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A AURORA NÓRDICA PARA O CAPITALISMO

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Publicado em 15 de julho de 2013 | por Adrian Wooldridge

Trinta anos atrás Margaret Thatcher transformou o Reino Unido no centro mundial onde “pensava-se o impensável”. Hoje essa peculiaridade pertence à Suécia. As ruas de Estocolmo estão lavadas com o sangue de vacas sagradas. Os think-tanks do país nórdico estão cheios de novas idéias. O antigo campeão da “terceira via” agora está perseguindo um tipo de política muito mais interessante.

A Suécia reduziu as despesas públicas em relação ao PIB de 67% em 1993 para 49% nos dias atuais. Em breve poderá ter um Estado menor do que o britânico. Também diminuiu o todo de imposto de renda em 27 pontos percentuais desde 1983, agora em 57%, além de livrar-se de um ninho de impostos sobre propriedade, transmissão de bens, patrimônio e herança. Esse ano diminuiu o imposto sobre lucros de 26.3% para 22%.

A Suécia também vestiu a camisa-de-força de ouro da ortodoxia fiscal, prometendo gerar um superávit fiscal ao longo do ciclo econômico. A dívida pública foi reduzida de 70% em proporção ao PIB em 1993 para 37% em 2010, e seu orçamento saiu de um déficit de 11% para um superávit de 0,3% no mesmo período. Isso permitiu que um país com uma pequena economia aberta se recuperasse rapidamente da tempestade financeira de 2007-08. Além disso a Suécia colocou seu sistema previdenciário em uma base sólida, substituindo um sistema de benefício definido por um sistema de contribuição definida, implementando um ajustamento automático em relação a um aumento da expectativa de vida.

Mais impressionante ainda, a Suécia introduziu um sistema universal de vouchers escolares e convidou escolas privadas pra competir com escolas públicas. Companhias privadas também competem entre si pra prover serviços de saúde e asilos custeados pelo Estado. Anders Aslund, um economista sueco que vive nos Estados Unidos, espera que a Suécia seja a pioneira de um “novo modelo conservador”; Brian Palmer, um antropologista americano que vive na Suécia, preocupa-se com a possibilidade do país se transformar em um “Estados Unidos da Sueçamérica”.

Não há dúvida de que a revolução silenciosa da Suécia trouxe uma mudança dramática em sua performance econômica. As duas décadas após 1970 foram um período de declínio: o país foi rebaixado do quarto mais rico do mundo em 1970 para o décimo quarto mais rico em 1993, quando o sueco médio tornou-se mais pobre do que o inglês ou o italiano médio. As duas décadas após 1990 foram um período de recuperação: o crescimento do PIB entre 1993 e 2010 teve uma média de 2,7% ao ano, enquanto a produtividade alcançou uma média de 2,1%, comparado a uma média de 1,9% e 1% respectivamente dos outros 15 membros da União Européia.

Durante a maior parte do século XX a Suécia se orgulhou de oferecer o que Marquis Childs chamou – em 1993, no seu livro homônimo – de “Middle Way” (caminho do meio) entre o capitalismo e o socialismo. Companhias globais como a Volvo e a Ericsson criavam riqueza enquanto burocratas esclarecidos construíam o Folkhemmet, ou “a casa do povo”. Com o passar das décadas, o caminho do meio inclinou-se mais para a esquerda. O governo não parava de crescer: os gastos públicos em proporção ao PIB quase dobraram de 1960 a 1980, atingindo o pico de 67% em 1993. Impostos continuavam subindo. Os Sociais Democratas (que governaram a Suécia por 44 anos ininterruptos de 1932 a 1976 e durante 21 dos 24 anos entre 1982 a 2006) continuaram a sufocar as empresas. “A era do neo-capitalismo está chegando ao fim”, disse Olof Palme, o líder do partido em 1974. “Em algum tipo de socialismo está a chave para o futuro”.

Outros países nórdicos têm seguido na mesma direção da Suécia, ainda que mais devagar. Dinamarca possui um dos mercados de trabalho mais liberais da Europa. Além disso, também permite que pais enviem seus filhos para escolas privadas com dinheiro do governo equivalente ao valor de seus custos na escola pública, dado que os pais complementem a diferença de preço. A Finlândia está cultivando as habilidades de seus capitalistas de risco e de seus investidores anjos para promover inovação e empreendedorismo. Noruega, rica em petróleo, é uma exceção parcial a esse padrão, mas até lá o governo está se preparando para seu futuro pós-petróleo.

