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O REACIONÁRIO E O LIBERTÁRIO: QUEM É QUEM?

comunistas capitalistas

Santa coincidência, Batman! Apenas um dia separam dois textos que são a um só tempo avessos e complementares. Mais do que isto: o segundo é prova irrefutável do que afirma o primeiro, embora em essência tente negá-lo.

Falo de dois artigos, o primeiro publicado por Arnaldo Jabor dia 24/02/2015 no jornal O Globo e o segundo por Lincoln Secco e Ciro Seiji dia 25 no blog da Boi Tempo.

Quem acompanha este blog sabe que gosto de posicionamentos claros e penso que os dois textos têm este mérito.

Jabor deixa claro o cheiro de bolor e as taras autoritárias do PT. Já Lincoln Secco e Ciro Seiji, ao defender a ala mais à esquerda do partido, deixam transparente o desprezo pela democracia e o estado de direito, bem como o apreço por José Dirceu, o mago das consultorias.

O segundo artigo é claro mas um tanto enviesado, cheio de teorias da conspiração e saudosismo da revolução que não houve. Deixa claro também que os autores não entendem nada de economia. Se entendessem, compreenderiam que o sucesso do primeiro mandato do Lula teve tudo a ver com rasgar os velhos panfletos petistas e “introjetar a Carta aos Brasileiros”. Sem isso, o governo Lula teria acabado em um ano, com desemprego nas nuvens, inflação galopante e outras mazelas.

Mas deixemos os artigos dialogarem.

Psicopetismo

Por Arnaldo Jabor

Finalmente vimos a cara verdadeira da Dilma, carregada de ódio, acusando o governo anterior do FH, porque lá teria havido também corrupção. Claro que sempre houve; corrupção existe desde a fundação da cidade de Salvador, desde 1550, quando Tomé de Souza, primeiro governador do Brasil criou o “bahião”, roubando tanto que quase quebrou Portugal. Dilma tenta responsabilizar outros governos, esquecendo-se de que estão no poder há 13 anos e só fizeram m… ah, “malfeitos”.

Os mais espantosos escândalos do planeta foram provocados por uma corrupção diferente das tradicionais: com o PT no governo, a corrupção foi usada como ferramenta de trabalho, quando o nefasto Lula chamou a turminha dos ladrões aliados e disse: “Podem roubar o que quiserem, desde que me apoiem e votem comigo”.

Mas, neste artigo não quero mais bater no governo, pois tudo já está dito, tudo provado, tudo batido. Quero me ater aos vícios mentais que assolam essa gente, para além da roubalheira. Como se forma a cabeça de um sujeito como Dirceu, Vaccari, a cabeça do petismo, esse filho bastardo do velho socialismo dos anos 1950?

Havia antigamente uma forte motivação romântica nos jovens que conheci. Era ingênuo, talvez, mas era bonito. A desgraça dos pobres nos doía como um problema existencial nosso, embora a miséria fosse deles. Era difícil fazer uma revolução? Deixávamos esses “detalhes mixurucas” para os militantes tarefeiros, que considerávamos inferiores “peões” de Lênin ou (mais absurdo ainda) delegávamos o dever da revolução ao presidente da Republica, na melhor tradição de dependência ao Estado, como hoje.

Quando o PT subiu ao poder, eu achava que havia um substrato generoso de amor, uma crença na “revolução”, que era a mão na roda para justificar tudo, qualquer desejo político. Nada disso. Só vimos uma “tomada do poder”, como se os sindicalistas estivessem invadindo o palácio de inverno em São Petersburgo. Seus vícios mentais eram muito mais óbvios e rasteiros do que esperávamos. Foi minha grande decepção; em vez da “justiça social”, o que houve parecia uma porcada magra invadindo o batatal.

E aí, me bateu: como é a cabeça do petista típico? Em primeiro lugar, eles são inocentes, mesmo antes de pecar. Estão perdoados de tudo, pois qualquer fim justifica seus meios, vagamente considerados “nobres” no futuro. Para eles não existe presente — tudo será “um dia”. Não sabem bem o quê, mas algo virá no futuro. Eles têm a ideia assombrosa de que o partido pode se servir do Estado como se fosse sua propriedade; assim, podem assaltar a Petrobras, fundos de pensão, outras estatais com a consciência limpa, porque se a Petrobras é do povo, é deles. Não é roubo, em sua limitada linguagem de slogans — é “desapropriação”.

