96-Bolsonaro-e-a-homofobia quadrado

Há pessoas que fazem um mal evidente à democracia e ao bom-senso, como Jair Bolsonaro. Ele é uma espécie de avesso (na forma, não na função) do também folclórico Jair Meneguelli do PT, que anda em silêncio embolsando uma graninha lá no SESI, mas quando falava também “causava”. Outro que podemos citar como exemplo de antípoda falastrão é o atual presidente do PT, Rui Falcão. No entanto, pode-se dizer que os três, cada um à sua maneira, trabalham a favor de quem gosta de uma ditadura.

Mas voltemos ao primeiro, que é hoje o principal “garoto propaganda” da esquerda brasileira, desempenhando um papel de “paradigma da direita”, o que é absolutamente falso*.

ESTE É O TIPO DE PESSOA QUE DEFENDE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL.

Em um debate do qual participei, uma “pós-doutorada” das Ciências Sociais, Simone Wolff, titular da cadeira na UEL, fez a afirmação acima usando Jair Bolsonaro como referência. Comprei a briga. Segue abaixo um trecho do debate:

Paulo: Eu, por exemplo, defendo. Acredito que a Inglaterra tem uma legislação adequada neste ponto, uma vez que o mal perpetrado à vítima não muda sua natureza em função da idade do agressor. O fato de um idiota como o Bolsonaro defender a redução não me iguala a ele, da mesma forma que as ações do assassino em massa Stalin não a igualam a ele, embora ambos estejam no mesmo lado do espectro político.

Socióloga: Uma correção: Stalin estava do lado do autoritarismo populista manipulador. Em síntese, estava ao lado dele apenas.

(Quanto à maioridade penal) Não existe natureza criminosa. Isto é psicopatia e exceção. A regra é a miséria e profunda desigualdade social que geram violência, o que é um truísmo sociológico. Criminalizar a vítima é que é hediondo. Ir contra os direitos humanos aproxima um (certo) tipo de gente, sim.

Paulo: Sua argumentação é falha em cada premissa. Não vou nem falar de Stalin agora**, vamos ficar só com a maioridade penal.

1) “Não existe natureza criminosa. Isto é psicopatia e exceção”.

Aqui, seu comentário já refuta a primeira afirmação, ou seja, mesmo sendo exceção, existe.

2) “A regra é a miséria e profunda desigualdade social que geram violência, o que é um truísmo sociológico”.

O que você considera uma obviedade eu considero apenas preconceito. Aqui, seguindo sua lógica, deveríamos ter a maioria dos que vivem na condição de “miséria e desigualdade social” agindo como criminosos, o que não acontece e já desmonta a tese. Além disso, a grande maioria das vítimas está na mesma “classe social”.

Outro ponto: se o crime é resultado da “miséria e profunda desigualdade social “, que diferença faz a idade de quem o comete? Este raciocínio leva ao beco sem saída de que a “miséria e profunda desigualdade social” legitimam ações criminosas. É uma leitura primária do conceito de “luta de classes”.

3) “Criminalizar a vítima é que é hediondo. Ir contra os direitos humanos aproxima um (certo) tipo de gente, sim”.

Vamos lá. Um jovem de 16 anos mata a facadas um colega de classe. Pela sua tese, não há culpados, não há criminosos, apenas duas vítimas. Quanto ao “Ir contra os direitos humanos”, cito o DICIONÁRIO DE POLÍTICA, de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino no verbete DEMOCRACIA: (…) “a única forma de Democracia compatível com o Estado liberal, isto é, com o Estado que reconhece e garante alguns direitos fundamentais, como são os direitos de liberdade de pensamento, de religião, de imprensa, de reunião, etc, é a Democracia representativa ou parlamentar”.

Ou seja, o que você chama de direitos humanos é considerado uma conquista da democracia liberal, que inclui a social democracia. Não há tais direitos em governos que avançam na agenda da esquerda.

MUDANÇA DE FOCO.

Deste ponto em diante, a socióloga muda o assunto do debate da “Maioridade Penal” para “os males do neo-liberalismo”. Para que não fique demasiadamente longo, publicarei a segunda parte do debate em outro artigo.

Notas:

* Sobre o “paradigma de direita”, sugiro ler:

ESQUERDA x DIREITA: A TEORIA DAS GAVETAS OU COMO NÃO CHAMAR URUBU DE “MEU LÔRO”.

http://goo.gl/jJ5uFC

** Sobre a questão das afirmações da socióloga sobre “Stalin”, este artigo cai como uma luva:

A ESQUERDA E OS CAMINHOS QUE SE BIFURCAM.

http://goo.gl/bQL5kY

Artigo de Paulo Falcão.

Aviso sobre comentários: Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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