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OS DEVOTOS DE “SÃO MARX DA MAIS VALIA”, O NEOLIBERALISMO E A LÓGICA.

psicopatamarx

Este artigo é a segunda parte de um debate entre este livre-pensador e uma socióloga pós-doutorada em Londres, que foi lá estudar justamente o neoliberalismo. Na primeira parte, o assunto foi o “inimigo ideal da esquerda” Jair Bolsonaro e a redução da maiordidade penal. Aqui, o foco é justamente o tal neoliberalismo.

O artigo anterior termina quando faço a seguinte afirmação, cintando o DICIONÁRIO DE POLÍTICA, de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino no verbete DEMOCRACIA: (…) “a única forma de Democracia compatível com o Estado liberal, isto é, com o Estado que reconhece e garante alguns direitos fundamentais, como são os direitos de liberdade de pensamento, de religião, de imprensa, de reunião, etc, é a Democracia representativa ou parlamentar”.

Ou seja, o que você chama de direitos humanos é considerado uma conquista da democracia liberal, que inclui a social democracia. Não há tais direitos em governos que avançam na agenda da esquerda.

A socióloga aproveita e muda o foco do debate que seguiu assim:

Socióloga: Outro truísmo é que o liberalismo é melhor do que o absolutismo despótico feudal, Paulo. Muito embora este regime não tenha alterado no conteúdo a extrema miséria e desigualdade social daquela época, apenas a sua forma. (…) Agora, achar que é certo criminalizar e por crianças na cadeia ao invés de na escola é uó, mesmo. Não vai ter eufemismo que me faça enxergar de outro modo esta questão. Para mim, é algo tão bárbaro quanto a pena de morte. Que imagino que você seja a favor, né…

Paulo: Desculpe, você me apresentou suas credenciais de pós-doutorada, mas sua argumentação aqui está muito fraquinha. Não há na história da humanidade maior redução das desigualdades, maior elevação da qualidade de vida e maior conquista de direitos que a ocorrida nas democracias liberais no século XX. Quanto à redução da maior idade penal, há vários exemplos a serem estudados. O meu preferido é o inglês. Mas sua argumentação me remeteu a um artigo que escrevi há algum tempo e que elenca este tipo de argumentação que você está tentando aplicar no debate comigo: ESQUERDA x DIREITA: A TEORIA DAS GAVETAS OU COMO NÃO CHAMAR URUBU DE “MEU LORO”…

Socióloga:  “Não há na história da humanidade maior redução das desigualdades, maior elevação da qualidade de vida e maior conquista de direitos que a ocorrida nas democracias liberais no século XX”. Mostre dados que comprovem esta informação, please.

Paulo: Basta ver alguns índices históricos nestes países, como expectativa de vida, acesso à saúde e educação, renda média, renda mínima, gastos com turismo, etc. Isto é, para usar sua linguagem, um truísmo estatístico.

Socióloga: Estou falando de DESIGUALDADE Paulo. Em nível mundial. Pare de olhar apenas para os países ricos, como se a riqueza deles não tivesse nada a ver com a pobreza dos outros. Eu não sou evolucionista sou dialética. A Folha de São Paulo publicou um artigo recente afirmando que o patrimônio dos 85 mais ricos é igual ao da metade da população mundial.

Paulo: Sobre esta questão da desigualdade, há um famoso debate da Margareth Thatcher no parlamento inglês em que ela responde que à esquerda não interessa se houve uma elevação importante na renda das classes mais baixas, mas apenas se houve aumento ou diminuição na desigualdade, concluindo que a esquerda prefere rebaixar a renda de todos se a desigualdade for reduzida, do que aumentar a renda de todos se a desigualdade aumentar. É um vício de quem não compreende como a riqueza é gerada.

Quanto ao seu olhar “dialético”, o ponto é o seguinte: 100% dos países de partido único são ditaduras, e os de esquerda estão quebrados (exceto a China, com seu Capitalismo de Estado). 100% dos países que se aprofundaram na democracia liberal estão melhores hoje (em indicadores socioeconômicos e IDH) do que eram há 100 ou 70 ou 50 anos. São dados irrefutáveis.

Socióloga: (…) “à esquerda não interessa se houve uma elevação importante na renda das classes mais baixas, mas apenas se houve aumento ou diminuição na desigualdade, concluindo que a esquerda prefere rebaixar a renda de todos se a desigualdade for reduzida, do que aumentar a renda de todos se a desigualdade aumentar”.

Sim, sim, sem dúvida eu não me importo de ver a minha renda reduzida se a desigualdade também for reduzida. Sem dúvida.

“É um vício de quem não compreende como a riqueza é gerada”.

E você sabe como a riqueza é gerada? E, sobretudo, por quem é gerada? Ou acha que se não houver mais capitalistas amanhã a capacidade do ser humano de transformar a natureza também vai desaparecer?

Sinceramente, alguém que é fã da Thatcher e acha que ela não é ideológica está a anos luz de distância, e sem um mínimo de convergência não há o que debater. Estamos em lados totalmente opostos. Para mim, depois da Thatcher, só Hitler e Mussolini (….). Não estou com pique para ler nada que venha da cartilha neoliberal. Já basta ter que viver e estudar suas consequências sociais nefastas mundo afora.

Paulo: Sabemos que estamos em lados opostos e discordamos em quase tudo. (…). Quanto à notícia da Folha de S. Paulo, trata-se apenas da reafirmação da crítica que reproduzi acima sobre a esquerda preferir rebaixar a renda de todos se a desigualdade for reduzida, do que aumentar a renda de todos se a desigualdade aumentar.

Socióloga: Ah, sim. Abaixo a desigualdade, sempre! Bandeira básica para qualquer socióloga, seja de esquerda seja de direita.

Outra coisa, esse negócio de aumentar a renda de todos e a desigualdade aumentar é uma contradição de termos. Não há lógica nesta equação. Você poderia desenhar para ver se eu consigo entender?

Paulo: É simples: na situação 1, a base da pirâmide ganha U$ 2,00 e o topo da pirâmide ganha U$ 6,00 por exemplo. Ou seja, o topo ganha 3 vezes mais.

Na situação 2, a base da pirâmide ganha U$ 3,00 e o topo U$ 30,00, ou 10 vezes mais. Neste segundo caso, a desigualdade aumentou, mas a renda da base da pirâmide é 50% maior que a observada na situação 1. E teria melhorado mesmo que a desigualdade fosse de 30 ou 50 vezes mais se o valor da base fosse igual ou superior a U$ 3,00.