Aliás, e o silêncio dos intelectuais simpatizantes diante dos crimes óbvios? Está tudo caladinho…

Outra coisa: o petista legítimo, “escocês” (como o Blue Label 30 anos, único que o Lula toma), acha que “complexidade” é frescura e que a verdade é simplista, um reducionismo dualista. Para eles, o mundo se explica por opressores e oprimidos, tudo, claro, culpa do “capitalismo”, tratado como uma pessoa, com crises de humor: “Ih, o capitalismo está muito agressivo ultimamente”.

Para eles, na melhor tradição stalinista, deve-se ocultar da população questões internas do governo, pois não confiam na sociedade, esse aglomerado de indivíduos alienados e sem rumo. Podem mentir em paz, sem dar satisfações a ninguém. Eles têm ausência de culpa ou arrependimento, têm o cinismo perfeito de quem se sente uma vítima inocente no instante mesmo em que se esmeram na mentira. Na prática têm as mesmas motivações do velho stalinismo ou do fascismo: controle de um sobre todos e o manejo da Historia como uma carroça em direção ao “socialismo” imaginário em que creem ou fingem crer.

Ser esquerdo-petista é uma boa desculpa para a própria ignorância (como o são!) — “não preciso pensar muito ou estudar, pois já sou um militante do futuro!” Entrar no partido é sentir-se vitorioso, escondendo o fracasso de suas vidas pessoais, por despreparo ou incompetência.

Nunca vi gente tão incompetente quanto a velha esquerda. São as mesmas besteiras de pessoas que ainda pensam como nos anos 1940. Não precisam estudar nada profundamente, por serem “a favor” do bem e da justiça — a “boa consciência”, último refugio dos boçais.

Aliás, vão além: criticam a competência como porta aberta para a direita; competência é coisa de neoliberal, ideia que subjaz por exemplo na indicação de Joaquim Levy — “neoliberal sabe fazer contas”, pensam. Se não der certo, por causa de suas sabotagens, a culpa é dos social-democratas. Como não têm projeto algum, acham que os meios são seus fins.

A mente dos petistas é uma barafunda de certezas e resume as emoções e ações humanas a meia dúzia de sintomas, de defeitos: “sectários, obreiristas, alienados, vacilantes, massa atrasada e massa adiantada, elite branca” e ignoram outros recortes de personalidade como narcisistas, invejosos, vingativos e como sempre os indefectíveis filhos da puta.

Como hoje, os idiotas continuam com as mesmas palavras, se bem que aprenderam a roubar e mentir como “burgueses”.

Obstinam-se com teimosia nos erros, pois consideram suas cagadas “contradições negativas” que se resolverão por novos acertos que não chegam nunca.

Há anos vi na TV um debate entre o grande intelectual José Guilherme Merquior e dois marxistas que lamentavam erros passados: derrota em 1935, 56 na Hungria, 68 na Tchecoslováquia, 68 no Brasil, erros sem fim que iriam “superar.” Mas nada dava certo. Merquior não se conteve e replicou com ironia: “Por que vocês não desistem”?

Não pode haver dúvida da loucura contida nisso tudo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele. Muitos são psicopatas, mas a maioria é de burros mesmo.

Ódio sem fim ao PT

Por Lincoln Secco e Ciro Seiji.

Manchete da Folha de São Paulo no dia 12 de fevereiro de 2015: “Doleiro Afirma que José Dirceu Sabia de Repasses de Desvios da Petrobrás ao PT”.

Nenhum acusado por um criminoso sob delação premiada mereceria uma primeira página. Exceto se ele for do PT. José Dirceu foi condenado e já cumpriu parte de sua pena. Aguarda sua liberdade plena para pedir a revisão criminal de seu julgamento e, eventualmente, apelar a tribunais internacionais. A sua condenação não teve sustentação nos autos, como juristas de diferentes posicionamentos ideológicos declararam. Obviamente que Dirceu cometeu erros políticos que deveriam, em outras circunstâncias, ser julgados pelo seu partido. Foi ele quem escolheu o caminho de um partido social democrata de massas com alianças amplas para chegar ao poder.

O PT entrou no governo pedindo licença – não precisava. Vinha sustentado pelas ruas, com a identidade dos militantes dos sindicatos, dos movimentos populares e da esquerda. Mas introjetou a ideia de que tinha ganho a partir de uma artimanha publicitária, a Carta ao Povo Brasileiro. Tanto que ao primeiro sinal de golpe em 2005, Lula colocou o boné do MST e quer repetir a dose hoje com o MTST. Mas agora a nova geração de lutadores sociais não levará borrachada por ele.

NEOPETISMO

Os dirigentes neopetistas1 até poderiam ter rifado Dirceu e Genoíno para salvar a própria pele, mas não deveriam ter abandonado o partido às hienas míopes para que a sua rebeldia, história e prontidão fossem transformadas em moranguinhos2 e burocratas da estrutura do Estado.

