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PARA EXTREMISTAS, NÃO INTERESSA QUEM MORRE, INTERESSA QUEM É O ALGOZ.

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A frase que dá título a este artigo foi retirada do texto publicado por Gustavo Chacra em seu blog no Estadão dia 01/07/2014 na esteira das reações das pessoas em geral e de seus leitores em particular ao assassinato de três jovens israelenses por radicais palestinos.

Acompanho Gustavo Chacra há anos e o considero uma das melhores e mais isentas fontes de informação e análise sobre as questões do Oriente Médio e vizinhos.

Especula pouco, e quando o faz, deixa claro suas dúvidas. Além disso, nos comentários de seus leitores frequentemente aparecem pessoas muito bem informadas que trazem boas contribuições. Mas há também os odiadores profissionais, como de resto vemos com frequência assustadora na internet .

Embora a questão abordada envolva um radicalismo muito além do que assistimos nos conflitos que pipocam no Brasil, é impossível não notar a semelhança no modus-operandi de quem aposta em semear vento para colher tempestades. A diferença é apenas de grau, e talvez, de oportunidade.

Segue o post do Gustavo Chacra.

O que vocês querem leitores extremistas pró-Israel e pró-Palestina?

Sinto muito leitor extremista, mas mesmo se você odiar os israelenses, eles continuarão existindo. Podem cometer mais milhares de atentados terroristas e lançar um milhões de foguetes vagabundos a partir de Gaza. Mas eles estarão lá, em Tel Aviv, em Haifa, em Jerusalém. E se você odiar os palestinos, sinto muito, mas eles continuarão existindo. Podem construir mais milhares de casas em assentamento na Cisjordânia, bombardear Gaza de Copa em Copa do Mundo e prender centenas de membros do Hamas. Mas eles estarão em Ramallah, Nablus e Jerusalém Oriental.

Vocês tem a opção de continuar se odiando para sempre. Haverá seus defensores. Tenham certeza. Com o tempo, claro, os maiores defensores de Israel serão os mais islamofóbicos. E os maiores defensores dos palestinos serão os mais antissemitas.

Para vocês, leitores extremistas, não interessa quem morre. Interessa quem é o algoz. Sua maior diversão é dizer que os israelenses são os maiores assassinos do mundo ou, do outro lado, que os palestinos são os maiores assassinos do mundo. Para você leitor extremista do lado palestino no Brasil, é uma vitória quando Israel bombardeia Gaza e morre uma criança. Você pode dizer e mostrar foto dos israelenses e dizer que eles são assassinos. E para você leitor extremista do lado israelense no Brasil, é uma vitória quando três jovens são mortos porque você pode chamar os palestinos de terroristas.

Suas narrativas são distintas e vocês nunca conseguirão convencer o outro lado.

Retomo. 

É óbvio que os discursos e práticas de ódio servem a causas, mas não à população. Certas bandeiras só permanecem tremulando quando sopra o vento da intolerância, da acusação e, principalmente, dos objetivos radicalmente inalcançáveis, como a eliminação da outra parte, por exemplo.

Não há virtude neste extremismo. No caso Judeus X Palestinos, saltam aos olhos os malefícios e nenhum possível benefício. Isto deveria bastar em uma abordagem racional da questão, mas racionalidade é artigo raro onde prospera o ódio.

Aos que costumam disfarçar a irracionalidade do próprio discurso com argumentos do tipo “Israel é o algoz porque tem poder desproporcional” proponho um exercício de imaginação: qual seria a atitude do Hamas para com Israel se o poder de fogo estivesse invertido? A única resposta honesta, a julgar por seu próprio estatuto, é que já teriam aniquilado todos os judeus da região. Isto justifica barbáries por parte de Israel? Não, evidentemente, apenas deixa claro que a lógica do “poder desproporcional” é falsa, embora o fato seja verdadeiro.

A única alternativa para acabar com a morte de inocentes é a paz e o reconhecimento mútuo dos estados Judaico e Palestino. A postura “luta de classes” ou “guerra santa” é apenas hipocrisia ou ignorância.

Deixo com vocês a sugestão de uma artigo correlato e premonitório:

O NAZISMO ANTES DO NAZISMO E A PREVISÃO DO COMUNISMO/SOCIALISMO COMO RELIGIÃO.

 

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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58 comentários em “PARA EXTREMISTAS, NÃO INTERESSA QUEM MORRE, INTERESSA QUEM É O ALGOZ.

