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COMO A CIVILIZAÇÃO PODE VENCER A BARBÁRIE SEM RECORRER AOS MESMOS MÉTODOS?

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Venho repetindo esta pergunta há algum tempo. Não há uma resposta fácil. O discurso atual sobre a questão islâmica vai do relativismo moral da esquerda (que os vê como aliados objetivos na luta contra as democracias liberais) ao fundamentalismo ocidental que praticamente prega uma nova cruzada. Evidentemente não há mérito ou bom-senso nestes extremismos, como não o há no extremismo islâmico. Em outro artigo lembrei que “as sociedades possuem histórias e desenvolvimentos díspares ao longo do tempo. Os árabes já foram superiores aos Europeus em tolerância, educação, matemática, engenharia, astronomia etc. Por conta da dominação Otomana, pararam no tempo. Já os países reconhecidos hoje como de Primeiro Mundo avançaram e construíram um código de valores civilizatórios que os faz críticos de suas próprias histórias.”

Agora encontro outra reflexão que me parece seguir trilha semelhante e de forma mais abrangente.

Intolerância Religiosa X Biblioteca de Alexandria.

Por Fernando Nogueira da Costa

Segundo Stephen Greenblatt, no livro A Virada: O Nascimento do Mundo Moderno, o destino da imensa quantidade de livros em pergaminhos é muito bem exemplificado pelo fim da maior das bibliotecas do mundo antigo, localizado em Alexandria, a capital do Egito e centro comercial do Mediterrâneo oriental. Em local conhecido como Museu, quase toda a herança cultural das culturas grega, latina, babilônia, egípcia e judaica tinha sido reunida a um custo enorme e cuidadosamente arquivada para pesquisa.

Já a partir de 300 a.C., os reis que governavam Alexandria atraíram os principais eruditos, cientistas e poetas a sua cidade oferecendo-lhes empregos vitalícios no Museu com boas remunerações, isenções fiscais, comida e alojamentos gratuitos e acesso aos recursos quase ilimitados da biblioteca. Estabeleceram padrões intelectuais elevadíssimos e possibilitaram grandes descobertas e invenções.

A biblioteca de Alexandria não estava associada a uma doutrina ou escola filosófica em particular. Seu objetivo era a busca intelectual em todos os seus aspectos. Ela representava um cosmopolitismo global, uma determinação em reunir o conhecimento acumulado de todo o mundo e de aperfeiçoar e acrescentar mais a esse conhecimento.

Em seu apogeu, o Museu continha pelo menos meio milhão de rolos de papiro sistematicamente organizados, etiquetados e armazenados segundo um novo e engenhoso sistema que seu primeiro diretor parece ter inventado: a ordem alfabética.

As forças que destruíram essa instituição nos ajudam a entender por que o manuscrito de Lucrécio — Da Natureza –, recuperado apenas em 1417, fosse a única coisa que restava de uma escola de pensamento – o epicurismo – que tinha sido debatida intensamente em livros (papiros).

O primeiro veio em consequência de uma guerra: parte do acervo da biblioteca – rolos que estavam em depósitos próximos do porto – foi queimada acidentalmente em 48 a.C., quando Júlio César lutava para manter o controle da cidade.

Mas havia ameaça maior que a ação militar: a intolerância religiosa. O Museu, como seu nome indica, era um templo dedicado às Musasas nove deusas que representavam as realizações da criatividade humana. Estava repleto de estátuas de deuses e deusas, altares e outros artefatos do culto pagão.

Os judeus e os cristãos que viviam em grandes números em Alexandria estavam incomodadíssimos com esse politeísmo. Não duvidavam que outros deuses existissem, mas achavam que esses deuses eram, sem exceção, demônios, ferrenhamente determinados a atrair a tola humanidade para longe da única e universal verdade: a sua crença. Consideravam todas as outras revelações e orações registradas naqueles milhares de rolos de papiros eram mentiras. A salvação repousava nas Escrituras.