É óbvio que a situação 2 é melhor para a base da pirâmide do que a situação 1. Isto não significa que não seja desejável trabalhar para que a base perceba aumento de renda e diminuição da desigualdade, mas significa, claramente, que o aumento da desigualdade não é um mal em si. Quando ocorre em momentos de recessão, costuma prejudicar a base da pirâmide, mas quando ocorre em situações normais ou de crescimento, quase sempre a base da pirâmide se beneficia, ou seja, tem aumento real de renda.

Socióloga: Hummm. …. e o que seria uma situação normal? Pelas minhas leituras, o “normal” hoje é uma crise estrutural. Não estamos falando de números, estamos falando de seres humanos, muitos em situação análoga à escravidão. Ou seja, fora da base da pirâmide social.

God! Como a direita é fria e calculista! Você já assistiu Roger and me, O corte, ou Trabalho interno? Não, vou morrer utópica, mas não vou aceitar esta realidade nunca. Afinal, o que nos diferencia de outros animais é justamente a nossa capacidade de mudar o nosso meio.

Ter gente que tem torneira de ouro no seu lavabo enquanto tem muitas morrendo de fome é desumano. Justificar esta realidade é hediondo. E, se você gosta tanto da Inglaterra, deve conhecer sua história e saber que tudo começou com os enclousures. Um termo eufemista para designar o roubo de terras comunais. A espoliação da natureza e, com isto, dos meios de vida da maioria por uma minoria armada e que se achava melhor e por isso que merecia ter mais. Antes, por achar que tinha um pacto com o divino. Hoje porque se acham mais empreendedores quando a maioria desta minoria vive de especulação financeira. Tenho muito nojo desta mentalidade moralista meritocrática. E eu já tive este tipo de mentalidade. Tenho muita vergonha dessa época….

Paulo: Você está confundindo semáforo com liquidificador. O mundo não é justo, mas é menos injusto hoje do que já foi, e o é graças às liberdades civis dentro das democracias liberais.

Como disse em um dos artigos que você preferiu não ler, “Nos termos em que o estado liberal funcionava na época (do manifesto comunista), eu também seria “de esquerda”, também defenderia que “tudo precisa mudar”. Mas é justamente este o ponto: o capitalismo e o estado liberal mudaram, e muito. Neste período, assistimos o que Schumpeter chamou de a “destruição criadora” do capitalismo reciclando suas bases e incorporando demandas sociais as mais diversas. O capitalismo e o estado liberal que temos hoje são semelhantes em essência (preservam a liberdade individual de empreender e a propriedade privada dos meios de produção) e absolutamente diferentes na regulação das condições de trabalho, direitos trabalhistas, acesso a serviços básicos como saúde e educação etc.”

Outra coisa, o elemento mais essencial para garantir emprego, renda e impostos chama-se LUCRO. É o lucro que torna empresas sustentáveis. É o lucro que permite pagar salários e impostos de maneira continuada. Quando se estimula o lucro, a atividade econômica aumenta e emprego e renda crescem. Quando o lucro cai, emprego e renda declinam.

Para contextualizar, vamos falar do Brasil. Você ataca o “governo neoliberal” do FHC” e defende o governo do PT. Pois bem. Com a implantação do Plano real e sua boa gestão, o Brasil conseguiu acabar com o “confisco inflacionário” que empobrece o trabalhador e favorece o empregador (privado e público). Isto de saída. Tomando o salário mínimo como indicador, nos oito anos de governo FHC o salário mínimo teve valorização real (descontada a inflação, pelo IPCA), de 85,04%; nos mesmos oito anos de Lula foi 98,32%; já nos quatro anos de Dilma, apenas 15,44%.

Sabe por que isto aconteceu? A resposta não vai lhe agradar, mas é a explicação correta: o Plano Real, com o fim da inflação, propiciou uma melhora na renda e no consumo das famílias e interrompeu o período de estagnação da economia brasileira, iniciando um período de crescimento. Houve tropeços, principalmente no final do segundo mandato do FHC, quando ficou claro que Lula venceria a eleição. “Percebendo que havia um clima de pânico nos mercados por medo da agenda histórica do partido, com forte alta do dólar (beliscou os R$ 4,00), inflação acelerando e economia parando, Palocci lançou a famosa “Carta aos Brasileiros”, Lula nomeou o ex-presidente mundial do Banco de Boston como presidente do Banco Central e o próprio Palocci como ministro da fazenda. Mais do que isso, rasgou os panfletos petistas e adotou a agenda do PSDB. Os mercados se acalmaram e ele pode fazer um bom governo.

Mas sabem como é, velhos hábitos são difíceis de serem abandonados. Desde a metade do segundo mandato de Lula, como disse o ex-ministro Nelson Jobim, os idiotas perderam a modéstia e passaram a acreditar que podiam inventar a roda quadrada. O país entrou na descendente e se viu novamente em estado de alerta, agora por conta da vitória de um projeto de poder movido a rompantes, com a gestão voluntariosa e pouco profissional do governo e dos fundamentos da boa governança econômica.

Se Dilma abandonar a cartilha do PT e colocar gente que o mercado reconheça como competente à frente da economia, tudo vai se acalmar. Se insistir nos imodestos companheiros e neste script para o desastre, a vida dos brasileiros será cada vez mais um inferno. O demônio da economia não aceita desaforos por muito tempo.” (Trecho de outro artigo que você não leu, publicado dia 4 de novembro de 2014).

Parece que Dilma percebeu o buraco em que estava metendo a economia brasileira. Falta a esquerda também perceber.

Socióloga: Bem, PT não é esquerda, né… Mas, era a opção mais próxima disto que tínhamos no momento. E que o lucro se exploda, sabe. Pois se amanhã o lucro desaparecer a sociedade sobrevive. Mas, se acontecer o mesmo com o trabalho a sociedade desaparece. Então, creio que a sua equação está de ponta cabeça. Quem desenvolve é o trabalho, não o capital, que só se apropria da riqueza social e socializa as crises, como o seu comentário acima descreveu tão bem.

Paulo: Seu raciocínio nega a realidade e abraça a esperança. O nome disso é religião.

Socióloga: Não. O nome disto é utopia. Você tem coragem de negar que a sociedade sobrevive sem capital? Olha, que o nome disto é fetiche, hein……

Paulo: Pequenas sociedades, como tribos, sobrevivem sem capital. Na medida em que as sociedades crescem e se tornam mais complexas, entram em cenas relações de troca, comércio etc e a diferenciação na produção e acumulação de riqueza. Não há sociedade complexa que não tenha vivido esta história.

Socióloga: Veja que absurdo alguém que não consegue pensar que outra sociedade é possível! Nem que seja para fazer a imaginação funcionar e, assim, praticar algo que só o ser humano tem.