  1. Questões Relevantes
    08/30/2016

    Um passeio instrutivo pela História:
    http://www.mapsofwar.com/ind/imperial-history.html

  2. Eduardo
    08/22/2016

    É importante deixar claro que muçulmanos têm enorme dificuldade em reconhecer o quanto suas posições são extremistas. Veja este exemplo, com uma bem educada cidadã americana, em uma universidade americana:

    • Questões Relevantes
      08/22/2016

      Obrigado pela contribuição.

  3. Sandra Regina
    07/21/2016

    Os israelenses mataram um homem com uma Sniper por entender que ele era um homem-bomba. Os muçulmanos, de imediato, pegaram o corpo para protestar pela injustiça. Mas não era exatamente injusto. No fim, morreram inocentes do mesmo jeito.

    • Questões Relevantes
      07/21/2016

      Obrigado pela contribuição.

  4. Ferraro
    05/26/2015

    O problema é que é Israel quem possui todo o poder e é Israel quem impede um Estado Palestino. Isso não é uma opinião, mas uma observação dos fatos.

    O Hamas faz um desserviço enorme para a população palestina quando ataca Israel porque é mais do que óbvio que seus ataques serão ineficazes e o único efeito deles será a morte de palestinos em uma grande quantidade. O que o Hamas pretende? Eu não sei, pode ser manter popularidade entre os palestinos (a popularidade do Hamas tende a subir depois de ataques de Israel) na esperança de que virá o dia em que ele poderá ter um Estado para administrar ou empurrar os israelenses para o início de um genocídio contra a população palestina e dessa forma estimular todos os árabes e muçulmanos do mundo a uma guerra total contra Israel para limpar o país do mapa, ou simplesmente ganhar apoio suficiente da comunidade internacional para que o Estado Palestino seja criado. Vai saber.

    O argumento sobre o que Hamas faria não faz sentido. Sim, o Hamas falava sobre a destruição de Israel, mas isso é o grito do sem poder. Quando você está no chão sendo chutado na face você não é exatamente racional e empático em relação ao sujeito que está te chutando e cuspindo em você. Por outro lado se você é o sujeito metendo o pé no cara no chão você pode ter o luxo de não matá-lo e evitar ser preso pelo crime.

    Se Israel fosse cometer um genocídio as consequências não seriam boas para Israel. Certamente todos os países árabes mandariam exércitos para dar batalha contra Israel, talvez até mesmo todos os países muçulmanos do mundo. Não só isso, mas provavelmente as populações de países europeus forçariam os seus governos a fazerem o mesmo. A comoção seria imensa e Israel teria que lidar com o exército de uns cem países ao mesmo tempo. Os EUA provavelmente conseguiriam ficar neutros, já que eles não poderiam ficar ao lado de Israel contra todos os seus outros aliados no mundo árabe e no Ocidente.

    É muito mais fácil para Israel evitar esse cenário de horror e simplesmente manter as coisas como elas estão.

    É preciso compreender que Israel é sim o invasor ali e não a ONU não possuía o direito de dar a terra dos outros, e não, a perseguição dos cristãos europeus aos judeus não é problema de árabes e muçulmanos, mas esqueçamos isso. Sabe o que mais a ONU fez? Prometeu um Estado aos palestinos. E isso não aconteceu. A ONU, organização da qual a existência de Israel se baseia, não reconhece o atual território de Israel. Grande parte de Israel é uma ocupação ilegal de acordo com a ONU. Povos invadidos possuem o direito moral de resistirem ao seu agressor? Eu acredito que sim, independente de quem seja o invasor ou invadido.

    Aí passamos para o tempo recente e atual. Por que a solução de dois Estados falada há décadas não acontece? Porque Israel não quer, em fato Israel continuou a aumentar a sua ocupação ilegal. Porque isso? Porque Israel acertadamente ou não percebe um Estado Palestino como uma ameaça, e eu tenho que admitir que um Estado Palestino seja sim um risco a segurança de Israel. O problema na minha visão é que os interesses dos palestinos também tem que ser levados em conta.

    Qual é o resultado? O resultado é nada. O resultado é que como o atual primeiro-ministro de Israel falou tão claramente não haverá um Estado Palestino. Acabou. É impossível. Os israelenses não aceitarão porque eles temem a possibilidade de guerra contra um futuro e militarmente capaz Estado Palestino ou que os palestinos possam de imediato começar a soltar foguetes em cidades povoadas assim que eles passarem a dividirem as fronteiras de 1967 com Israel. Além do mais o custo político para o governo de Israel obrigar parte dos seus cidadãos a recuar de suas casas e com eles recuar as fronteiras do próprio país é ridículo. É impossível. Por conta própria sem uma pressão internacional tão ou mais forte do que aquela que o governo racista da África do Sul sofreu para cessar com o regime de apartheid o Estado de Israel não permitirá a criação do Estado da Palestina.