Séculos de pluralismo religioso sob a égide do paganismo – três crenças vivendo lado a lado com espírito de tolerância sincrética – estavam chegando ao fim. No começo do século IV, o imperador romano Constantino começou o processo pelo qual o cristianismo tornou-se a religião oficial de Roma. Foi só uma questão de tempo antes que um sucessor fervoroso lançasse éditos que proibiam sacrifícios públicos e fechavam grandes locais de culto pagão. O Estado romano tinha dado início à destruição do paganismo.

Em Alexandria, o líder espiritual da comunidade cristã seguiu os éditos ao pé da letra. Litigioso e impiedoso, açulou hordas de fanáticos cristãos que saíam pelas ruas insultando os pagãos. Expondo os símbolos secretos dos “mistérios” pagãos ao ridículo público, mandou que os objetos religiosos fossem levados em desfile pelas ruas.

Pagãos religiosos insurgiram-se irritados. Enfurecidos, atacaram os cristãos com violência e então se recolheram atrás das portas trancadas do Museu. Armada de machados e marretas, uma turba igualmente alucinada de cristãos invadiu o templo, passou por cima de seus defensores e destruiu uma famosa estátua de mármore, marfim e ouro do deus Serapeon. Pior, o líder cristão ordenou que monges se instalassem nos templos pagãos, transformando-os em igrejas!

Alguns anos depois, Cirilo, o sobrinho sucessor do patriarca cristão, expandiu o escopo dos ataques, dirigindo sua ira religiosa dessa vez aos judeus. Exigiu a expulsão da grande população judia da cidade. O governador cristão moderado recusou e essa recusa foi apoiada pela elite intelectual pagã da cidade, cuja representante mais conhecida era a influente, lendariamente linda quando jovem, e imensamente culta Hipátia. Filha de um matemático, um dos famosos estudiosos residentes do Museu, havia ficado famosa por suas realizações em Astronomia, Música, Matemática e Filosofia.

As mulheres no mundo antigo muitas vezes tinham vidas reclusas, mas não ela. Na época dos primeiros ataques às imagens pagãs, ela e seus seguidores nitidamente se mantiveram distantes, dizendo a si mesmos talvez que a destruição de estátuas animadas deixava intacto o que era realmente importante. Mas com a agitação contra os judeus deve ter ficado claro que as chamas do fanatismo não iriam morrer.

O fato de Hipátia ter apoiado Orestes, governador de Alexandria, quando ele se recusou a expulsar a população judia da cidade, incitou a circulação de boatos de que seu profundo envolvimento com Astronomia, Matemática e Filosofia – tão estranho, afinal, por parte de uma mulher – era sinistro: ela devia ser uma bruxa, praticar magia negra!

Em março de 415, a multidão incitada arrancou Hipátia de sua carruagem e a levou para um templo que simbolizava a destruição do paganismo para dar lugar à “única e verdadeira fé”. Ali, depois de ter as roupas rasgadas, sua pela foi arrancada com cacos de cerâmica. A turba então arrastou seu cadáver para fora dos muros da cidade e o queimou. Seu líder “herói”, Cirilo, acabou canonizado pela Igreja Católica Apostólica Romana…

O assassinato de Hipátia significou mais do que o fim de uma pessoa notável. Ele efetivamente marcou o declínio da vida intelectual alexandrina. Foi o sinal da morte de toda a tradição intelectual pagã da Antiguidade. Nos anos seguintes, a biblioteca de Alexandria com toda sua cultura clássica, praticamente, deixou de ser mencionada.

No fim do século IV, os romanos tinham praticamente abandonado a leitura como atividade séria. Não foram responsáveis só os ataques dos bárbaros ou o fanatismo dos cristãos. Com a perda das âncoras culturais, o Império Romano lentamente desmoronava em uma decadência que levava a uma trivialidade vulgar. No lugar do filósofo, chamava-se o cantor, antecessor da “celebridade” de hoje…

Quando, depois de uma longa e lenta agonia, o Império Romano ocidental finalmente ruiu – o último imperador, Rômulo Augústulo, renunciou sem alarde em 476 (exatamente 1.300 anos antes do nascimento do futuro Império Norte-americano) –, as tribos germânicas que tomaram uma província depois da outra não tinham nenhuma tradição letrada. Como os conquistadores eram em sua grande maioria cristãos, aqueles dentre eles que haviam aprendido a ler e a escrever não tinham nenhum incentivo para estudar as obras de autores pagãos clássicos como os filósofos gregos.