Isso não quer dizer que os nórdicos estão rasgando seus antigos modelos. Eles continuam a orgulhar-se da generosidade de seus Estados de bem-estar. Por volta de 30% de sua força de trabalho está no setor público, duas vezes mais do que a média dos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, um think-tank de países desenvolvidos. Eles continuam a acreditar na combinação de economias abertas com investimento público em capital humano. Mas o novo modelo nórdico agora começa com o indivíduo ao invés do Estado. Começa com responsabilidade fiscal ao invés de estímulos fiscais e monetários extravagantes: todos os quatro países nórdicos tem nota de crédito AAA e um montante de dívida muito abaixo da média da zona do euro. Começa com escolha e competição ao invés de paternalismo e planejamento central. O índice de liberdade econômica do Fraser Institute, um think-tank canadense, mostra a Suécia e a Finlândia se aproximando dos Estados Unidos (veja gráfico). O tropeço pra esquerda se reverteu: ao invés de avançar o Estado sobre o mercado, os nórdicos estão avançando o mercado sobre o Estado.

imagem 2 - gráfico comparação
Por que os países nórdicos estão fazendo isso? A resposta óbvia é que eles alcançaram o limite do tamanho do governo. “O nosso Estado de Bem-estar é excelente em diversas formas”, diz Gunnar Viby Mogensen, um historiador dinamarquês. “Só tem um pequeno problema, nós não temos como pagar por ele”. A tempestade econômica que balançou todos os países nórdicos no começo da década de 90 proporcionou uma amostra do que estaria por vir se eles não corrigissem seu modelo.

Há duas razões menos óbvias. O velho modelo nórdico dependia da habilidade de um conjunto de grandes companhias de gerar dinheiro suficiente pra sustentar o Estado, mas essas companhias estão sendo encolhidas pela concorrência global. O antigo modelo também dependia da vontade da população de aceitar direções vindas de cima, mas a população nórdica está se tornando mais exigente.

O pequeno é poderoso

Os países nórdicos têm em conjunto uma população de apenas 26 milhões. A Finlândia é o único que é tanto membro da União Européia quanto da zona do euro. A Suécia está na União Europeia, mas não aderiu ao euro e possui um regime de câmbio flutuante. A Dinamarca, também, está na União Européia e fora da zona monetária, mas sua moeda está em paridade com o euro. A Noruega permanece fora da União Européia.

Mas há uma forte razão pra prestar atenção nesses pequenos países na borda da Europa. A primeira é que eles chegaram primeiro ao futuro. Eles estão lidando com problemas que outros países também terão que lidar no devido tempo, tal como o que fazer quando você atinge o limite do crescimento do governo e como organizar a sociedade quando praticamente todas as mulheres estão na força de trabalho. E os nórdicos estão encontrando soluções altamente inovadoras que rejeitam as surradas ortodoxias da direita e da esquerda.

A segunda razão é que o novo modelo nórdico está provando ser muito bem sucedido. Os nórdicos dominam índices de competitividade assim como de bem-estar. Suas altas notas em ambos aspectos marcam uma grande mudança desde os anos 80, na época em que o bem-estar tinha preferência sobre competitividade.

Os nórdicos têm bom desempenho em duas áreas onde competitividade e bem-estar podem se reforçar mutuamente: inovação e inclusão social. O BCG, como o Boston Consulting Group prefere ser chamado, dá a todos eles notas altas em seu índice de e-intensity, que mede o impacto da internet nos negócios e na sociedade. Booz & Company, outra consultora, diz que grandes companhias frequentemente testam seus produtos em mercados nórdicos porque seus consumidores estão sempre dispostos a tentar coisas novas. Os países nórdicos estiveram a frente na introdução das redes de celular nos anos 80 e no padrão GSM nos anos 90. Hoje eles estão novamente a frente na transição para o e-governo e para a economia sem dinheiro físico. Os nativos gostam de contar vantagem dizendo que podem pagar seus impostos por torpedo de celular. O correspondente que escreve essa matéria desistiu de trocar libras para moedas locais porque tudo, desde táxi até café pode ser pago com cartão.

