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O BRASIL NÃO TEM COMO GANHAR NADA COM O PORTO CUBANO. VAI APENAS PERDER. 

No dia em os presidentes Barack Obama e Raúl Castro falaram sobre a possível normalização das relações entre Havana e Washington, a presidente Dilma Rousseff aproveitou para fazer propaganda de sua visionária capacidade gerencial e citou o Porto de Mariel, em Cuba, financiado com recursos do BNDES: “Fico muito feliz com o acordo entre os EUA e Cuba porque toda a política do governo brasileira até agora tem sido enfatizar, e não só do ponto de vista retórico, mas com ações concretas, a forma pela qual Cuba tem de ser integrada. Algo que foi tão criticado durante a campanha, o porto de Mariel, mostra hoje mesmo a sua importância para toda a região. E para o Brasil principalmente na medida em que hoje o porto é estratégico pela sua proximidade com os Estados Unidos”.

Os vários sites “jornalísticos” e “jornalistas” financiados pelo PT e suas estatais (porque não há dúvida de que foram privatizadas pelo partido) transformaram a notícia e a fala da presidente em prova da capacidade de antecipação deste governo. Os jornais que não dependem exclusivamente de dinheiro público não foram tão ufanistas, mas não questionaram o óbvio: o Brasil não tem como ganhar nada com o Porto de Mariel, vai apenas perder.

Esta incapacidade de ver o óbvio não é fenômeno recente. As críticas focam sempre na questão da prioridade, ou seja, porque investir em outro país se temos tantas urgências aqui. É uma questão válida, mas é uma questão menor. A questão maior é que trata-se de um investimento que, se for bem sucedido, significará elevados prejuízos para a economia brasileira.

A questão é simples: não faz nenhum sentido uma empresa produzir no Brasil, embarcar a mercadoria em um porto brasileiro, descarregá-la em Cuba e de lá, através do porto de Mariel, exportá-la para onde seja. A conta não fecha.

É preciso produzir em Cuba, com salários cubanos e ausência de sindicatos para tirar proveito do “porto estratégico”. É por esta razão que a FIESP apoiou a ideia. Se os empresários vêm sua competitividade sufocada pelo “custo Brasil”, por que não transferir indústrias e empregos para a ilha?

Cesário Melantonio Neto, embaixador brasileiro em Cuba, nem tentou disfarçar e, na época da inauguração, afirmou “o Porto de Mariel será importante com a vinda de empresas brasileiras para se instalarem no complexo portuário de Mariel, que oferece vantagens fiscais e será uma zona de processamento de exportação como as ZPE’s no Brasil, com sistema de drawback, sem limite de remessas dos lucros”.

Isto significa o seguinte: o PT quer ajudar Cuba a se tornar uma China tropical, o que vai enriquecer a burocracia cubana e empobrecer o trabalhador brasileiro. Vai também melhorar a competitividade de indústrias brasileiras que produzirem em Cuba. Ou seja, vai destruir o que restou da indústria nacional.

E tudo isto com uma vantagem adicional: lá não tem TCU, ministério público ou imprensa para apontar falcatruas. Dá para usar o jeito PTista de fazer negócios à vontade.

Artigo de Paulo Falcão.

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