A barbárie predominou devido à intolerância religiosa. Lutemos para que a essa dramática história não se repita!

RETOMO PARA CONCLUIR.

Se você já leu as “Mil e uma Noites”, principalmente a versão compilada e traduzida para o francês  pelo orientalista Antoine Galland em 1704 (a preferida de Jorge Luis Borges), é impossível não notar o quanto o curriculum da heroína Sherazade é inspirado em Hipátia. Esta observação é interessante na medida em que o livro, derivado da tradição oral de séculos, é fruto da cultura árabe/persa (muçulmana) e também uma reflexão sobre os efeitos nefastos da intolerância e do extremismo.

Quando olhamos para os enforcamentos de homossexuais e cristãos no Irã, por exemplo, que pode ser considerado moderado quando comparado ao Estado Islâmico, temos todo o direito de sentir repulsa e lutar por mudanças, mas não faz bem esquecer Billie Holiday emocionando os EUA ao dar voz ao poema/canção  “Strange Fruit” da década de 1930, que denunciava o enforcamento de negros, nem tão pouco a luta pelo direito a voto desta população, que só foi conquistado em 1965. Por que contraponho Irã e EUA? Simples: para lembrar que a racionalidade e a tolerância são construções/conquistas relativamente recentes. E não foram construções/conquistas fáceis.

Quanto à questão islâmica propriamente, já deveria ser claro para nós ocidentais que o conflito físico, a guerra, é sempre trágica e muitas vezes inútil, como parece ter sido o caso das invasões americanas no Iraque e no Afeganistão (para não falar do desastre liderado pela França na Líbia).

Me parece que o único caminho que faz sentido é ser intolerante com a intolerância. É preciso ações de inclusão e não de exclusão. É preciso convidar todas as lideranças Islâmicas que se declaram moderadas a reconhecer em alto e bom som o estado laico e o direito inequívoco de professar qualquer fé ou nenhuma fé. É fundamental que digam com todas as letras que nenhum desenho de mau gosto, nenhum verso satânico, nenhuma opinião contra Maomé, Alá ou o Islã justifica agressões, assassinatos, chibatadas ou explosões.

A repetição destas mensagens de tolerância, a reflexão sobre elas, a cobrança para que as palavras correspondam a ações concretas certamente trarão mudanças. Sem elas, o fino verniz civilizatório construído pelo ocidente, ou mais especificamente pelas democracias laicas liberais, irá quebrar-se e triunfará a barbárie.

Artigo de Paulo Falcão.

Artigo original no blog Cidadania & Cultrura:

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/02/14/intolerancia-religiosa-x-biblioteca-de-alexandria/

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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42 comentários em “COMO A CIVILIZAÇÃO PODE VENCER A BARBÁRIE SEM RECORRER AOS MESMOS MÉTODOS?

  1. Ricardo Mello
    07/30/2017

    Golda Meir disse certa vez: “Nós podemos perdoar os árabes por matarem nossos filhos. Nós não podemos perdoá-los por forçar-nos a matar seus filhos. Nós somente teremos paz com os árabes quando eles amarem seus filhos mais do que nos odeiam”.
    Assista o vídeo abaixo e avalie a profundidade desta síntese e o peso da religião na ausência de paz.

    • Questões Relevantes
      07/30/2017

      Obrigado pela contribuição.

  2. Eduardo
    08/22/2016

    É importante deixar claro que muçulmanos têm enorme dificuldade em reconhecer o quanto suas posições são extremistas. Veja este exemplo, com uma bem educada cidadã americana, em uma universidade americana:

    • Questões Relevantes
      08/22/2016

      Obrigado pela contribuição.