Paulo: É possível pensar diferentes modelos, mas para que eles tenham chance de sucesso, precisam respeitar a realidade. A esquerda imagina que rasgando a lei da gravidade todo mundo vira passarinho e sai voando por ai. Não é assim.

Aliás, desmontei todas as suas ponderações com exemplos e argumentos lógicos. Agora o debate chegou naquele ponto em que você declara-se vencedora porque ousa sonhar com um mundo melhor. O problema com seu sonho é que, até hoje, onde foi tentado, resultou na produção de mortos em escala industrial entre a própria população.

Socióloga: E a direita acha que quem não sabe da existência da lei da gravidade se pular de um prédio de 30 andares voa. By the way, você acredita ou não que existe direita e esquerda? Tá confuso….

A direita trouxe o holocausto, o tráfico humano e a miséria em meio ao luxo de poucos. E, pior, a justificação e naturalização deste estado de coisas. Quer atrocidades maiores do que estas????

Aliás, é ideológico falar que houve comunismo quando sabemos que só foi mais um modo de acumulação primitiva. Alguém tem que mostrar a sujeira. Que a esquerda exista só para exercer esta função (para recorrer à perspectiva funcionalista que você abraça), já está valendo. Ficar sem crítica é que não dá. Sou ousada e abusada mesmo.

Paulo: A direita existe e atende pelo nome de democracia, ou para ser mais preciso, democracia representativa, o que inclui a social-democracia. A extrema-direita também existe, mas ela não tem a democracia como valor fundamental. Quanto à esquerda, também existe, mas a diferença entre esquerda e extrema-esquerda não é de conteúdo, apenas de método para chegar lá, e nenhuma das duas têm a democracia como valor fundamental.

Socióloga: Aí você falou uma barbaridade, hein!…. Democracia sem igualdade é uma palavra vazia. Ideologia das mais toscas.

Paulo: (é chato ter que repetir para uma socióloga que) Uso o conceito do DICIONÁRIO POLÍTICO de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino. E acrescento mais uma citação:

“A história da esquerda é a história do sofrimento que impingiu a sua própria gente em nome do bem. Não há exceção conhecida. Não há exemplo edificante. Apontar pontos positivos é possível, mas todos eles ocorreram e ocorrem sob a condução de governos autoritários e ou totalitários. Não estamos falando de governos de esquerda em regimes de democracia liberal, evidentemente. Estamos falando de governos de esquerda que conseguem avançar sobre a democracia liberal.

Nos modelos revolucionários, como China e Cuba, para ficarmos nos remanescentes mais conhecidos, a agenda é semelhante à da esquerda que atua dentro das democracias. A diferença é apenas de método na tomada de poder e de grau na implantação dos objetivos. Os revolucionários pregam o confronto direto e imediato. Os moderados, pregam a conquista do poder pelo voto e a implosão do sistema através de seu enfraquecimento deliberado.”

Socióloga: Eu sou revolucionária!

FINALIZANDO

A importância deste debate está menos no que afirmo do que na evidente dificuldade em lidar com lógica elementar apresentada por esta legítima representante da esquerda em nossas universidades. Se você acha que é exagero, que é um caso isolado, leia o que estes ideólogos andam escrevendo e falando por ai. Se não quiser ir muito longe, dê uma olhada na área de comentários do artigo anterior e veja com seus próprios olhos até onde vai a loucura.

Artigo de Paulo Falcão.

PS – Incorporo aqui a dica de meu amigo Marcus Vinicius: uma reflexão de Milton Friedman, prestigiado economista prêmio Nobel, que responde a uma pergunta sobre ganância e capitalismo e acaba dando uma aula a respeito de pobreza e liberdade de mercado. http://goo.gl/eFMi8B

Artigos citados:

DEMOCRACIA DIRETA:BOA INTENÇÃO LIBERTÁRIA OU LIBERTICIDA?

http://goo.gl/aWOBMa

DILMA, A LEI DA GRAVIDADE E O EFEITO ORLOFF.

http://goo.gl/Vup7EH

NA ENCRUZILHADA, COM O DEMÔNIO DA ECONOMIA.

http://goo.gl/wXckF7

ESQUERDA x DIREITA: A TEORIA DAS GAVETAS OU COMO NÃO CHAMAR URUBU DE “MEU LÔRO”.

http://goo.gl/jJ5uFC

A ESQUERDA E OS CAMINHOS QUE SE BIFURCAM.

http://goo.gl/bQL5kY

DO SOCIALISMO AO COMUNISMO: UMA QUESTÃO DE FÉ.

http://goo.gl/7lMstJ

Aviso sobre comentários: Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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41 comentários em “OS DEVOTOS DE “SÃO MARX DA MAIS VALIA”, O NEOLIBERALISMO E A LÓGICA.

  1. Questões Relevantes
    12/23/2016

    Uma boa avaliação do período Thatcher:

  2. Milton Silvério
    11/07/2015

    Esta Doutora socióloga deveria conhecer melhor a obra de Milton Friedman. Seria uma forma de passar menos vergonha. Veja este vídeo sobre a ganância.

    • Questões Relevantes
      11/07/2015

      Boa contribuição.

  3. Ferraro
    05/26/2015

    Margaret Thatcher é o gênio que disse que não existe algo como sociedade. Sendo ao lado de Ronald Reagan uma das duas principais figuras políticos do neoliberalismo na década de 80 a Thatcher não é exatamente uma figura lembrada por sua inteligência ou competência administrativa. A verdade é que o neoliberalismo não tem muito que mostrar. As três décadas neoliberais no mundo desenvolvido contaram com menos crescimento econômico que as três décadas de ouro da social-democracia pós-guerra, e adicionalmente sofreram com um grande aumento nos níveis de desigualdade e com a estagnação salarial da classe trabalhadora, e para o mundo em desenvolvimento como a América Latina o neoliberalismo tem menos ainda do que se vangloriar, vide a situação de pobreza e exclusão social da região na década de 90, e a completa falta de soluções substanciais dadas pela ideologia neoliberal para os déficits sociais históricos comuns aos países da região. No nível mundial o ator mais responsável por derrubar os números de pobres é a China que de neoliberal não possuiu e nem possui nada.