    Isso quer dizer que os israelenses são monstros e os palestinos santos? Claro que não, isso é só mais um capítulo de ódio e opressão na história humana. A geopolítica é quem decide os algozes e as vítimas e não o caráter dos indivíduos e nesse caso os algozes são os israelenses e as vítimas os palestinos, já que são os primeiros e não os segundos impedindo a criação do Estado do outro.

    Então não é questão de ser extremista, mas de reconhecer a realidade. Os israelenses é quem controlam o fluxo daquele conflito, são eles e apenas eles que podem fazer a solução de dois Estados acontecer e são eles que a estão impedindo há décadas. Agora, se a solução acontecesse isso iria significar que não haveria mais problemas? Claro que não, mas pelo menos com uma muralha e algumas tropas da ONU e muita conversa e terapia nós poderíamos chegar algum dia a paz, mas antes disso os palestinos não podem continuar a viver no limbo ou em uma prisão de céu aberto.

    Enquanto um movimento mundial de força não for infligido contra Israel os palestinos não conseguirão um Estado e infelizmente eu não acho que tal movimento nascerá enquanto os israelenses não fizerem algo realmente atroz contra os palestinos como matarem centenas de milhares em apena uma incursão.

    Obviamente que eu sou a favor da existência do Estado de Israel. Ele devia ter sido construído na Alemanha e França como pagamento pelos crimes de guerra contra os judeus, mas as coisas não foram assim e atualmente há um Estado com uma população com uma língua em comum e outros elementos culturais que formam uma nação também. A questão não é a existência do Estado de Israel, mas do Estado Palestino que hoje parece ser um sonho longínquo.

  5. Serapião Silva
    07/28/2014

    É sempre curioso observar como a esquerda releva as ações terroristas do Hamas, seja nos comentários na internet, seja nos sites de partidos e grupos de esquerda, seja na maior parte da cobertura jornalística, que tem sempre uma atitude “simpática” para com o que consideram “o oprimido” . Me parece que as limitações naturais da ideologia marxista, com seu raciocínio limitado pelo padrão binário explorador/explorado, opressor/oprimido, burguês/proletário levam a um alinhamento automático com qualquer ato que lhes pareça uma oposição ao explorador-opressor-burguês, e/ou aos judeus e/ou aos EUA (são a mesma coisa para estas mentes simplórias), mesmo que sejam atos infames como utilizar crianças como escudos humanos.

    O artigo abaixo é mais uma excelente reflexão, dura mas ponderada, sobre estes labirintos da ética bifásica. E os fatos relatados jamáis foram desmentidos.

    Ignomínia
    por *Denis Lerrer Rosenfield no Estadão.

    Certa cobertura jornalística e posições de determinados governantes, aí incluindo a diplomacia brasileira, deveriam fazer parte de uma história da ignomínia. Versões tomam o lugar de fatos, a ideologia vilipendia a verdade e terroristas são considerados vítimas inocentes.

    Os episódios protagonizados pela ONU em Gaza deveriam escandalizar qualquer pessoa sensata. Em duas de suas escolas foram encontrados foguetes, ali depositados pelos grupos jihadistas. Supõe-se que lá não tenham chegado sozinhos, mas contaram com a explícita colaboração de funcionários da própria organização internacional. Trata-se de uma clara violação da lei internacional.
    Curiosamente, a ONU não quis fornecer as fotos desses foguetes, pois elas teriam forte impacto midiático, mostrando o pouco-caso do Hamas com crianças e mulheres que diz, para a imprensa internacional, defender. Ou seja, a organização fez o jogo do terror, pretendendo, porém, apresentar-se como neutra. Ademais, posteriormente entregou os mesmos foguetes às “autoridades governamentais”: o próprio Hamas!

    Nada muito diferente do que aconteceu na guerra passada. Durante semanas fomos bombardeados com manchetes de que uma sede da ONU teria sofrido bombardeio das Forças Armadas de Israel. Mentira deslavada. A própria organização demorou, no entanto, 30 dias para fazer o desmentido. Como assim?
    O desmentido apareceu um mês depois nas páginas internas de jornais, como uma pequena notícia irrelevante. O estrago midiático foi feito com a colaboração da própria ONU.