  3. Isa Gomes
    07/23/2016

    Li e achei necessário espalhar por ai. Tem tudo a ver com seu artigo>

    “Firistha, um historiador muçulmano, estima que na época de ouro da Sharia, na Índia, cerca de 400 milhões de hindus foram executados por muçulmanos, reduzindo a população indiana em dois terços.
    Thomas Sowell, em Raça e Cultura, estima que 11 milhões de africanos foram vendidos, por muçulmanos, no Atlântico, enquanto outros 14 milhões permaneceram nas nações muçulmanas do Norte da África.
    David Livingstone, em Conselho de Missões, estima que, pra cada 25 milhões de escravos vendidos, na costa central, outros 120 milhões de africanos eram executados. Novamente, claro, por muçulmanos.
    Todd Johnson, em Tendências Cristãs, estima que, só na Ásia Menor, mais de 9 milhões de cristãos foram mortos a sangue frio, pela lei islâmica da Sharia, em países muçulmanos.
    Raphael Moore, em Histórias da Ásia, afirma que durante todas as guerras e batalhas provocadas pelo islã, mais de 50 milhões de pessoas foram mortas pela Jihad.
    David Barrett, em Tendências Cristãs, também afirma que durante os 500 anos dos Estados balcãs da Rússia, da Ucrânia e da Hungria, precisamente 80 milhões de cristãos foram mortos por muçulmanos.
    Swami Vivekananda, em 1899, relembra o genocídio Hindu Kush, em que, ao longo de 800 anos de lei islâmica, mais de 400 milhões de hindus foram exterminados nas montanhas ‘Kush’ (significa funeral).
    Todd Johnson, em Tendências Cristãs, lembra que a jihad islâmica executou ao total cerca de 10 milhões de budistas na Turquia, no Afeganistão, na Rota da Seda e na Índia.
    Isso pra não falarmos das mortes chinesas durante as invasões mongóis, dos cristãos do oriente médio, dos persas, dos judeus e, ironicamente, de outros muçulmanos mortos por muçulmanos.
    Ou seja, desde o nascimento de maomé (sim, em minúsculo), esses selvagens já pilharam mais de 700 milhões de cadáveres. Não, você não tem o direito de falar que o cristianismo é a mesma coisa.”

    O autor chama Guilherme Gama.

  4. Questões Relevantes
    07/17/2016

    Este vídeo dialoga muito bem com o artigo:

  5. Rafael Cruz
    04/10/2016

    Ela não é nenhuma intelectual, mas sabe do que está falando.

    • Questões Relevantes
      04/10/2016

      Obrigado.

  6. Adriana Guerra
    11/23/2015

    Quando vejo alguma mulher ocidental defender o Islã, ou mesmo a tal ser contra a islamofobia, só posso pensar que se trata de ignorância ou um profundo masoquismo.

    Hoje, vi algumas divulgando no Facebook uma “Carta de Repúdio ao Terror” da página Mesquita Brasil. O manifesto pode ser lido neste link: https://goo.gl/7kpKZq

    Depois de lê-lo, recomendo que assistam estes dois vídeos e me digam se é possível alguém civilizado e bem informado não ser islamofóbico:

    • Questões Relevantes
      11/23/2015

      Tenho amigos muçulmanos bastante tolerantes e que em nada se parecem com o que você apresenta. Honestamente, não sei dizer se os tolerantes são maioria ou minoria, mas os intolerantes são realmente assustadores.

  7. ssrodrigues
    11/15/2015

    “É preciso convidar todas as lideranças Islâmicas que se declaram moderadas a reconhecer em alto e bom som o estado laico e o direito inequívoco de professar qualquer fé ou nenhuma fé”

    Se estamos falando da convivência e da aceitação de diferentes numa ação recíproca, não deveria ser necessário ‘convidar’ as lideranças islâmicas; tais lideranças é quem deveriam tomar a iniciativa. Se um grupo de ocidentais – cristãos, judaicos, agnósticos ou ateus – invade um ambiente muçulmano e massacra muçulmanos, não será preciso ‘convidar’ lideranças ocidentais a se manifestar nos termos citados. Tampouco haverá esse silêncio retumbante por parte dos cidadãos ocidentais, como se vê da parte dos muçulmanos.
    Penso que não será possível sequer tentar por um fim a essa escalada de barbárie enquanto os próprios muçulmanos não forem instados a reconhecer a responsabilidade que têm nisso tudo, quando menos pelo silêncio omisso.
    A diferença entre os ocidentais e os muçulmanos é que somos capazes de refletir e condenar nossas próprias barbáries e acontecimentos como os citados no artigo. Entre os muçulmanos, quem se arrisca a fazer alguma crítica é preso,açoitado e condenado a longas penas de prisão.