    O que Thatcher faz no seu discurso é criar um espantalho, já que obviamente a esquerda a que ela se refere não são leninistas, mas sim sociais-democratas do Velho Trabalho (Old Labour do Partido Trabalhista do Reino Unido) do Reino Unido que inspirados no trabalho de Beveridge tinham estabelecido na época de Clemente Attlee imediatamente após a Segunda Guerra Mundial o Estado de Bem-Estar Social do país ( Uma construção sob o trabalho inicialmente feito anteriormente pelo Partido Liberal no início do século por Asquith e Lloyd George) que incluiu o sistema de medica socializado conhecido como NHS (Serviço Nacional de Saúde) que é similar ao SUS brasileiro no qual o Estado não apenas financia, mas também empregua os funcionários do sistema médico. Indivíduos cuja ideologia política se encontra na tradição liberal de John Rawls não querem menos desigualdades a custa dos mais pobres e sim menos desigualdade para o benefício dos mais pobres. É preciso perceber que a cada dado momento no mundo há uma quantidade fixa de dinheiro e a forma como os recursos são alocados e distribuídos determinam a condição dos mais pobres. Ao parir do princípio de que os indivíduos estão condenados a se diferenciarem por vantagens e desvantagens injustas, que estão fora de seus controles, como habilidades genéticas e status social que determinam as capacidades dos indivíduos de obterem renda no mercado, se faz necessário se concluir que todas as pessoas na sociedade devem possuir o direito a um pedaço da produção da mesma independente da capacidade do indivíduo em obter renda no mercado, que qualquer crescimento econômico só é justificado se faz o mais pobre melhor e que deve haver algo que se assemelhe a uma situação de igualdade de oportunidades, isto é, as vantagens e desvantagens relacionadas ao status de nascimento devem ser diminuídas ao máximo. John Rawls cria instituição justas, mas não toma nota da desigualdade em si, pois uma sociedade justa para a teoria de Rawls ainda pode ser extremamente desigual. Então mesmo indo além e adicionando a preocupação com a desigualdade em si não há nada de errado com isso porque simplesmente não existe o trade-off entre igualdade e eficiência ou crescimento de que se fala tanto.

    Há boas razões para se preocupar com a desigualdade em si e sobre possíveis consequências dela como a inevitável degradação do processo democrático que ocorrerá em uma sociedade com grandes disparidades sociais, então se democracia é um valor para você igualdade também deve ser porque em uma sociedade de pessoas e classes muito díspares a democracia tenderá a ser controlada por uma minoria que agirá em fato como uma oligarquia.

    Por isso que as instituições para uma sociedade justa de Rawls mais uma adicional preocupação com a desigualdade tomando o devido cuidado para que ela se mantenha em um nível baixo para não danificar a democracia, a coesão social, e nem determinar de forma injusta o poder das pessoas em adquirirem bens primários para uma boa vida, e outros desejáveis resultados que ela possa a vir danificar (ver a relação que Richard Wilkinson estabelece entre desigualdades e piores resultados socioeconômicos no mundo desenvolvido) parece ser a melhor combinação.

    Ignorar a necessidade de se construírem as instituições Rawlsianas e ignorar a preocupação com o nível de desigualdade como o neoliberalismo tende a fazer não é uma forma inteligente de se organizar a nossa sociedade pensando no modelo que melhor beneficiará primeiramente os mais pobres e depois a maioria das pessoas.

    Não nego que algumas reformas liberais foram importantes para o mundo desenvolvido se adequar para os desafios do mundo globalizado e que privatizações como as que ocorreram na Inglaterra que até Thatcher tinha uma economia formada em grande parte por empresas estatais foi uma escolha acertada, embora os ingleses atualmente desejem a estatização de setores que foram privatizados como as ferrovias e a eletricidade. O problema do neoliberalismo é que ele quer maximizar o mercado à custa do bem-estar social gerado pelo Welfare State. Ele não discrimina entre gastos bons ou ruins, nem tenta tornar o Estado mais útil ou competente, tudo o que ele quer diminuir é o espaço público e vender os bens públicos por princípios que até hoje não foram empiricamente demonstrados como verdadeiros.

    • Questões Relevantes
      05/26/2015

      Ferraro, para criticar Margaret Thatcher é fundamental olhar com cuidado para o momento em que ela atuou. Discordo de você principalmente na questão do “espantalho”. Segue um trecho dedicado à Dama de Ferro no artigo “Teoria das Gavetas”:

      “Já há alguma distância (temporal) do calor dos eventos, o que permite fazer uma avaliação melhor do que significou aquela experiência.

      Em primeiro lugar, seu governo teve início em 1979 após um longo período (30 anos) de predominância das ideias socialistas de gestão que, após o fim da segunda guerra mundial, conseguiram implantar muitas de suas teses na Inglaterra. Ao assumir o governo, Thatcher encontrou uma economia em crise, fortemente estatizada, sindicalismo forte e frequentemente violento, governo inchado e ineficiente, gastos públicos elevados e inflação alta (quase 25% ao ano em 1978). Elaborou um programa rigoroso para inverter este cenário, com elevação dos juros (para reduzir consumo e ajudar a controlar a inflação), ajuste das contas públicas via redução dos gastos governamentais (contas públicas elevadas também pressionam a inflação) e redução da presença do estado na economia via privatização da maioria das empresas estatais. O resultado destas medidas, em um primeiro momento, foi negativo: a economia desacelerou, empresas e bancos quebraram, o desemprego triplicou, os conflitos com sindicalistas foram brutais (de ambos os lados e em todas as acepções do termo). Mas uma vez feitos os ajustes, a Inglaterra, que estava em rápido declínio econômico desde o pós-guerra, voltou a crescer, o emprego subiu, o investimento externo (não especulativo) triplicou. Não foi uma retomada livre de sobressaltos, mas alguns números são importantes: em 1981 o PIB já havia retornado a patamar superior ao de 1979 com a inflação reduzida a ¼ da registrada quando assumiu o governo, e continuou crescendo com inflação em queda até 1989 quando o mundo foi sacudido por uma sucessão de crises. Para quem tiver curiosidade, os números da economia britânica no período Thatcher podem ser vistos no site http://www.economicshelp.org/blog/274/uk-economy/economic-impact-of-margaret-thatcher/

      Outro ponto: ela nunca disse “que não existe algo como sociedade”. A frase de Margaret Thatcher é “não existe algo como dinheiro público, o que existe é dinheiro do pagador de impostos. O estado não gera riqueza, apenas administra do dinheiro do contribuinte”. Não vejo como esta frase possa estar errada.

      • Ferraro
        05/27/2015

        Ok, alguns pontos são necessários serem destacados.