Depois, o PT conseguiu a proeza de escolher os juízes que colocaram na cadeia dois de seus ex-presidentes: Dirceu e Genoíno. Eles pagaram pela ideologia do republicanismo periférico: aquele que considera neutras instituições forjadas pela classe dominante apenas para seu uso egoísta. Mas José Dirceu também foi condenado pelo seu “sucesso” político. Arquiteto da chegada do PT ao poder e oriundo da luta armada, os de cima não o perdoariam jamais.

A causa disso é aquilo que Florestan Fernandes denominava a resistência sociopática da burguesia periférica a qualquer mudancismo social. A insistência na fabricação de escândalos como arma política e a tentação recorrente de derrubar o PT de um governo para o qual foi eleito legitimamente demonstram que nem mesmo as mudanças ordeiras produzidas pelo neopetismo foram assimiladas. A perseguição atinge até mesmo executivos de empresas no exercício de seu “sagrado” direito de financiar todos os partidos em troca de favores públicos. Inconformados em suas celas, perguntam-se: “O que fizemos de errado?”. A resposta é uma só: juntaram-se ao PT.

O objetivo da maioria do poder judiciário é secar as fontes de financiamento do partido infligindo o pânico nos doadores de campanha.

CAOS

No entanto, há um preço a se pagar. O PT foi a última chance da burguesia legitimar sua “dominação democrática”. A derrocada “ética” do PT e seu afastamento de práticas socialistas não ensejaram novas formas permanentes de luta na esquerda.

Junho ainda não decantou e as derrotas populares de 2014 o comprovaram. O neopetismo, mistura de covardia republicana e repressão aos novíssimos movimentos sociais colaborou com aquelas derrotas. O PT seguiu o caminho da água, o mais fácil, porque os neopetistas não são leões famintos, mas lobos domesticados de estômago elástico. Mesmo assim insultou com a sua mera presença na festa das figuras medíocres da política nacional, da elite sem berço que vê o Brasil como uma criança branca que volta de Miami carregada de brinquedos de plástico.

O único que eles temiam, e temiam porque já teve um revolver na mão, era Dirceu. Era preciso, portanto, reduzir a pedaços os seus nervos e a sua vontade. Mas não conseguiram porque o ódio não tem data de validade. O destino de José Dirceu é um símbolo do futuro de seu partido. À sua direita o seu próprio governo; à sua esquerda, os reclamos de sua militância desorganizada, sem núcleos e perdida nas ruas desde junho. Dali ecoam cada vez menos discretamente os sons da insurreição.

Na encruzilhada, o PT hesita entre a debandada e outra revolta dos bagrinhos3. Só que os bagrinhos de hoje estão nas ruas, ocupações, na educação popular, nos mesmos lugares em que apanham sob o olhar cúmplice de dirigentes que se calam para proteger seus glúteos recostados em cadeiras irresistíveis.

NOTAS

1 O neopetismo não diz respeito a pessoas que adentraram recentemente no partido. O PT mais que dobrou de tamanho nos primeiros 3 anos de governo Lula, mas muitos jovens aderiram não apenas por oportunidade de carreira, e sim porque a imagem do PT continua incomodando as elites das classes dominantes. Por outro lado, muitos dirigentes neopetistas são antigos membros do partido que aderiram ao nepotismo, ao conservantismo e apoiam a repressão policial e judiciária de manifestantes.

2 Primeira leva em massa de militantes pagos pelo PT em São Paulo.

3 Alusão à imagem de revolta interna da base petista nos anos 1980.

Lincoln Secco é professor de História Contemporânea na USP. Publicou pela Boitempo a biografia de Caio Prado Júnior (2008), pela Coleção Pauliceia. É organizador, com Luiz Bernardo Pericás, da coletânea de ensaios inéditos Intérpretes do Brasil: clássicos, rebeldes e renegados, e um dos autores do livro de intervenção da Boitempo inspirado em Junho Cidades rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil. Colaborou para o Blog da Boitempo mensalmente durante o ano de 2011. A partir de 2012, tornou-se colaborador esporádico do Blog.

RETOMO PARA CONCLUIR

Apenas para não deixar passar desapercebido, chamo a atenção para dois pontos.

Ao dizer, em tom de lamento e censura, que “O PT seguiu o caminho da água” fica clara a opção preferencial pelo seu oposto, o caminho do fogo, de incendiar o país com o furor revolucionário.