    • Questões Relevantes
      11/15/2015

      Rodrigues, você tem razão “parcial”. O uso da palavra “convidar” se justifica porque a alternativa seria “obrigar”, “coagir” etc, o que levaria a mais problemas. Pensava em uma estratégia de convencimento, de sedução, mas cada vez mais percebo que sou/fui um tanto “Poliana”nesta questão. Deixei o coração falar mais alto que a razão.

      • ssrodrigues
        11/15/2015

        Mas a questão é que não precisaria haver convite ou coação. Se as lideranças muçulmanas de fato respeitassem o direito que nós, ocidentais, temos de viver segundo nossos valores, se de fato condenassem as barbáries que a porção fanática do Islã comete, viriam a público de motu proprio sem precisar de convite ou coação.

      • Questões Relevantes
        11/15/2015

        Concordo. Como não o fazem, sugiro o convite que constrange, mas não obriga.

  8. Mauro Mello
    11/14/2015

    Mais um exemplo. Mas neste não posso garantir que as legendas estão corretas.

    O ódio dos muçulmanos contra Judeus e Cristãos.

    • Questões Relevantes
      11/14/2015

      Triste. Não sei até que ponto este sheik não é um lunático ou picareta. Não sei o peso de sua opinião na comunidade muçulmana, mas sei que é uma pessoa que já se tornou impermeável ao bom-senso.

  9. Mauro Mello
    11/14/2015

    Caro Paulo, há lógica e bom-senso em seu artigo. Há uma busca pela razão. Mas é exatamente estes adjetivos que estão ausentes na cultura muçulmana. Já ví muitos vídeos de cerimônias religiosas muçulmanas falados em árabe, com legendas que causavam horror, mas nunca lhes dei a devida atenção porque as legendas poderiam ser falsas, ou mal traduzidas. Hoje, pesquisando sobre o tema encontrei seu artigo e também um vídeo de uma palestra com um sheik sunita para uma plateia de jovens muçulmanos na NORUEGA. Não é no Afeganistão. Não é no Iraque. Não é nas zonas conflagradas da África ou da Síria. E a palestra está em inglês, o que me permite confirmar que as legendas estão corretas. O que este vídeo revela é que esta cultura está na curva evolutiva que o cristianismo atingiu na idade média, ou a idade das trevas. Como não temos tempo de esperar que eles evoluam para os valores humanistas e uma sociedade civilizada, o que nos espera é a volta à barbárie. Mas espero que não seja a deles nos impondo seus valores. Espero que seja a nossa lhes impondo o estado laico. Não vejo outra alternativa.

    Assista o vídeo e me diga se estou exagerando.

    O Islã “moderado”

    • Questões Relevantes
      11/14/2015

      Nem sei o que dizer. É assustador. A lógica me diz que você está certo, mas gostaria que estivesse errado.

      • Mauro Mello
        11/17/2015

        Infelizmemente, estou certo. Veja mais este em que um profundo conhecedor do Islã explica o que é o ISIS:

      • Questões Relevantes
        11/17/2015

        Bem didático.

      • Mauro Mello
        11/17/2015

        Este é sobre o Islã moderado:

      • Questões Relevantes
        11/17/2015

        Que coisa…

  10. Igualmente, eu não sei de enforcamento de cristãos no Irã. Há inclusive uma comunidade judaica no Irã, só não se aceita o sionismo, que é um nacionalismo agressivo.

    Entre os maoístas, há, sim, esse debate sobre apoiar ou não o ISIS, mas o PT com o Ahmadinejad eram só negócios. E com Dilma houve um afastamento, negociado por Washington. Enquanto o imperialismo não estiver morto e enterrado não haverá paz.