        1. Não houve socialismo na Inglaterra no pós-guerra e sim social-democracia. Foi o período heróico ou de ouro da social-democracia. Era uma social-democracia muito mais estatista e com muita mais desconfiança do mercado, mas ainda assim era uma social-democracia. Bresser-Pereira chama esse Estado de social-democrático em oposição ao Estado liberal-democrático que o antecedeu e que por sua vez substitui o Estado liberal, mas ainda não democrático, da primeira metade do século XIX, e agora estaríamos vendo o Estado social-liberal ainda democrático e que seria o resultado da reformação do Estado social-democrático. De qualquer forma, Thatcher naquele discurso se refere ao Partido Trabalhista inglês que foi o partido social-democrata do Reino Unido e não a um bando de garotos balançando a bandeira vermelha e clamando por revolução. Era o Velho Trabalho a favor de igualdade a custa dos pobres? Claro que não, por isso o que Thatcher faz é criar um espantalho. Suas políticas estavam impedindo maior crescimento da Inglaterra na época? É discutível.

        2. Sobre a situação da Inglaterra anteriormente a Thatcher. A crise em que a Inglaterra se encontrava a semelhança da crise em que os EUA se encontravam quando Reagan assumiu eram crises do petróleo. Por causa da instabilidade do Oriente Médio que esses países sofreram com alta inflação e outros males econômicos. Cuidado em assumir causalidade em uma relação. Sim, o Estado na Inglaterra era o proprietário de muitas empresas e sim os sindicatos tinham mais poder na época, mas não foi por causa dessas coisas que a Inglaterra estava em crise. A Escandinávia possui um altíssimo nível de sindicalização, por lá os sindicatos praticamente precisam concordar com os salários pagos pelas empresas, e Singapura possui uma economia que é em mais de um terço formado por empresas estatais. Eu não descarto a possibilidade de que para a Inglaterra alguma liberalização econômica foi necessária, mas é preciso tomar cuidado antes de falar coisas que não existem fora de narrativas falsas. A maioria dos ingleses é favorável a estatização de vários setores que foram privatizadas pela Thatcher ou outros governos que seguiram a sua cartilha, o que nos diz que no mínimo a privatização não resultou na eficiência esperada. E a Inglaterra não estava em declínio econômico desde o pós-guerra, isso é uma coisa absurda de se dizer, os trinta anos de pós-guerra foram anos de altíssimo crescimento para os países desenvolvidos, incluindo a Inglaterra, de maior crescimento do que os trinta anos de influência neoliberal. Você pode dizer que a economia era outra, que o mundo desenvolvido não tinha competidores e que a financeirização e pós-industrialização da economia ainda não tinha se abatido sobre nós, mas o problema do neoliberalismo é que ele sustenta crenças falsas como a de que riquezas vão ser automaticamente distribuídas de forma a beneficiarem os mais pobres e a maioria, sem a necessidade de qualquer intervenção do Estado, mas o resultado empírico é a estagnação salarial por décadas em vários países desenvolvidos.

        3. Sobre as consequências do governo de Thatcher. Crises passam e obviamente a Inglaterra se recuperaria. Eu não entendo o crédito dada a Thatcher para a recuperação econômica de um choque causado pela crise do petróleo. A questão é se o país se saiu melhor com as reformas de Thatcher? Eu não acho, e não há dados empíricos para demonstrar o contrário. Como eu disse menos crescimento econômico nas décadas subsequentes, estagnação salarial, e aumentos nos níveis de desigualdade no mundo desenvolvido, principalmente Inglaterra e EUA, e efetividade próxima de zero em diminuir desigualdades e pobreza na América Latina e África fazem do neoliberalismo uma ideologia fraudulenta.

        4. Só reiterando que eu aprecio um regime de flexiguridade como o da Dinamarca, mas o neoliberalismo traz certas crenças e ideias que para mim são demonstravelmente erradas.

        5. Sim, ela disse. Ela disse que “There is no such thing as society.” Aqui uma série de falas dela: http://en.wikiquote.org/wiki/Margaret_Thatcher

        6. Aqui a “There is no such thing as society.” Colocada em contexto: http://www.thedailybeast.com/articles/2013/04/08/context-for-margaret-thatcher-s-there-is-no-such-thing-as-society-remarks.html O hilário desse artigo é que o contexto não muda o significado da frase dela de forma nenhuma. O que Thatcher estava dizendo era que não devia existir algo como o Estado de Bem-Estar social, que o Estado não devia prover bem-estar social para as pessoas, e que ao invés disso as pessoas devem ser deixadas por conta própria e por conta de caridades, ou seja, não conte com a sociedade, não conte com a coletividade para lhe ajudar a adquirir bens primários a uma boa vida ou te amparar em uma hora de necessidade, se vire você mesmo. É representativo da ideologia dela.

      • Questões Relevantes
        05/27/2015

        Ferraro, nenhum governo é “socialista” em uma democracia. Para tornar-se socialista é necessário solapar a democracia primeiro. Mas é possível ter uma agenda socialista dentro de uma democracia.

        A grande discussão sobre as ideias de Thatcher X o estado de bem-estar social é matemática: a conta tem que fechar. É o que está na pauta de outro artigo que você comentou “A AURORA NÓRDICA PARA O CAPITALISMO”.

        Quanto à crise da Inglaterra pré Thacher ser por causa do choque do petróleo, discordo. A consequência das contas públicas desarranjadas já se manifestava com força antes do choque do petróleo e agravou-se mais com ele.

        Thatcher tem defeitos? Certamente. Mas sua ação criou as condições para a recuperação da Inglaterra. Isto é inegável.

      • Ferraro
        05/27/2015

        “Ferraro, nenhum governo é “socialista” em uma democracia. Para tornar-se socialista é necessário solapar a democracia primeiro. Mas é possível ter uma agenda socialista dentro de uma democracia.”

        O que é uma agenda socialista dentro da democracia? O Partido Trabalhista inglês não possuía pretensões de abolir a propriedade privada dos meios de produção nos anos depois da Segunda Guerra Mundial. Não há nada incompatível sobre um Estado possuir empresas estratégicas e uma economia de mercado capitalista. Singapura não pode ser confundida por socialista e ainda assim o Estado é o proprietário de várias empresas importantes.

        Então eu mantenho a minha posição de que Thatcher cria um espantalho.

        “A grande discussão sobre as ideias de Thatcher X o estado de bem-estar social é matemática: a conta tem que fechar. É o que está na pauta de outro artigo que você comentou “A AURORA NÓRDICA PARA O CAPITALISMO”.”

        Para a conta fechar precisa haver receitas sustentáveis e suficientes para financiar os gastos. Responsabilidade fiscal não tem nada haver com gasto ou impostos, mas sim com a relação entre a carga tributária e o gasto público. Um país pode possuir baixa carga tributária ou baixo gasto público e alta dívida pública, ou ele pode possuir alta carga tributária e alto gasto público e baixa dívida pública. O mesmo vale para o déficit.

        O que o modelo nórdico demonstra e é algo sobre o qual eu comentei é que um Estado de Bem-Estar Social generoso pode existir dentro de uma situação de baixa dívida pública, baixo déficit e alta sustentabilidade. Thatcher e seus seguidores parecem não saber disso.

