gostaria mesmo é de ser uma ameaça à democracia.

Sua ameaça à educação brasileira está circunscrita à USP e aos incautos que levam a sério seus livros e artigos nas diversas mídias que ocupa sistematicamente.

À lógica, a ameaça está exposta todas as vezes que fala em defesa da democracia. Safatle despreza a democracia. Tem ódio.  É um marxista-leninista que incorporou algumas das teses de Slavoj Žižek que, como o próprio Safatle, justifica até ações terroristas e lhes empresta legitimidade no enfrentamento com as democracias liberais.

Toda a ação conhecida de Safatle tem como eixo a superação da democracia representativa e do sistema econômico chamado capitalismo. Há despistes ali ou acolá, há dissimulações, mas sua verdadeira natureza emerge sempre, como no artigo abaixo publicado na Folha de São Paulo.

Uma leitura menos distraída de suas palavras deixa o seguinte recado: a democracia brasileira não presta, a constituição brasileira não presta, as saídas constitucionais para a crise política não prestam e, por tanto, devemos “caminhar ao que poderíamos chamar de “grau zero da representação””. Ou, como diz em outro parágrafo: “A saída da crise não se dará por meio de conchavos de bastidores, mas pela radicalização da democracia”.

Caso não tenham reparado, ele está propondo um golpe. Este é o nome que se dá a uma proposta não contemplada pela constituição. “Radicalização da democracia” é apenas um eufemismo para golpe. Algo a estranhar? Em se tratando de Safatle, nada.

Não vou nem entrar no mérito das análises simplórias que faz do que chama de Nova República ou sua visão tosca de economia. O importante aqui é observarmos a cobra tentando o bote para inocular seu veneno na jugular da democracia.

Sua ideia básica é destituir não só a presidente mas também o vice, todos os deputados e todos os senadores, rasgar a constituição e convocar novas eleições sem partidos, que renovariam a política e escreveriam uma nova constituição.

Se fossem eleitos candidatos alinhados com suas crenças, ocuparia feliz seu lugar no politburo. Se fosse eleita uma maioria da qual discorda, continuaria com sua voz aguda e raivosa pregando contra a democracia e seus defeitos.

Gente assim só fica feliz com a tal “democracia de partido único”. E o mais incrível é que ainda tem gente que o leva a sério.

Leia o artigo e confira se tenho ou não razão.

Deixe os mortos enterrarem seus mortos.

Vladimir Safatle  – Folha de S. Paulo em 07-08-2015.

A Nova República acabou. Qualquer análise honesta da situação brasileira atual deveria partir dessa constatação. O modelo de redemocratização brasileiro, que perdurou 30 anos, baseava-se em um certo equilíbrio produzido pelo imobilismo.

Desde o momento em que FHC se sentou com ACM e o PFL para estabelecer a “governabilidade”, a sorte da Nova República estava selada. Frentes heteróclitas de partidos deveriam ser montadas acomodando antigos trânsfugas da ditadura e políticos vindos da oposição em um grande pacto movido por barganhas fisiológicas, loteamento de cargos e violência social brutal.

O resultado foi um sistema de freios que transformou os dois maiores grupos oposicionistas à ditadura (o PT e o núcleo mais consistente do PMDB, a saber, o que deu no PSDB) em gestores da inércia. Com uma “governabilidade” como essa, as promessas de mudanças só poderiam gerar resultados bem menores do que as expectativas produzidas.

Mas a Nova República tinha também um certo princípio de contenção por visibilidade. No auge da era FHC, José Arthur Giannotti cunhou a expressão “zona cinzenta de amoralidade” para falar do que ele entendia ser um espaço necessário de indeterminação das regras no interior da dita democracia com sua “gestão de recursos escassos”.

Essa zona de amoralidade, mesmo tacitamente aceita, deveria saber respeitar uma certa “linha de tolerância”, pressuposta na opinião pública. Havia coisas que não poderiam aparecer, sob pena de insuflar a indignação nacional.