    Att Lúcio Jr.

    • Questões Relevantes
      11/14/2015

      Lúcio, os enforcamentos no Irã são de homessexuais e outros que, a seu arbítrio, ofendam as leis Islâmicas.

  11. Ferraro
    05/26/2015

    Acho que o primeiro ponto a se fazer é que o princípio de autodeterminação dos povos precisa ser respeitado. As interferências dos EUA no Oriente Médio pioraram o conservadorismo do que provavelmente já seria uma região extremamente conservadora. O apoio do governo estadunidense a golpes contra democracias seculares como no Iraque e Irã, a favor de ditadores seculares que reprimiam seus povos como o antigo ditador do Iraque, a golpes contra ditaduras seculares como a do Afeganistão durante a Guerra Fria quando o governo americano armou os muçulmanos radicais e o bombardeio da Líbia recentemente, e invasões como a do Iraque e Afeganistão, ou a guerra de drones que mata uma grande quantidade de inocentes no Paquistão, Somália, Yemen, Iraque e outros países, entre outras ações, serviram e continuam a servir apenas para agravar o quadro político e social da região. O terrorismo mundial que é majoritariamente praticado e sofrido por muçulmanos é uma consequência da situação geopolítica em que parte do mundo muçulmano, notavelmente o mundo árabe, se encontra. Há opressão externa de potências como os EUA e opressão interna por ditadores.

    O segundo ponto é se tomar cuidado ao se falar de muçulmanos ou árabes. Há um livro chamado ‘’Are Muslims Distinctive?’’ que tenta fazer uma análise sobre a questão e um dos achados é que a média de homicídios por cem mil habitantes de países majoritariamente muçulmanos é menor e não maior do que a de países não majoritariamente muçulmanos ou a de países majoritariamente cristãos e isso é verdade para quando se controla os fatores socioeconômicos ou não. Então dizer que muçulmanos são mais violentos é empiricamente falso, já que as estatísticas demonstram outra coisa. São muçulmanos mais conservadores do que não muçulmanos? Em média sim, mas é preciso reconhecer que há muitos povos conservadores, problematicamente conservadores, fora do mundo muçulmano também, há deles na Ásia como na Índia, na África como Uganda e Gâmbia e na América Latina como em países da América Central. Muçulmanos também se constituem em uma comunidade extremamente heterogênea. Nos EUA há percentualmente dentro de suas respectivas comunidades mais muçulmanos a favor do casamento gay do que evangélicos brancos. Na Alemanha a esmagadora maioria dos muçulmanos favorece a democracia e uma maioria é a favor do casamento gay. Também é preciso ter cuidado com algumas generalizações como a de que muçulmanos não gostam de democracia quando pesquisas apontam que em vários países majoritariamente muçulmanos uma maioria prefere democracia.

    Internamente as democracias ocidentais como a França devem proteger e manter seus direitos constitucionais para todos, inclusive muçulmanos, e prender criminosos independente de quem sejam. E houve várias condenações de lideranças e organizações muçulmanas contra o ataque na França.

    • Questões Relevantes
      05/26/2015

      Ferraro, concordo com suas ponderações. O artigo não conflita com elas, apenas chama a atenção para o fato de que não há uma saída rápida e fácil e que talvez o melhor caminho seja cobrar uma prática de tolerância das lideranças que se dizem tolerantes, o que não ocorre. Na Inglaterra e França, muitos líderes religiosos islâmicos justificam ou até valorizam situações de confronto. Penso que este tipo de atuação precisa ser combatido de forma pacífica, chamando a atenção para a necessidade de respeito mútuo e obediência aos princípios do estado laico e democrático.

  12. welliamancio
    04/06/2015

    Amigos e amigas. Para quem deseja saber mais sobre tudo isso, há um artigo interessante e super polêmico sobre o assunto. Veja lá.