O segundo ponto é um detalhe que exemplifica bem a estranha igualdade entranhada no “modus operandi” da esquerda: o artigo da Boi Tempo é de Lincoln Secco e Ciro Seiji mas apenas o burocrata de alta patente mereceu uma nota destacando seu curriculum.

Links para os artigos originais: Arnaldo Jabor no jornal O Globo: http://oglobo.globo.com/cultura/psicopetismo-15420845 Lincoln Secco e Ciro Seiji na Boi Tempo: http://blogdaboitempo.com.br/2015/02/25/odio-sem-fim-ao-pt/

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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8 comentários em “O REACIONÁRIO E O LIBERTÁRIO: QUEM É QUEM?

  1. Antônio Borges
    10/17/2015

    Tem gente que se faz de democrático, de libertário, mas sonha secretamente com o totalitarismo. Alguns, nem tão secretamente, como Mauro Iasi (PCB) que já foi candidato à presidência do Brasil na eleição do ano passado pelo PCB, partido filiado ao Foro de S. Paulo, e já foi candidato a vice-governador de São Paulo. Não é um participante inexpressivo pinçado no meio de uma manifestação, como a imprensa faz com qualquer lunático em atos contra o PT. É PhD em História pela USP e de 2011 a 2013 foi o presidente da Associação dos Docentes da UFRJ.

    Assista o vídeo abaixo e me diga: é ou não é incitação ao ódio? É ou não é um discurso carcomido por traças do século XIX?

    Esta é nossa esquerda: gente classe média, com emprego público e platéia para defender paredões e assassinatos como seus ídolos fizeram ao longo da história.
    O planejamento socialista funciona apenas para a classe de onde saem os planejadores, que podem se assegurar de que seus interesses pessoais sejam atendidos. É por esse motivo que o socialismo é um fenômeno da classe média, e não da classe operária. Trata-se, ao contrário da propaganda de libertação do proletário, um programa de radicais de classe média que imaginam representar a classe operária. Operários de verdade, aqueles que trabalham, querem mesmo é se integrar à sociedade de consumo “burguesa”, ter bons empregos, ver a novela depois do trabalho nas suas TVs de 50 polegadas e tomar sua cerveja nos fds, ter boa vida. Não lhes passa pela cabeça coisas de “socializar os meios de produção” e “igualdade social”.

    • Questões Relevantes
      10/17/2015

      Boa contribuição. Obrigado.

  2. Cícero Cipriano
    02/28/2015

    Veja esta frase baseada em achismos catastróficos:

    “Se entendessem, compreenderiam que o sucesso do primeiro mandato do Lula teve tudo a ver com rasgar os velhos panfletos petistas e “introjetar a Carta aos Brasileiros”. Sem isso, o governo Lula teria acabado em um ano, com desemprego nas nuvens, inflação galopante e outras mazelas”

    Pura subjeção da catástrofe. Quem escreveu isso deveria me dizer quais números da loteria pra semana que vem.

    • Questões Relevantes
      02/28/2015

      Cícero, levante o comportamento do dólar e da inflação com a perspectiva da vitória do Lula. Vai perceber o que Lula, Dirceu e Palocci perceberam: era acalmar os mercados ou administrar a massa falida. Ou você acha que eles adotaram a cartilha do PSDB por convicção ideológica?

  3. Carlos Souza
    02/26/2015

    A observação final sobre o currículo de apenas um dos autores foi uma espécie de síntese do que a esquerda entende por igualdade. E o melhor é que são eles mesmos que revelam em palavras e gestos a essência do que desejam impor ao substituir a democracia por suas loucas paixões.

    • Felipe
      03/31/2015

      Caro Carlos,
      o que você entende por democracia?

      • Questões Relevantes
        03/31/2015

        Felipe, vamos aguardar a resposta do Carlos, mas pelo teor do que ele comentou e por ser leitor deste blog, imagino que este artigo possa responder sua pergunta: QUANDO A PATRULHA IDEOLÓGICA COMPROMETE A LÓGICA.
        http://goo.gl/Emqi6b

      • Carlos Souza
        03/31/2015

        Felipe, percebo sua armadilha retórica mas piso nela tranquilamente. Democracia é este processo civilizatório baseado em eleições periódicas e independência entre os 3 poderes, liberdades individuais e imprensa livre. Tem seus defeitos, é verdade, mas funciona razoavelmente bem onde ocorre. Também podemos definí-la como o oposto do que ocorre nos países em que as ideias defendidas por Lincoln Secco assumiram o poder, onde liberdade individual é um conceito morto. Se quiser uma resposta mais detalhada leia o artigo sugerido pelo sr. Questões Releventes.

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