Os nórdicos também tem um forte precedente na exploração dos talentos de sua população inteira, com exceção talvez de imigrantes. Eles tem a maior taxa de mobilidade social do mundo: e uma comparação entre oito economia avançadas feita por Jo Blanden, Paul Gregg e Stephen Machin, da Londo School of Economics, eles ocuparam os primeiros quatro lugares. A Inglaterra e os Estados Unidos ficaram por último. Os nórdicos também tem taxas excepcionalmente altas de participação de mulheres na força de trabalho: na Dinamarca 72% das mulheres trabalham, em comparação com 79% dos homens.

Moscas na sopa

Esse relatório especial vai examinar a maneira com que os governos nórdicos estão atualizando sua versão do capitalismo pra lidar com um mundo mais difícil. Fazendo isso eles liberaram uma grande quantidade de criatividade e se tornaram líderes mundiais em reformas. Empreendedores nórdicos estão dispostos de forma como não se via desde o começo do século XX. Artistas e escritores nórdicos – assim como chefs e designers de jogos – estão atravessando uma renascença criativa.

O relatório também vai adicionar alguns avisos. As crescente diversidade das sociedades nórdicas estão gerando tensões sociais, mais notoriamente na Noruega, onde Anders Breivik matou 77 pessoas em um ataque motivado por questões raciais em 2011, mas também em um nível mais mundano diariamente. A Suécia especialmente está tendo dificuldades de integrar sua grande população de refugiados.

imagem 3 - isso pode ser feito

O modelo nórdico ainda é um trabalho em progresso. As três forças que obrigaram os países nórdicos a se reformarem – recursos limitados, globalização acelerada e crescente diversidade – estão ganhando impulso. Os nórdicos terão que continuar a atualizar seu modelo, mas eles também terão que lutar pra manter aquilo que os torna distintos. Lant Pritchett e Michael Woolcock do Banco Mundial, cunharam o termo “chegando à Dinamarca” para descrever modernizações bem sucedidas. Esse relatório irá sugerir que o truque não é apenas chegar à Dinamarca, mas se manter lá.

A última advertência é sobre aprender com o exemplo nórdico, o que outros países estão corretamente tentando fazer. O Reino Unido, por exemplo, está introduzindo “escolas livres” ao estilo sueco. Mas transferir esses experimentos é problemático. O sucesso dos nórdicos depende da sua longa tradição de boa governança, que dá ênfase não só na honestidade e transparência mas também no consenso e no acordo.

Aprender com a Dinamarca pode ser tão difícil como permanecer lá.

// Tradução de Leonardo Tavares Brown. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo original

Sobre o autor

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Adrian Wooldridge

Adrian Wooldridge é economista, doutor em filosofia pela Oxford University e autor da coluna ‘Schumpeter” para a revista The Economist.

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4 comentários em “A AURORA NÓRDICA PARA O CAPITALISMO

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  2. Ferraro
    05/26/2015

    Algumas coisas aí…

    Embora a Suécia tenha diminuído a sua carga tributária e principalmente os gastos públicos de forma significativa o gasto social do país continua o mesmo desde os anos 1990. Era o mais alto então e agora é alto ainda, mas não o mais alto. Lembrando que o gasto social é o que financia o Welfare State a parte dos gastos com educação. O mesmo é verdade para vários países que cortaram gastos públicos, mas mantiveram ou aumentaram os níveis de gastos sociais, mostrando que houve um corte de excessos e mais economia da máquina pública.

    Dinamarca e Finlândia por outro lado viram fortes aumentos em seus gastos sociais pelas décadas. Noruega tem tido o mesmo gasto social desde a década de 1980 como a porcentagem do PIB, o que significa que o valor absoluto aumentou junto com o crescimento econômico.

    Dinamarca possui o mercado de trabalho mais flexível da Europa, se não do mundo, mas há também o que é provavelmente o mais generoso sistema de segurança social do mundo instalado para amparar os trabalhadores. É o sistema de flexiguridade que mistura a flexibilidade laboral que permite os indivíduos perseguirem contratos livremente no mercado com a seguridade social de um importante Welfare State. É extremamente eficiente na Dinamarca onde se encontra em sua plenitude. Baixo desemprego, aliado com alto crescimento econômico e ao mesmo tempo todas as vantagens de um Estado de Bem-Estar Social generoso. O modelo dinamarquês é um tanto único neste sentido, mas se podem fazer generalizações sobre o modelo nórdico.