    ŽIŽEK E A VIOLÊNCIA DA LINGUAGEM ­ O CASO CHARLIE HEBDO COMOADORMECIMENTO DO ESPAÇO SIMBÓLICO DOS SUJEITOS

    http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/arf/article/view/22995/12976

    • Questões Relevantes
      04/06/2015

      William, li o artigo e discordo de sua essência: não há possibilidade de se estabelecer qualquer equivalência entre a violência simbólica ou subjetiva de uma charge, por mais agressiva e de mau gosto que seja, e a violência objetiva de uma bala na cabeça. Trata-se de uma ginástica intelectual que perdoa a barbárie e se dedica a culpar a civilização (a tal democracia liberal que Zizek combate).

      • welliamancio
        04/06/2015

        No artigo, o que denominamos (nós, ocidentais) de barbárie é outra coisa ainda sem nome, pois não há linguagem aristotélica, por exemplo, para defini-la – talvez as armas sejam uma forma de racionalizá-la, mas, o estereótipo é romano desde sempre. Quando dizemos barbárie talvez estejamos apenas nos projetando no outro, tentando nos apropriar de uma alteridade impossível, talvez uma reminiscência daquilo que fomos. Eles, os assassinos são péssimos imitadores daquilo que sabemos fazer com técnica. No artigo, fiz uma crítica ao que penso conhecer um pouco, como todo mundo: o Ocidente; me arrisquei, nesse primeiro momento, no intuito de afirmar que o conteúdo “velado”, intocável, santo, que circula no discurso da liberdade de expressão é susceptível de críticas filosóficas. Devemos fazer uma crítica sobre tudo o que é expresso, pois não há sacralidade. Me recusei a falar sobre os assassinos, porque eles fazem parte de outra coisa, de uma alteridade que não me atrevo a sondar, como uma espécie de desnudamento feroz imensuravelmente maior que as piadas do Charlie Hebdo: penso que matar o outro com uma “bala na cabeça”, (segundo suas palavras) seja uma atitude de desnudamento que ostentar-se como besta, como bicho que devora outro num misto de fome e egoísmo – nesse universo não quero adentrar; talvez essa recusa tenha sido interpretada por você como defesa. De uma coisa sei: as vítimas inocentes, mesmo em sangue, nunca são desnudadas à vergonha; se transformam em corpo estático, mas discursivo e demandam justiça. Muito obrigado pela leitura do meu artigo. Vamos continuar conversando, se lhe instiga.

  13. Alana
    03/03/2015

    Eu concordo que nada justifica a barbarie, mas qual a necessidade de se cutucar onça com vara curta, isso pra mim não é coisa de gente inteligente, pelo contrário, são provocadores de tensões e atos hostis, respeite ao outro pra ser respeitado.Se um dia alguém falar mal de sua familia e você não tiver reação alguma, ou você está morto ou não tem senso algum. A modernidade está se perdendo na desculpa da tolerancia excessiva, paternalismo, direitos demais, obrigações de menos.

    • Questões Relevantes
      03/03/2015

      Alana, lembro que pessoas se recuperam facilmente de uma ofensa, um palavrão, um desenho de mau gosto ou mesmo de preconceitos toscos, mas ninguém se recupera de um tiro de fuzil na cabeça, de ser queimado vivo, de ser decapitado etc.

      Seu raciocínio leva à conclusão de que os provocadores mereceram a punição, o que é um passo que a afasta da civilidade, da solução pacífica de conflitos e divergências.

      Indo mais longe, podemos concluir que Hipátia mereceu morrer. Percebe o absurdo?

    • Osvaldo Aires Bade
      03/16/2015

      Mãe sequestra dois filhos na Holanda para se juntar ao EI na Síria
      http://cinenegocioseimoveis.blogspot.com.br/2015/03/mae-sequestra-dois-filhos-na-holanda.html

    • welliamancio
      04/06/2015

      Tolerância é só uma linguagem, não existe como fato. Imagine viver com o outro sem concórdia (outra palavra plástica)? No caso do Charlie Hebdo e dos terrorista (terrorista, palavra eufêmica para definir esses seres) o que houve foi uma aproximação selvagem de ambas as partes – quem sabe um urro gutural em face da tolerância/intolerância?