        “Quanto à crise da Inglaterra pré Thacher ser por causa do choque do petróleo, discordo. A consequência das contas públicas desarranjadas já se manifestava com força antes do choque do petróleo e agravou-se mais com ele.”

        Eu realmente não me importo com a sua discordância, é um fato histórico que as crises dos anos 70 e início dos 80 tiveram como principal causa as crises do petróleo.

        Como eu já disse várias vezes o período do pós-guerra foi um de maior crescimento econômico para a Inglaterra e o mundo desenvolvido. Agora, podemos discutir se o menor crescimento desde Thatcher foi inevitável por causa disso e aquilo, mas o fato é de que o período do pós-guerra a despeito dos sindicatos, empresas públicas e crescimento dos gastos sociais apresentaram alto crescimento econômico e significativos ganhos salariais para a classe trabalhadora. É fato também que grande participação de empresas públicas (Singapura e China), altos níveis de sindicalização (Escandinávia) e alto nível de gastos sociais (Escandinávia, Áustria e etc.) não são em si prejudiciais para uma situação de maior crescimento e menor desemprego, entre outros resultados econômicos favoráveis.

        O que também é fato é que mesmo que houvesse bagunça nas contas da Inglaterra, as políticas de Thatcher não eram a única ou nem necessariamente a mais inteligente maneira de arrumar a casa. Como eu já disse não há nenhuma necessidade de desmantelar o Estado de Bem-Estar Social para se atingir sustentabilidade e responsabilidade fiscal, não que eu ache que Thatcher tenha feito isso, eu até acho que ela queria, mas a realidade política não a permitiu.

        “Thatcher tem defeitos? Certamente. Mas sua ação criou as condições para a recuperação da Inglaterra. Isto é inegável.”

        Não, isso é bastante negável. Todos os países se recuperaram daquela crise, inclusive aqueles que por aquele momento não tiveram uma Thatcher. Eu estou aberto a possibilidade de algumas das reformas dela terem sido necessárias, mas eu rejeito a ideologia dela como forma de maximizar o bem-estar dos mais pobres e da maioria da sociedade.

      • Questões Relevantes
        05/27/2015

        Ferraro, a síntese é a seguinte: se a pessoa tem a democracia, esta democracia republicana, como valor fundamental, ela é de centro ou de direita. Não há compatibilidadade nenhuma entre o marxismo, ou o marxismo-leninismo ou o maoismo com os fundamentos da democracia.

        Se a pessoa vê a democracia como uma etapa a ser superada, ela está na esquerda, extrema esquerda ou extrema direita.

        Estabelecido este ponto, e dentro da democracia, tudo pode e deve ser discutido. Penso que todos deveriam estudar mais e melhor os modelos da Noruega, Canadá e Alemanha, com ênfase para os dois primeiros.

  4. Andreyk
    04/27/2015

    Debate? Pensei que era uma conversa no parquinho, entre duas crianças. Argumentação rasa e superficial, coisa típica do rapaz dono do blog.

    • Questões Relevantes
      04/27/2015

      Esta é a argumentação típica de quem não tem argumentos. Não aponta uma única inconsistência. Não apresenta qualquer argumento lógico. É o legítimo pombo jogando xadrez. Já deixo avisado: o nível do debate aqui é outro. Este tipo de comentário não será mais publicado.

  5. gio hibridd
    04/26/2015

    muita merdinha no meio do texto. querem a real nua e crua ai vai: marx era um bosta falso e hipócrita. Torrou o dinheiro da sua herança de seu rico pai que recebeu sem trabalhar, depois torrou o dinheiro da sua mulher que vinha de familia rica…….. Quando acabou a farra e a grana, saiu e abandonou sua familia. Foi viver que nem vagabundo. virou trabalhador ? que nada, só manipulava o povão….nao aguentou o tranco e logo procurou seu amiguinho rico ENGELS para ser sustentado por ele, mais ou menos como fazem os petistas de hoje que só mamam sem fazer força ou trabalhar. Era judeu mas odiava seu povo. Falava em socialismos mas dizia que russos eram lixo…Flava mal de negros e chegou certa feita a concordar com o exterminio de povos indígenas…ALÉM DE ABANDONAR A MULHER, AINDA A TRAIU COM A EMPREGADA E TEVE UM FILHO BASTARDO QUE ELE FEZ DE TUDO PARA ESCONDER. Depois de sair de casa, nunca mais cuidou nem proveu seus próprios filhos, DEIXANDO OS NA MISÉRIA TOTAL. Falava em socialismo mas só pensava em si mesmo, nem pra família deu bola…tres filhos dele cometeram suicídio..acho que preferiram isso a viver com este lixo. Com os pais e parentes, Marx não foi menos egoísta. As heranças de parentes ricos foram avidamente devoradas e mal administradas por ele, que se dizia economista. Por ocasião da morte do pai, Heinrich, de câncer no fígado, não compareceu ao enterro porque “não tinha tempo a perder”. Por conta disso, a mãe, Henriette, cortou relações com ele e, saturada de pagar suas dívidas, advertiu, através de uma carta, o mimado filho parasita: “Você devia juntar algum capital em vez de só escrever sobre ele!” Até sua obra foi fraude: para “provar” que a evolução do capitalismo só ia piorar a vida dos trabalhadores, ele se apoiou nos dados dos Blue Books, relatórios anuais do Parlamento da Inglaterra. Quando Marx foi ver os relatórios, descobriu que, ao contrário do que ele estava dizendo, a condição social da classe operária tinha melhorado. Como os registros não comprovavam o que ele queria, ele usou os registros de trinta anos antes. E assim usou essa falsificação histórica na sua grande fraude “O Capital”.”
    De burro o Karl Marx não tinha nada, ele era um gênio para sua época capaz de levantar um exército de idiotas úteis que o seguiram até o fim de sua vida. Passou a vida inteira sendo sustentado por familiares e amigos. Um parasita na legítima definição do termo.
    .
    Marx era também um hipócrita. Enquanto ele escrevia com tanta simpatia aos homens que trabalham nas fábricas, a quem qualificava como escravos, o dinheiro com o qual ele vivia, da caridade de seu amigo Friedrich Engels, provinha justamente dos negócios de Engels em uma fábrica. Assim, os “escravos” sustentavam à família do vagabundo, enquanto ele coçava o saco.
    Engels recebia seu dinheiro de – fábricas de algodão! Sua família era dona de uma fábrica em Manchester, Inglaterra. O próprio Engels vivia do trabalho dos “escravos”, e o dinheiro que ele enviava ao seu amigo Karl Marx era a partir dos lucros da fábrica. Portanto, Karl Marx viveu da labuta dos trabalhadores das fábricas, enquanto lamentava seu destino e “pensava” em como ele deveria ser. A negligência para com sua esposa e filhos foi a pior doença que poderia ter se abatido sobre eles. Karl Marx era um parasita.
    Obrigar os filhos a suportarem a pobreza, a viverem na negligência, até morrerem por inanição, é coisa de mostro. Tanto Marx quanto sua esposa vieram de lares confortáveis. O que ele fez com sua família foi um ABUSO. Marx teve uma educação, uma vida confortável, proporcionada por seus pais, portanto tinha obrigação de trabalhar e prover sua família. Fosse um Homem de verdade teria alimentado seus filhos, assim como seu pai o sustentou.
    .
    Egoísta, preguiçoso, fracassado, vagabundo! LIXO!
    .
    É o que querem todos os esquerdistas, continuar sendo vagabundos, só que ganhando dinheiro. Os ditos comunistas não entenderam patavinas do que Marx escreveu (se é que a maioria deles LERAM o que Marx & Engels escreveram)
    .
    Quando eles justificam a vagabundagem de alguém, no fundo, estão justificando sua própria vagabundagem. É uma espécie de álibi.