Giannotti acreditava falar da essência da democracia, mas estava, na verdade, a fornecer involuntariamente o modo de funcionamento das misérias da Nova República: um acordo fundado sobre uma zona cinzenta de amoralidade resultante de disfunções estruturais e democratização limitada.

Mesmo isso, no entanto, é coisa do passado. O primeiro sintoma do fim da Nova República é a pura e simples gangsterização da política e a brutalização das relações sociais. Não há mais “linha de tolerância” a respeitar, pois não é mais necessário um “pacto pelo imobilismo”.

Pacto pressupõe negociação entre atores que têm força e querem coisas distintas. Mas todos os principais atores políticos da Nova República já estão neutralizados em seu risco de mudança. Os que não querem a mesma coisa não têm mais como transformar seu desejo em ação.

Assim, como não há mais linha de tolerância a respeitar, o outrora impensável pode ser mostrado, desde que sirva para desestabilizar o governo de plantão.

Por exemplo, foi como um sindicato de gângsteres que o Congresso Nacional e seu presidente agiram na semana passada ao convocar, para uma CPI de fantasia, a advogada de defesa de denunciantes da Operação Lava Jato, a fim de intimidá-la.

De toda forma, só uma política gangsterizada pode aceitar que o presidente da Câmara seja um indiciado a usar seu cargo para, pura e simplesmente, intimidar a Justiça, como se estivesse na Chicago dos anos 1930.

Dilma acreditava ainda estar na Nova República ao rifar seu governo para economistas liberais. Seu cálculo era: “Se eu garantir que não haverá nenhuma mudança drástica de rota, serei preservada no governo”. Esse raciocínio, no entanto, não serve mais.

Como é, atualmente, indiferente saber quem está no governo, pois todos sabem que nenhuma mudança drástica de rota virá, a rifa de Dilma não garantirá sua sobrevida.

Em um contexto de crise dessa natureza (e, antes de ser econômica, a crise brasileira é política, é a marca do fim de uma era política) a única solução realmente possível é caminhar ao que poderíamos chamar de “grau zero da representação”.

Não há, hoje, mais atores políticos no Brasil. Os principais foram testados e falharam, e é desonestidade intelectual acreditar que uma simples troca de presidente mudará algo. Por isso, o poder instituinte precisa se apresentar diretamente, com o mínimo de representação possível. Ao apresentar-se enquanto tal, o poder instituinte pode impulsionar um processo de constituição de novos atores e novas formas.

O parlamentarismo tem a possibilidade de convocação de eleições em situações de crise. O presidencialismo brasileiro precisaria de tal flexibilidade para, no caso, convocar eleições gerais, tendo em vista, entre outros objetivos, a dissolução deste Congresso e a convocação de uma assembleia constituinte capaz de refundar a institucionalidade política nacional.

Assembleia para a qual poderiam se apresentar candidatos independentes, fora de partidos políticos, com controle estrito do poder econômico. A saída da crise não se dará por meio de conchavos de bastidores, mas pela radicalização da democracia. Como já se disse antes, há horas que você precisa deixar os mortos enterrarem seus mortos e seguir outro caminho.

RETOMO PARA CONCLUIR.

A frase final, que também dá nome ao seu artigo, é interessantemente reveladora.

Lá no início parece insinuar que “os mortos” a serem enterrados são os políticos atropelados pelas denúncias de corrupção e “os mortos” que os devem enterrar são os partidos políticos a que pertencem.

Quando volta à frase no final, após sua defesa do golpe, fica claro que “os mortos” a serem enterrados são a democracia representativa e seus defensores. Nada mais natural para quem, ainda hoje, sabendo o que todos sabemos, vê com bons olhos o falecido modelo soviético.

Felizmente, para a democracia, cada vez menos gente leva à sério nosso Lênin tupiniquim.

Artigo de Paulo Falcão.

Link para o artigo original de Safatle: http://www1.folha.uol.com.br/paywall/login-colunista.shtml?http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/08/1665348-deixe-os-mortos-enterrarem-seus-mortos.shtml

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

Anúncios