      • Questões Relevantes
        04/06/2015

        Tolerância não é só uma linguagem. Tolerância é uma construção da civilização, é um mecanismo de defesa do Homem contra ele mesmo. É o que nos impede de sermos, para citar Hobbes e seu artigo, o lobo do homem.

  14. nelia souza
    02/18/2015

    Concordo com vce no 4 parágrafo da conclusão mas infelizmente acho isso impossível pois o poder econômico é quem dita as regras, não existe interesse por causa da indústria da guerra por trás. ..

  15. Lucas Luiz Morando
    02/17/2015

    pena que nenhum maometano disse ser Charlie
    pena que haja guetos paquistaneses cujo a configuração social em nada se difere do berço de origem
    pena que existe a Taqiya, o direito sagrado de mentir para dominar e obter vantagem sobre os infiéis
    pena que jamais haverá manifestação de “maometanos moderados” em defesa do secularismo.

    • Questões Relevantes
      02/17/2015

      Lucas, aparentemente você não leu o artigo. Se leu, não entendeu a importância do paralelo com os EUA e a questão do negro. Neste pais foi necessária uma guerra civil de 1861 a 1865 para acabar com a escravidão no sul, mas a mesma elite que lutou pelo fim da escravidão não reconheceu os direitos civis dos negros. Na década de 1930 a ignorância intolerante dos brancos americanos ainda era responsável pelo enforcamento impune de negros (que motivou a canção “Strange Fruit”). Mesmo com a mobilização crescente de lideranças como Martin Luther King e Malcom X, apenas em 1965 os negros conquistaram direito a voto. E como você sabe, hoje os EUA têm um presidente negro. A ignorância intolerante ainda exite, mas é cada vez menor e as leis impedem e/ou punem aqueles que levam sua intolerância para além das palavras.

      Acredito que processo semelhante possa acontecer com os muçulmanos, principalmente aqueles que hoje vivem em países democráticos. Esta é a arena para a luta cultural, para o desarme da intolerância. Se geograficamente estas populações são a periferia do islã, estrategicamente podem se tornar centros emissores de uma nova interpretação, de uma negação verdadeira da violência como método de conversão ou afirmação da fé.

  16. lucemiro1405
    02/16/2015

    E convocar o estado de Israel para garantir que não matará mais palestinos, que tal? Que papo é esse de islâmicos aliados com esquerda contra democracia liberal! Isso só existe na sua mente conservadora fanática!

    • Questões Relevantes
      02/16/2015

      Lucemiro, vamos por partes.

      Quanto à questão do apoio da esquerda a tudo que confronte as democracias em geral e os EUA em particular, basta observar os mimos dispensados pela UNE e pelo PT ao Ahmadinejad, então presidente do Irã. Ou a reação de vários blogueiros e colunistas relativizando o recente atentado do Charlie Hebdo, praticamente culpando a direita francesa pela ação dos terroristas.

      Quanto à questão Israel X Palestina, sugiro a leitura do artigo abaixo e dos comentários que o acompanham. Formam um painel significativo sobre a questão: PARA EXTREMISTAS, NÃO INTERESSA QUEM MORRE, INTERESSA QUEM É O ALGOZ.
      http://goo.gl/1Q7OxZ

    • Fabio Militar
      02/17/2015

      Lucemiro, não abaixe o nível com adjetivações. Quem pareceu fanático aqui foi você. O texto está muito bem exposto e, mesmo sendo possível discordar dele de forma inteligente, você não demonstrou capacidade para isso, preferindo rebater conforme a típica cartilha de esquerda que adestra ignorantes.

    • Lucas Luiz Morando
      02/17/2015

      eis um Charlie que acredita que maometanos sempre estiveram entre nós, que é por puro acaso que haitianos e maometanos, em sua maioria homens, jovens e petistas vem para o Brasil ganhar a pequena fortuna do bolsa-família e impor sua cultura de intolerância e violência com amplo apoio do governo despótico e soberbo.

      • Questões Relevantes
        02/17/2015

        Lucas, você precebe o acúmulo de preconceitos em suas frases? Qual a vantagem em combater-se um preconceito com outro preconceito?

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