    • Questões Relevantes
      04/26/2015

      Penso que seu comentário poderia ter o mesmo conteúdo com um pouco mais de polidez. Esta linguagem agressiva é desnecessária e não é usual neste blog.

  6. Emiliano Almeida
    02/04/2015

    Qual o link para a primeira parte?

  7. Victor Chamun
    01/25/2015

    Nunca é demais relembrar esse texto:
    ”Sempre que você vir ou ouvir uma pessoa parolando sobre desigualdade, faça a si mesmo a seguinte pergunta: será que ela está genuinamente preocupada com os pobres ou está apenas indignada com os ricos? Eis uma maneira de descobrir a diferença: sempre que alguém reclamar sobre a desigualdade de renda, pergunte a ela se aceitaria que os ricos ficassem ainda mais ricos se isso, no entanto, significasse condições de vida melhores para os mais pobres. Se a resposta for “não”, então ela está admitindo que está importunada apenas com o que os ricos têm, e não com o que os pobres não têm.”
    Lawrence W. Reed.

  8. Serapião Serpa
    12/15/2014

    Achei que tinha tuda a ver, que complementava bem este artigo. Segue texto do Paulo Briguet

    MILITANTE DO CAOS

    É o cara que se escandaliza com Bolsonaro, mas não vê problema algum em Graça Foster, em Dilma, em Lula.
    É o cidadão que se preocupa com os centavos da passagem de ônibus, mas ignora os milhões da Petrobras.
    É a moça que defende o aborto, mas considera a palmada um crime hediondo.
    É aquele que odeia os judeus e quer a destruição do Estado de Israel, mas faz campanha contra o racismo e xinga os adversários de nazistas.
    É aquele que acusa Bolsonaro de ser apologista do estupro, mas ignora o professor que defendeu o estupro de Rachel Sheherazade.
    É aquele que chama empresário de sonegador, mas aceita a maquiagem fiscal da Dilma.
    É aquele que protesta quando morre um traficante, mas festeja quando morre um policial militar.
    É aquele que não se importa em destruir a vida do adversário, se isso for importante para a causa.
    É aquele que passa a odiar sua cidade quando a maioria não vota em sua candidata.
    É aquele que chama o caso Celso Daniel de “crime comum”.
    É aquele que usa a expressão “ação penal 470” para se referir ao mensalão.
    É aquele que prega a estatização do financiamento eleitoral.
    É aquele que usa a palavra “estadunidense”.
    É aquele que tem uma grande simpatia pelos nanicos da linha auxiliar do PT.
    É aquele que não vê nada demais no fato de o PIB per capita da Coreia do Sul ser de 32 mil dólares e o da Coreia do Norte, de 1.800 dólares. Afinal, a Coreia comunista é mais igualitária.
    É aquele que apoia o movimento gay, mas também apoia o regime cubano, que já fez campos de concentração para homossexuais.
    É aquele que acredita em governo grátis, mesmo quando o País trabalha até maio só para pagar impostos.
    É aquele que odeia a censura, mas quer o controle social da mídia.
    É aquele que faz tudo para acabar com a família e a igreja, pois sabe que elas são os principais focos de resistência ao poder do Estado e dos movimentos sociais.
    No fundo ele sabe que o país está sendo saqueado, exaurido, violentado – mas diz que o problema é o Bolsonaro.
    É aquele que nunca perdoa.

    • lucemiro1405
      12/15/2014

      Bolsonaro é da base do governo da Dilma, é do PP. O governo Dilma é esquerda, segundo vcs…

      • Questões Relevantes
        12/15/2014

        O PT é o mais oportunista dos partidos de esquerda. Basta olhar a agenda do Gilberto Carvalho, Rui Falcão, José Dirceu e outros para identificar todos os vícios da esquerda.

    • Lucas
      01/07/2015

      Cara, numa boa, existe confusão absoluta neste texto. Comparar aborto a palmada? Regulação da mídia a censura? Coréia do Norte a comunismo? Comparar as atrocidades que defende o Bolsonaro a qualquer coisa defendida por qualquer um dos três que ele citou?
      Sério, ou você e esse Paulo acham que o pessoal da esquerda é absolutamente burro ou absolutamente mal intencionado. Em qualquer dos casos, isso é de um simplismo absurdo.
      Leia um pouco mais sobre essas questões, pare de usar um pouco o senso comum e talvez você mude de ideia, talvez argumente um pouco melhor os pontos de vista. A ridicularização é importante, mas apenas pra questões que já deveriam ser “ponto pacífico” (racismo, machismo etc), o aborto e palmada (por exemplo) não fazem parte delas.
      Uma pequena observação. No meio em que eu vivo, eu conheço pessoas que são “ex-direita”, mas “ex-esquerda” ainda não conheci. Normalmente o processo de transição vem com estudo dos dois lados, leitura dos dois lados e um mínimo de simpatia pelo ser-humano.
      Abraço.

      • Questões Relevantes
        01/07/2015

        Lucas, a reflexão contida no texto do Paulo Briguet é pertinente e, ao contrário de você, reconheço nele virtudes.

        Quanto ao final de seu comentário, a lista de ex-esquerdistas tem nomes interessantes como Paulo Francis, Millôr, Nelson Motta e Reinaldo Azevedo.

        Por último, apenas para constar, seu comentário não aponta nenhuma inconsistência no texto do post, apenas discordâncias a um dos comentários.

