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Um dos artigos mais lidos e comentados deste blog chama-se ESQURDA X DIREITA: TEORIA DAS GAVETAS OU COMO NÃO CHAMAR URUBU DE “MEU LORO” e procura fornecer parâmetros para entender o que esta divisão representa de fato, principalmente no Brasil.

Se fosse necessário fazer uma síntese radical do artigo, diria que todo aquele que tem a democracia como valor fundamental é de centro ou de direita. A esquerda e a extrema direita consideram a democracia um estorvo, algo a ser superado em nome de um “bem maior”.

A entrevista com Demétrio Magnoli para o Roda Viva de 27 de abril de 2015 traz questões que contradizem um pouco esta síntese, mas no geral corrobora o que o artigo defende. Ou por outra, tem muito mais pontos de convergência do que de divergência com o que defendo. Trata-se de uma excelente entrevista, lúcida e elegante, que merece ser assistida mais de uma vez, como também merece ser assistido seguidas vezes o documentário de onde emprestei o título deste artigo: Chico ou o País da Delicadeza Perdida de Walter Salles (1989). 

Do diálogo entre o artigo, a entrevista e o documentário emerge algo que considero duas das características brasileiras mais nocivas: o hábito de empurrar os problemas com a barriga até que se tornem muito graves e de acreditar que mudando o nome das coisas altera-se a realidade. As Favelas são um exemplo claro de ambas: permitimos que surjam e cresçam, depois, dizemos que não se deve chamar de Favela, mas de “comunidade”.

O fato é que toda favela é uma comunidade, claro, mas nem toda comunidade é uma favela. Favela é favela, comunidade é comunidade, não são sinônimos. Se ao invés desta maquiagem linguística a sociedade civil (eu, você, nós) cobrasse e o governo (qualquer governo) agisse introduzindo arruamento, saneamento, escolas, hospitais, segurança pública etc, transformaríamos favelas em comunidades, não poeticamente, não metaforicamente, mas de fato.

Vamos dar um salto de qualidade quando começarmos a chamar as coisas pelo nome que têm e nos tornarmos intolerantes com o hábito de empurrar os problemas com a barriga ao invés de enfrentá-los. E podemos fazer isto sem ódio, sem confrontos desnecessários. Ainda é possível resgatar a delicadeza perdida.

 Artigo de Paulo Falcão.

Links para a entrevista:

Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=Rlu4B3z0F24

Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=4zwn_Jsc_7s

Parte 3: https://www.youtube.com/watch?v=8rlYaL8XHzQ

Parte 4: https://www.youtube.com/watch?v=40JSrPqPTeY

Link para o documentário de Walter Salles: https://www.youtube.com/watch?v=ZABzTWUcQ8c

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Sugestõs de artigos que dialogam com este:

BRASIL, A SÍNTESE DE TODOS OS VÍCIOS.

WILLIAM WAACK, RAQUEL ROLNIK E O FIM DOS PROBLEMAS POR DECRETO.

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