    Quando digo que o Hamas só se preocupa com a vida de crianças, idosos e mulheres ao falar para a imprensa internacional, refiro-me apenas a um fato. Em seu estatuto essa organização terrorista prega abertamente a “educação” das crianças para a “guerra santa”, inculcando na mente delas que devem estar preparadas para o martírio. Várias lideranças do Hamas também têm dito claramente que utilizam mulheres e crianças como “escudos humanos”, embora sua apresentação seja, evidentemente, a do combate pelo Islã, em que vidas devem ser sacrificadas. Por que não é dada divulgação a esse fato?
    As Forças Armadas israelenses são cuidadosas do ponto de vista da preservação de vidas humanas. Telefonam e enviam mensagens às populações das áreas que serão bombardeadas. Mas o Hamas impede que essas pessoas possam escapar, com o intuito de produzir o maior número de vítimas civis, que logo serão filmadas e fotografadas. E essas são as imagens utilizadas para a formação da opinião pública mundial. É macabro!

    O terror caracteriza-se por não ter nenhuma preocupação com a vida dos civis. Assim é com os mais de 2 mil foguetes lançados contra o Estado de Israel. Assim é com os comandos que foram enviados para assassinar a população civil dos kibutzim próximos à fronteira. Assim é com os palestinos que se tornam reféns e vítimas dessa estratégia terrorista.
    O Hamas mistura-se à população civil, usa escolas, mesquitas, instalações da ONU e hospitais como esconderijos de armamentos e bases de ataque. Seus dirigentes máximos estão alojados num bunker num hospital na cidade de Gaza. Vivem também em seus túneis, inacessíveis para a população civil, que lá poderiam proteger-se.

    O estatuto do Hamas é um claro libelo antissemita, que busca pura e simplesmente a destruição do Estado judeu. “Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o faça desaparecer, como fez desaparecer a todos aqueles que existiram anteriormente a ele.”

    Seu alvo são os judeus e os cristãos. Aliás, estes últimos já são as vítimas do terror por organizações jihadistas na Síria e no Iraque. Assim está escrito: “Fazei o bem e proibis o mal, e credes em Alá. Se somente os povos do Livro (isto é, judeus – e cristãos) tivessem crido, teria sido melhor para eles. Alguns deles creem, mas a maioria deles é iníqua”.

    Para eles, os judeus fazem parte de uma grande conspiração internacional, à qual terminam associando também os cristãos. Utilizam para tal fim um livro antissemita do século 19, forjado pela polícia tzarista, para justificar o massacre de judeus. Eis o estatuto: “O plano deles está exposto nos Protocolos dos Sábios de Sião, e o comportamento deles no presente é a melhor prova daquilo que lá está dito”. Mais clareza impossível, porém alguns teimam em não ler. É a miopia ideológica.
    Enganam-se redondamente os que dizem que o Hamas procura a negociação. Para ele, “não há solução para o problema palestino a não ser pela Jihad (guerra santa)”, isto é, o extermínio dos judeus.

    Israel aceitou todas as propostas de cessar-fogo, relutando mesmo em empreender a invasão terrestre. O que fez o Hamas? Não cessou o lançamento de foguetes e rompeu todas as tréguas. Aliás, foi coerente com seus estatutos: “Iniciativas de paz, propostas e conferências internacionais são perda de tempo e uma farsa”.
    Nesse contexto, falar de “desproporcionalidade” na resposta militar israelense revela desconhecimento ou má-fé. O país não poderia continuar vivendo sob o fogo de foguetes, como se aos judeus estivesse destinado viver debaixo da terra, em abrigos subterrâneos. Aliás, essa é uma boa distinção entre Israel e o Hamas: os abrigos são para os civis, enquanto em Gaza são para os terroristas.
    Observe-se que todos os recursos do Hamas são canalizados para treinamento militar, construção de túneis (agora de ataque) e compra de armamentos e foguetes. O resultado está aí: a miséria de sua população.

