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A frase que dá título a este artigo foi retirada do texto publicado por Gustavo Chacra em seu blog no Estadão dia 01/07/2014 na esteira das reações das pessoas em geral e de seus leitores em particular ao assassinato de três jovens israelenses por radicais palestinos.

Acompanho Gustavo Chacra há anos e o considero uma das melhores e mais isentas fontes de informação e análise sobre as questões do Oriente Médio e vizinhos.

Especula pouco, e quando o faz, deixa claro suas dúvidas. Além disso, nos comentários de seus leitores frequentemente aparecem pessoas muito bem informadas que trazem boas contribuições. Mas há também os odiadores profissionais, como de resto vemos com frequência assustadora na internet .

Embora a questão abordada envolva um radicalismo muito além do que assistimos nos conflitos que pipocam no Brasil, é impossível não notar a semelhança no modus-operandi de quem aposta em semear vento para colher tempestades. A diferença é apenas de grau, e talvez, de oportunidade.

Segue o post do Gustavo Chacra.

O que vocês querem leitores extremistas pró-Israel e pró-Palestina?

Sinto muito leitor extremista, mas mesmo se você odiar os israelenses, eles continuarão existindo. Podem cometer mais milhares de atentados terroristas e lançar um milhões de foguetes vagabundos a partir de Gaza. Mas eles estarão lá, em Tel Aviv, em Haifa, em Jerusalém. E se você odiar os palestinos, sinto muito, mas eles continuarão existindo. Podem construir mais milhares de casas em assentamento na Cisjordânia, bombardear Gaza de Copa em Copa do Mundo e prender centenas de membros do Hamas. Mas eles estarão em Ramallah, Nablus e Jerusalém Oriental.

Vocês tem a opção de continuar se odiando para sempre. Haverá seus defensores. Tenham certeza. Com o tempo, claro, os maiores defensores de Israel serão os mais islamofóbicos. E os maiores defensores dos palestinos serão os mais antissemitas.

Para vocês, leitores extremistas, não interessa quem morre. Interessa quem é o algoz. Sua maior diversão é dizer que os israelenses são os maiores assassinos do mundo ou, do outro lado, que os palestinos são os maiores assassinos do mundo. Para você leitor extremista do lado palestino no Brasil, é uma vitória quando Israel bombardeia Gaza e morre uma criança. Você pode dizer e mostrar foto dos israelenses e dizer que eles são assassinos. E para você leitor extremista do lado israelense no Brasil, é uma vitória quando três jovens são mortos porque você pode chamar os palestinos de terroristas.

Suas narrativas são distintas e vocês nunca conseguirão convencer o outro lado.

Retomo. 

É óbvio que os discursos e práticas de ódio servem a causas, mas não à população. Certas bandeiras só permanecem tremulando quando sopra o vento da intolerância, da acusação e, principalmente, dos objetivos radicalmente inalcançáveis, como a eliminação da outra parte, por exemplo.

Não há virtude neste extremismo. No caso Judeus X Palestinos, saltam aos olhos os malefícios e nenhum possível benefício. Isto deveria bastar em uma abordagem racional da questão, mas racionalidade é artigo raro onde prospera o ódio.

Aos que costumam disfarçar a irracionalidade do próprio discurso com argumentos do tipo “Israel é o algoz porque tem poder desproporcional” proponho um exercício de imaginação: qual seria a atitude do Hamas para com Israel se o poder de fogo estivesse invertido? A única resposta honesta, a julgar por seu próprio estatuto, é que já teriam aniquilado todos os judeus da região. Isto justifica barbáries por parte de Israel? Não, evidentemente, apenas deixa claro que a lógica do “poder desproporcional” é falsa, embora o fato seja verdadeiro.

A única alternativa para acabar com a morte de inocentes é a paz e o reconhecimento mútuo dos estados Judaico e Palestino. A postura “luta de classes” ou “guerra santa” é apenas hipocrisia ou ignorância.

Deixo com vocês a sugestão de uma artigo correlato e premonitório:

O NAZISMO ANTES DO NAZISMO E A PREVISÃO DO COMUNISMO/SOCIALISMO COMO RELIGIÃO.

 

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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