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Por algum motivo que desconheço, atraio para o debate um tipo muito peculiar de professor universitário: gente que apresenta sua titulação para tentar encobrir a falta de bons argumentos. Aconteceu novamente agora. Resolvi publicar aqui este último episódio porque o desafiante, diante do escancaramento de sua derrota argumentativa, apagou nosso debate (mas os e-mails que o Facebook envia me permitiram recuperar o que se passou).

Meu oponente em um grupo de debates no Facebook diz chamar-se Edmilso Ramalho e propôs o seguinte texto como tema a ser discutido:

“IGNORÂNCIA Francesa. Thomas Hobbes, um europeu, já disse “O HOMEM É O LOBO DO HOMEM” é do estado da natureza humana a necessidade de se impor para atender os seus desejos. Diz também que é necessário um contrato que limite essa liberdade natural recebendo em troca a tranquilidade. A Europa responde um atentado contra as agressões a uma sociedade teocrática com outra agressão. Isso depois dos chargista recusarem atender uma solicitação anterior acrescida de ameaças. A primeira publicação após o atentado foi uma demonstração explicita de declaração de guerra. Falam que o pior de uma ameaça terrorista não é o atentado em si mas o clima de medo que ela acarreta. Uma ignorância francesa dessa em pleno século XXI. Estão provocando que fatos apocalípticos aconteçam.”

 

Segue-se a troca de comentários:

 

Paulo: Discordo. Não há fato religioso, ateu, sociológico ou metafísico que justifique matar alguém por emitir uma opinião ou publicar uma caricatura, por mais grosseira e ofensiva que seja. Quem não enxerga isto ainda não fez a transição da barbárie para a civilização.

 

Edmilso Ramalho: O que é civilização meu companheiro? Pelo que sei, civilização é o estabelecimento de limites para fugir da barbárie. Mas tem alguns que querem somente limitar os outros, a nós, cabe a liberdade de impor o nosso poder.

 

Paulo: Este seu discurso é um relativismo que conduz a um beco sem saída. Há coisas que não admitem embromação, o assassinato de pessoas por “crime de opinião” ou por “ofensa religiosa” é uma destas coisas: ou você condena ou concorda. Se concorda, escolheu a volta ao estado da natureza (que é a barbárie).

 

Edmilso Ramalho: Eu conheço a Dialética. E acho que conheço um pouco de ética. Não é discurso de autoridade. Mas nas disciplinas de ética I e ética II no curso de Filosofia fiquei somente com 97 e 98 pontos em 100.

Acho que o fundamental nesse discurso é a balela da Liberdade de imprensa e a balela da liberdade incomensurada de expressão. Tudo que não tem limites é pra mim equivalente a barbárie.

 

Paulo: Em minha experiência em debates, toda vez que alguém me joga o curriculum na cara é porque acabaram-se os argumentos e só resta espernear.

 

Edmilso Ramalho: Você tem pouquíssima experiência em debates. Qual é a sua dúvida com os meus argumentos. Vamos aos conceitos. Para mim não existe debates sérios com achismos. Não formei pra professor de história e filosofia como terapia ocupacional não. Uma contribuição ao debate: Civilização Versus Barbárie http://goo.gl/AAfUej

 

Paulo: Edmilso, estou meio sem tempo agora e vou retomar o assunto mais tarde, mas deixo aqui dois casos concretos de debates com exibidores de curriculum:

COMO O MARXISMO ATRAPALHA A VISÃO (E A ÉTICA).
http://goo.gl/tr8jYD

OS DEVOTOS DE “SÃO MARX DA MAIS VALIA”, O NEOLIBERALISMO E A LÓGICA.
http://goo.gl/72C8k7

 

Edmilso Ramalho: Nem vou Ler. Porque não sou marxista e nem marxiano. OK? Não tenho as teorias de Karl Marx, como nenhuma outra como DOUTRINA.

 

Paulo: Ao contrário de você, leio o que me indica como argumento. E ao ler comprovo que seu professor era muito bonzinho. Você cometeu dois erros graves de uma vez: citou a Carta Maior como fonte e o Emir Sader como articulista. Só isto já é desqualificante. A Carta Maior e outros congêneres como Carta Capital, Brasil247 e Conversa Afiada (que possuem a opinião que o cliente da hora deseja) são como relógios quebrados que eventualmente estarão certos, mas por puro acaso. Quanto ao Emir Sader, não me lembro dele estar certo alguma vez.

 

O conheci pessoalmente em 1981 em uma reunião em um centro acadêmico em frente à PUC São Paulo. O objetivo era recrutar quadros para o PT. Eu havia assinado a lista pela fundação do partido e fui lá ouví-lo. Foi esclarecedor. Revelou-se com clareza suas ideias bolcheviques e seu apreço pelo autoritarismo de esquerda. De lá para cá, não evoluiu nada.

 

O artigo que você indicou é um amontoado de preconceitos e bobagens. Entre outros preconceitos revestidos de crítica, diz sobre o cinema dos EUA: “Os filmes de guerra foram sempre contra outras etnias: asiáticos, árabes, negros, latinos. O país que protagonizou o mais massacre do século passado ¿ a Alemanha nazista -, com o holocausto de judeus, comunistas, ciganos, foi sempre poupada pelos nortemamericanos, porque são iguais a eles ¿ brancos, anglo-saxões, capitalistas, protestantes”.

 

Quando alguém desconhece que os alemães foram os “bandidos” de centenas de filmes e séries de TV produzidos pela indústria cinematográfica americana e se arroga a falar sobre o tema, o que fazer além de sentir pena? E quando alguém o cita? Bem, realmente o sistema educacional brasileiro está em sérias dificuldades.

 

Quanto à questão que originou este nosso debate, as sociedades possuem histórias e desenvolvimentos díspares ao longo do tempo. Os árabes já foram superiores aos Europeus em tolerância, educação, matemática, engenharia, astronomia etc. Por conta da dominação Otomana, pararam no tempo. Já os países reconhecidos hoje como de Primeiro Mundo avançaram e construíram um código de valores civilizatórios que os faz críticos de suas próprias histórias.

 

Quando alguém começa a usar truques baratos de prestidigitação intelectual para chamar uma sociedade tolerante como nunca houve na história da humanidade de autoritária e defender a barbárie e a intolerância como aceitável, fica claro que ignora o sentido dos conceitos que usa ou, como Emir Sader, considera bem-vindo tudo que agrida as democracias liberais.

 

CONCLUSÃO

 

O debate terminou aqui com o post sendo excluído por Edmilso Ramalho, o que equivale, me parece, ao reconhecimento de ter sofrido um nocaute (mas foi um nocaute metafórico, viu caro Papa Francisco). De qualquer modo, como obedeci ao Papa, acho que vou para o céu.

 

PS.: Por precaução, salvei os e-mail transcritos neste debate. Esclareço que o português “meio errático” é apenas transcrição dos originais de Emir Sader e seu fã Edmilso Ramalho.

 

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

 

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