    Esping-Andersen, estudioso sueco, classificou os países escandinavos como Estados de Bem-Estar sociais social-democratas por causa do alto nível de desmercantilização. Procurando fazer uma classificação qualitativa que levava em conta o nível de mercantilização dos sistemas sociais e não apenas um ranking sobre as porcentagens de gastos sociais Esping-Andersen classificou os Welfare State em três mundos, são eles o liberal (países anglo-saxônicos com os EUA como arquétipo), corporativistas ou cristãos democratas (Europa Continental com a Alemanha como arquétipo) e Social-Democrata (Escandinávia com Suécia como arquétipo), mais tarde outros autores adicionariam o Desenvolvimentista (Leste Asiático como Japão e Coréia do Sul). Claro que Esping-Andersen admite que essas classificação não deve ser levada em termos absolutistas como se houvessem muros intransponíveis entre os diferentes modelos e eles não se misturassem quando na verdade existem diferentes elementos de todos os modelos em todos eles.

    Desde esse trabalho de estudo comparativo de Welfare States que marcou a literatura do assunto muita coisa mudou, inclusive o Welfare State nórdico que teve que se adaptar há várias crises, mas que de alguma forma manteve a mesma essência.

    O sucesso nórdico alia uma grande liberdade individual com um Estado prestador de serviços a população através de um claro contrato social. O Estado de Bem-Estar Social nórdico é desenhado para libertar os indivíduos de tradicionais laços como a igreja, família e a caridade.

    De qualquer forma, com baixíssimos índices de homicídios, baixos níveis de encarceramento, baixíssimo índice de mortalidade infantil, altos índices de bem-estar infantil, baixa taxa de pobreza relativa, baixos níveis de desigualdade, e pouca privação material, entre outros indicadores, os países escandinavos se destacam como a região mais desenvolvida do mundo. Contribui o governo limpo, transparente e eficiente típico da região e que é destacado em vários rankings sobre o assunto, idem para os altos níveis de confiança social.

    Em relação ao sistema de voucher na Suécia, é verdade que o Estado sueco privatizou o seu sistema educacional e agora a maioria dos suecos frequentam escolas particular naquele país, mas os alunos ainda recebem do governo o dinheiro necessário para financiarem seus estudos e todas as escolas são em algum nível reguladas pelo governo também, mas isso não foi um sucesso. A Suécia sai muito mal no PISA, que é a avaliação educacional internacional feita pela OCDE, sempre aparecendo aparece entre os últimos do mundo desenvolvido no ranking produzido pela organização, enquanto a Finlândia que manteve um sistema educacional totalmente público possui a melhor pontuação do Ocidente no PISA. Então a lógica de mercado nem sempre funciona como esperado ainda mais em se tratando de educação e saúde (basta ver a confusão ineficiente que o sistema por lucro de seguros dos EUA é em comparação com outros sistemas públicos nos países desenvolvidos).

    As reformas liberais nos países nórdicos não estão imunes a inúmeras dúvidas, embora tenham sido necessárias para preparar essas sociedades a melhor se integrarem a economia global e financeira da mais recente etapa do capitalismo, e apesar delas não terem descaracterizado os sistemas de bem-estar social desses países que continuam generosos, eficientes e conectados aos direitos sociais inerentes a cidadania desses países. As desigualdades na Suécia, por exemplo, aumentaram mais rapidamente do que em qualquer outro país na OCDE desde os anos 90, mas como a base de desigualdade da Suécia era extremamente baixa o país continua a ser um dos países menos desiguais do mundo. É de se perguntara a que ponto cortar as máximas alíquotas do imposto de renda, feito comum nos EUA e na Europa pelas últimas décadas, e cortar impostos sobre propriedade e patrimônio (o tipo de imposto mais eficiente segundo especialistas) e sobre heranças não é só uma forma de propiciar aumentos na desigualdade e não na eficiência tributária ou crescimento econômico, então essas coisas precisam ser vistas com mais cuidado do que em geral são.