    As manifestações pró-Hamas em Paris tiveram a “virtude” de mostrar sua natureza antissemita, em que se misturam declarações contra o capitalismo, morte aos judeus e ataque a sinagogas. Tiveram, por assim dizer, o “mérito” da coerência.
    Esse setor da esquerda se associa ao terror, expondo toda a sua podridão. Será que certos setores da esquerda brasileira estariam trilhando também esse caminho da ignomínia?
    *Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS

    • Questões Relevantes
      07/29/2014

      Como iniciei o artigo citando um post do Gustavo Chacra, acredito ser oportuno somar os comentário acima este outro artigo:

      Perguntas e Respostas para entender como os palestinos veem Israel
      por GUSTAVO CHACRA
      Terça-Feira 29/07/14

      1. Os árabes não aceitaram a criação de um Estado judaico em 1947 na ONU?
      Verdade. Mas, em 2011, a Palestina buscou reconhecimento como país não membro na Assembleia Geral da ONU dentro das fronteiras pré-1967 (Cisjordânia. Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental). Todos os países árabes, e a maior parte das nações do Mundo votaram a favor, indiretamente reconhecendo Israel no restante do território. Israel votou contra com o argumento de que as fronteiras devem ser negociadas em um acordo bilateral.

      2. A Palestina não reconhece Israel?
      Mentira. A OLP (Organização Para a Libertação da Palestina) reconhece desde os anos 1990 com os acordos de Oslo. E Israel reconhece o direito a um Estado palestino desde a mesma data. O Hamas não integra a OLP.

      3. Mas o Hamas prega a destruição de Israel?
      Verdade. Está na carta de fundação do grupo. Mas líderes da organização já indicaram que aceitam a Palestina apenas dentro das fronteiras de 1967. Além disso, o Hamas, meses atrás, aceitou apoiar um governo tecnocrático que reconhece a existência de Israel. Mas dois pontos devem ser levados em conta – o Hamas tem um histórico de traição, como vimos ao apoiar rebeldes na Síria contra Bashar al Assad, que os defendeu por anos. E o Hamas, hoje, não tem condição de destruir nem um quarteirão de Israel. Para completar, há membros do governo israelense que não aceitam o direito de a Palestina existir.

      4. Os países árabes não reconhecem Israel?
      Em termos. Todos os países da Liga Árabe ofereceram, em 2002, estabelecer relações diplomáticas com Israel caso o país voltasse para as fronteiras de 1967, reconhecidas pela ONU. Israel não aceitou e prefere negociar com a Autoridade Palestina (Avigdor Lieberman, chanceler de Israel, porém, acha boa a opção de negociar com a Liga Árabe). A proposta ainda está na mesa e tem o apoio dos EUA. Vale lembrar que Egito e Jordânia têm relações diplomáticas com Israel e o Qatar e Omã, entre outros, possuem relações comerciais. No caso egípcio, hoje o regime do Cairo talvez seja o maior aliado de Israel no mundo. Mais até do que os EUA. A Arábia Saudita seria outro importante aliado na questão iraniana.

      5. E o Irã, a Turquia (que não são árabes) e o Hezbollah, reconhecem Israel?
      A Turquia, sim. Inclusive, é um histórico aliado militar israelense. Mas, no atual governo de Erdogan, adotou uma postura radical a favor dos palestinos, inclusive do Hamas, deteriorando as relações dos dois países, embora sem rompimento de relações diplomáticas. O Irã era próximo de Israel até a queda do xá, em 1979. Mas depois virou o maior inimigo. Até pouco tempo atrás, o regime de Teerã era o maior patrocinador do Hamas. Quando o Hamas traiu Assad na Síria, o Irã se distanciou, embora mantenha uma proximidade com o braço militar. O Hezbollah também rompeu com o braço político do Hamas, mas voltou a se aproximar do braço militar, conhecido como Brigadas Qassam. Mas o Irã e o Hezbollah tomam cuidado para não irritar Assad no apoio ao Hamas.

      6. A Palestina não reconhece Israel como Estado judaico?
      Verdade, nos últimos anos. Mas Arafat reconheceu. Abbas, de fato, não reconhece. Vale frisar que Netanyahu, neste seu segundo mandato (não no primeiro), é a primeira liderança israelense a fazer esta exigência em negociações com os palestinos. Até 2009, Israel não fazia esta reivindicação. Bastava reconhecer Israel como Israel. Os palestinos argumentam que esta é uma questão doméstica israelense e levam em conta os árabes cristãos e muçulmanos cidadãos de Israel que não concordam na maioria das vezes com o caráter judaico do Estado.