  9. lucemiro1405
    12/15/2014

    No que vc se refere a existir um culto de Marx, eu concordo com vc. De fato, a esquerda universitária marxiana faz culto a Marx, como faz esse Ruy Fausto. Fausto persegue o herege Paulo Arantes, o herege Zizek, Safatle e outros, assim como condena o regime da Coreia do Norte por sujar a pureza de seu santo Marx, que só pertence a eles, marxianos sem prática da universidade. Para eles, devemos sempre ficar ruminando Marx, para esses “ruminantes de Marx”.

    • Questões Relevantes
      12/15/2014

      Por tudo que li de Ruy Fausto até hoje, ele merece todo meu respeito e admiração. É um verdadeiro intelectual.

      • lucemiro1405
        12/15/2014

        Eu só vejo um marxiano bobo que morre de inveja do Paulo Arantes.

      • Questões Relevantes
        12/15/2014

        Ai já entramos num território que não me interessa, o da fofoca acadêmica.

  10. lucemiro1405
    12/15/2014

    Chutados nada. Apenas na colonização da América foram 200 milhões de mortos entre índios e negros. Depois a partilha da Africa e Asia tb implicou em mortes massivas, pois representou a mudança das culturas tradicionais para uma economia voltada para a atender a necessidades estrangeiras. Como no Brasil hoje, passou a existir fome em grandes plantações voltadas para o exterior.

    • Questões Relevantes
      12/15/2014

      Lucemiro, você nunca visitou uma “plantação voltada para o exterior”. Eu já. O que se vê é alta tecnologia, alta mecanização e alta produtividade. Não existe fome nenhuma.

      Quanto aos mortos, a esquerda começou a contá-los e atribuí-los ao “capitalismo” desde Adão e Eva.

      Para que a comparação seja minimamente justa, que tal contar ambas a partir de 1848, época da primeira publicação do Manifesto Comunista?

      Outro ponto: a grande crítica que se faz à esquerda é o número de mortos “educativos” da própria população, ou seja, mortos por pensarem diferente.

      • lucemiro1405
        12/15/2014

        Você é que não sabe! Existem trabalhadores morrendo de exaustão em plantaçoes de nada em SP, fora os casos de escravidão e execução de líderes como o de Cleomar, da liga dos camponeses pobres (MST governista pfui. já era). Eu já os vi trabalhando até no domingo, na região de Lagoa da Prata.

      • Questões Relevantes
        12/15/2014

        Lucemiro, não duvido que haja exploração. Mas a produção em larga escala é tecnológica e utiliza pouca mão de obra. Quanto a estas afirmações de trabalhadores morrendo de exaustão em plantações, principalmente em São Paulo, é muito pouco provável. Se nas fronteiras agrícolas, como o Tocantins, há fiscalização do ministério do trabalho e ministério público, imagine em São paulo.

  11. lucemiro1405
    12/15/2014

    Não existe aurora e sim decadência nórdica do capitalismo e eu já li esse artigo seu. Esses países são sócios menores do imperialismo, tanto que há tropas norueguesas e suecas no Afeganistão.

    Na Rússia e outros países há grande debate sobre esses assuntos. Há algum tempo, uma exposição oficial do governo ucraniano sobre a grande morte por fome incorporou fotos da fome na Rússia e até mesmo famintos americanos da grande depressão.
    Seu grande problema é que você desconhece seu objeto, Paulo. O PT e a esquerda reformista querem apenas gerenciar o sistema, não implodi-lo. De fato, a esquerda maoista como o mepr e os anarquistas é que propõe não estabelecer relação alguma com o estado corrupto e latifundiário que está aí. E redunda em prisões, tais como a de Igor Mendes. Sininho está foragida.

    • Questões Relevantes
      12/15/2014

      Lucemiro, tenho pensado muito esta questão e cada vez mais vejo que a democracia é incompatível com o marxismo, que por sua vez é o eixo de ação dos vários ramos da esquerda.

      Há vários artigos no blog que tratam desta questão – e as ações bolivarianas do PT apenas reforçam minha tese.

      • lucemiro1405
        12/15/2014

        A democracia, com a crise, mais e mais está sendo pouco interessante para O CAPITALISMO.

      • Questões Relevantes
        12/15/2014

        Lucemiro, o Capitalismo talvez possa prescindir da democracia, mas as sociedades em que ele é mais pujante não aceitariam a mudança. Quanto maior o grau de evolução das democracias liberais, com crise ou sem crise, menos provável é algum tipo de totalitarismo prosperar. A resistência será enorme.

      • lucemiro1405
        12/15/2014

        Bolivarianismo é social-democracia, é nacionalismo. Não é marxismo, tolinho.

      • Questões Relevantes
        12/15/2014

        Eu sei, marxismo é ainda pior. O bolivarianismo é só o caminho.

      • lucemiro1405
        12/15/2014

        O próprio Chávez chamou Cuba de ditadura, renegou o marxismo leninismo e propôs o socialismo cristão.

      • Questões Relevantes
        12/15/2014

        Chávez foi se tratar em Cuba, lembra? Financiou Cuba com dinheiro e petróleo durante quase todo o seu governo. Era amigo de fé e irmão camarada de Fidel e Raul Castro. Há médicos e soldados cubanos na Venezuela até hoje. Digamos que os atos desmintam as palavras.

  12. lucemiro1405
    12/15/2014

    Não veja quase nada em comum na esquerda que segue Mao com a esquerda europeia que segue Gramsci. Esse Bobbio é outro autor que vc mitifica. Essa desculpa dos milhões de mortos do socialismo é falso. As democracias liberais causaram milhões de mortos na America, Africa e Asia e vc não menciona.

    • Questões Relevantes
      12/15/2014

      Lucemiro, há ao menos dois erros básicos em seu raciocínio. Os milhões de mortos atribuídos ao capitalismo são números “chutados” pela esquerda e distribuídos de maneira difusa pela “América, África e Ásia”. Já os mortos da esquerda são números oficiais dos próprios países socialistas e se referem a mortos da própria população que morreram executados ou por fome proposital. Não entram nestas estatísticas oficiais os mortos em guerras externas.

  13. lucemiro1405
    12/14/2014

    Paulo: justiça seja feita, vários países capitalistas estão quebrados na Europa e os USA estão em crise.

    • Questões Relevantes
      12/15/2014

      É verdade. A crise dos EUA foi uma falha do sistema, que foi corrigida e o país já está em recuperação. Sobre países europeus, embora haja diferenças caso a caso, dê uma olhada no artigo A AURORA NÓRDICA PARA O CAPITALISMO. O link é este: :
      http://goo.gl/H3Nzhj

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