    Ainda sim o modelo nórdico é impressionantemente eficiente em entregar quase tudo que se poderia esperar de uma boa governança. Licenças paternidades servem a ambos os pais e compreendem mais de um ano, o que permite aos pais poderem tomar a decisão de terem filhos enquanto trabalham, e o sistema de educação infantil universal de qualidade também ajuda. Também há os cuidados com idosos que é percebido pelas sociedades nórdicas como uma obrigação primariamente reservada ao Estado de Bem-Estar social e não aos familiares. Ao se focar no cuidado com crianças e idosos o Welfare State nórdico libera as mulheres que antes se ocupariam de cuidar desses dois grupos para trabalharem mais, daí a alta participação feminina no mercado de trabalho nórdico, e também permite a mulheres com carreira a escolherem serem mães com maior facilidade, daí a maior taxa de natalidade nos países nórdicos em comparação com o Sul da Europa. A educação infantil ajuda a criar um campo de oportunidades mais iguais porque como já estabelecido por inúmeros estudos a desigualdade educacional como conseqüência da desigualdade social das famílias começa na primeira infância e o sistema de creches de qualidade ajuda a contrabalancear isso. Sistemas previdenciários foram reformados para não se consistirem em grandes fardos ao Estado nos países nórdicos, o que torna esses sistemas extremamente sustentáveis, tão sustentáveis quanto o Welfare State liberal, e muito mais sustentável do que muitos Welfare States cristãos democratas na Europa continental que possuem problemas orçamentários devido aos gastos previdenciários. Da Escandinávia um alto número de novas patentes é registrado, sendo que per capita é maior do que até os EUA e isso mostra como a economia daqueles países é inovadora e se voltou para a produção tecnológica como demonstrado pelos maiores níveis de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento. Uma população de alto capital humano graças aos sistemas de educação e saúde públicos eficientes contribuem para essa economia. A Escandinávia é a região com o maior nível de sindicalização do mundo, por isso que embora não haja leis de salários mínimos os sindicatos são capazes de negociarem salários e benefícios por suas categorias altos o suficiente para se formar um mercado de consumo interno importante.

    Por fim o autor do texto está correto em relação a excelente situação fiscal dos países nórdicos. Extremamente baixas dívidas públicas, muito mais baixas que a da maioria dos outros países ricos e mais baixa até do que muitos países em desenvolvimento como o Brasil, e orçamentos sem déficits ou com déficits administráveis, isto é, menores do que o crescimento econômico. O Modelo nórdico é a garota dos olhos de sociais-democratas pelo mundo todo e eu não me furto de me declarar como um desses sociais-democratas, pois ele prova que altos gastos sociais financiando um Estado de Bem-Estar Social compreensivo e generoso não são irreconciliáveis com responsabilidade fiscal, eficiência econômica e competência governamental. Se isso é Esquerda, Centro, Direita é irrelevante, o ponto é que funciona.

    Não é dizer que não haja outros generosos Welfare States admiráveis como aqueles da Alemanha, Áustria, e Holanda, mas o brilho nórdico é único.

  3. Otavio Augusto Dantas Molitor
    12/12/2014

    O texto é bem escrito em diversos momentos, mostrando como os nórdicos têm um mercado livre e estimularam empreendedorismo e vêm diminuindo taxações com índices econômicos deslumbrantes, MAS o autor se contradiz em muitos pontos, ele faz defesas à modelos de esquerda, falando que os países nórdicos seguem entre capitalismo e socialismo, pendendo mais à esquerda, o que é falso, além disso ele fala que lá “Com o passar das décadas, o caminho do meio inclinou-se mais para a esquerda “, mas em seguida diz ” os nórdicos estão avançando o mercado sobre o Estado “, como é que pode, um governo de esquerda que diminui Estado e aumenta mercado? Enfim, na minha opinião, informativamente o artigo é bom, mas deixa a desejar nos momentos que o autor decide colocar interpretações pessoais.

    • Questões Relevantes
      12/12/2014

      Otavio, discordo de você. Ele vai e vem, mas sempre para exemplificar questões. Mas talvez você tenha razão e o autor seja vítima do medo de ser chamado de “direitista”…Penso que pode gostar deste outro artigo que responde bem algumas das questões que levantou: http://goo.gl/jJ5uFC

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