Quando a razão tira férias, dá merda.
Quando a razão tira férias, dá merda.

Pensei muito se deveria escrever este artigo, não por receio de tomar posição contrária à da esmagadora maioria, mas porquê falta racionalidade ao se abordar o assunto. E quando falta racionalidade, de que adiantam bons argumentos?

Com a persistência da onda de choque invadindo minha paciência, resolvi que valia à pena tecer alguns comentários. Quem sabe encontro outros que concordem comigo. Quem sabe ajudo alguém a deixar o território da retórica irracional e adentrar ao território da razão.

Vamos lá.

É evidente que professores merecem todo respeito e merecem ganhar mais. No entanto, veja só que curioso, os professores do Paraná tiveram um reajuste de 60% nos salários durante a administração de Beto Richa frente a uma inflação de 25% no período.

Este fato ressalta justamente a maior crítica que se pode fazer ao governador Beto Richa: ter sido generoso demais, não só com os professores. Em seu primeiro governo, concedeu reajustes salariais muito acima da inflação para diversas categorias. De certa maneira, cometeu o mesmo erro de Lula e Dilma que criaram despesas acreditando em receitas eternamente crescentes. Deu errado, claro, no Brasil e no Paraná.

Como lembrei em outro artigo, na discussão entre a ideologia e a matemática, a segunda sempre prova ter razão.

E vem a conta. E vem a necessidade de ajustes. E vem choro e ranger de dentes, no Paraná, no Brasil e em qualquer lugar em que se imaginou existir almoço grátis.

O conflito no Centro Cívico de Curitiba não foi causado pelo governador ou pelos soldados. As imagens são claras: a tropa fez uma linha de contenção estática e os manifestantes partiram para cima da polícia que estava ali cumprindo determinação judicial.

Quem iniciou o confronto foram os manifestantes. Eles queriam o confronto. Queriam o desgaste provocado pelo confronto. Quanto mais feridos, melhor. Como disse Gustavo Chacra sobre outro conflito, “aos extremistas não interessa quem morre, interessa quem é o algoz”. Não se trata de uma luta pela educação ou por aposentadorias, trata-se de uma disputa política do pior tipo.

Houve excessos? Que se apure e haja punição.

Uma análise racional precisa deixar de lado as preferências ideológicas e partidárias e focar nos fatos. A Polícia Militar foi posta diante de duas alternativas: ou deixar a Assembleia Legislativa ser invadida e depredada novamente, contrariando determinação judicial, ou conter a invasão. Não se esqueçam que em fevereiro o mesmo movimento sindical invadiu e depredou a Assembleia impedindo seu funcionamento até que as mensagens do governo fossem retiradas.

Novas ameaças levaram à ordem judicial exigindo da polícia que evitasse outra invasão e assegurasse o funcionamento da casa legislativa. Os professores, sob o comando da APP, liderados por aliados radicalizados, partiram para o confronto. O jornal Gazeta do Povo tem um vídeo fundamental, que mostra o crescimento da tensão e o momento zero do conflito.

Segue o link:

https://www.facebook.com/gazetadopovo/videos/vb.149698499571/10154146310039572/?type=2&theater

Vão dizer que até o governo paranaense admite o erro, a violência desnecessária etc. Isto é apenas cálculo político frente a uma cobertura da imprensa maciçamente simpática aos invasores.

Se o movimento quisesse apenas acompanhar a votação, poderia ter destacado um grupo e negociado isto. Não queriam. Queriam novamente impedir o funcionamento da assembleia.

Quem tiver curiosidade, pode observar como o ocorrido está em sintonia com as teses das alas mais radicais do PT e de ouros grupelhos de esquerda, como PSTU, PSOL, PCO etc que desprezam a democracia. Seguem abaixo dois links para artigos em que se pode observar como o que ocorreu em Curitiba está previsto nas teses de “intelectuais” da USP, que se pretendem a vanguarda do proletariado brasileiro, como Vladimir Safatle e Lincoln Secco:

O REACIONÁRIO E O LIBERTÁRIO: QUEM É QUEM?: http://goo.gl/mlU1W5

“COMPANHEIRO, VOU FAZER SUA AUTOCRÍTICA”: http://goo.gl/m1hzWv

Aviso sobre comentários:

Os comentários podem ser contra ou a favor, mas não devem conter agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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