      7. Arafat rejeitou uma ótima proposta de Israel em 2000?
      Verdade e mais de uma de vez. Deve ser criticado por isso e hoje poderia haver paz na região. Mas Netanyahu rejeitou, por questões domésticas e um mal entendido no processo de negociação, uma proposta ainda melhor para Israel neste ano, em 2014, na qual o presidente palestino aceitava uma Palestina desmilitarizada e com tropas americanas na Cisjordânia por anos e com a transição da segurança para tropas da OTAN comandadas pelos EUA. Segundo os EUA, Israel foi responsável pelo fracasso nas negociações ao não libertar a quarta leva de prisioneiros palestinos e anunciar a construção de mais casas em assentamentos (Israel retruca dizendo que estas casas seriam em assentamentos que ficarão no lado israelense em um acordo final).

      8. Palestinos são fanáticos radicais islâmicos?
      Mentira. Há palestinos fanáticos e radicais islâmicos, como os membros do Hamas. Mas a maior parte dos palestinos é muçulmana sunita, sem ser religiosa. Yasser Arafat, por exemplo, era casado com uma cristã e batizou a filha. Aliás, há palestinos cristãos e estes sempre estiveram na vanguarda do movimento palestino. A prefeita de Ramallah, capital da Autoridade Palestina, é cristã. A de Belém, também é mulher e cristã. George Habash, um dos maiores líderes históricos palestino, era cristão. Edward Said, maior intelectual palestino, era cristão. Hanan Ashrawi, também histórica líder palestina e uma das maiores críticas de Israel, é cristã. Todos os líderes religiosos cristãos da Terra Santa se identificam como palestinos. Normalmente, eles reclamam da ocupação israelense, que recentemente incorporou terras de famílias cristãs tradicionais de Beit Jala e Belém, na Cisjordânia. Em Gaza, por outro lado, houve crescimento na perseguição a cristãos. Como curiosidade, praticamente não existem xiitas palestinos.

  6. Prabhu Ribeiro
    07/26/2014

    Será que está no sangue do povo Israelita causar genocídio ?Vamos começar pela História antiga: O povo Judeu já começa causando genocídio em nome de um Deus vingativo a qual chamavam de javé ,pelo Rei Davi, que é admirado pelos religiosos fundamentalistas Cristãos em todo o mundo. Depois eles, o povo Judeu, assassinam o o seu maior Mestre Espiritual e compatriota, que era Judeu, que foi Jesus , O Cristo.Nem a Índia que é um pais de muitas religiões politeístas , seus compatriotas e seguidores assassinam seus Mestres Espirituais, basta ver Buda por exemplo que viveu e difundiu sua doutrina livremente na ìndia. Mas alguns podem dizer : aahhh! Mas na Índia, assassinaram MAHATMA GANDHI !!! como argumento. Mas MAHATMA GANDHI não era um Mestre Espiritual , era um político religioso que libertou seu país do julgo Inglês com a Doutrina do AHIMSA E SATYAGRAHA. Continuando a História, vem as amargas lições do nazismo de Hitler que o povo judeu sofreu, foram perseguidos e sofreram em Sorbibor, Treblinka e Auschwitz. Os Judeus que sobreviveram ao Holocausto ficaram vagando sem uma nação, só tendo esse direito com o apoio dos E.U.A . e de uma votação na ONU por um Diplomata brasileiro e que hoje as autoridades Israelitas chamam de anões diplomáticos. Valeu a pena essa votação diferenciada na ONU em 1947 ??? Não sabemos. Como se não bastasse as lições do passado, ganha um Estado novo no Oriente Médio ,toma grandes terras do povo Palestino e agora despeja seus míseis teleguiados para causar mais outro genocídio, relembrando os tempos passados ? Não sabemos. Alegam defesa jogando bombas em terras palestinas com a desculpa de que em cada família palestina escondem-se integrantes do Hamas. Não que não tenham o direito de se defenderem dos ataques do Hamas, eles tem esse direito, assim como qualquer país que sofra ameaças. E aí as autoridades Israelitas vem com a ironia e a fineza de dizer aos quatro ventos: AAAA HHHH !!!! mais nós avisamos antes as famílias palestinas que lançaremos as bombas e os mísseis para que o estrago não fique feio e dar tempo deles sairem de suas residências. Mas fica feio, porque morrem crianças inocentes, mulheres e civis indefesos. Além do mais os palestinos estão na sua pátria, em seus espaços que é de direito. Mas a teoria de que em cada família palestina existem integrantes do Hamas escondidos e as usam como escudos, continua. Boa justificativa para o massacre? Não sabemos. Só faltam eles dizerem que TODOS OS PALESTINOS, INCLUSIVE CRIANCINHAS E MULHERES INDEFESAS SÃO INTEGRANTES DO HAMAS. Aí vem a pergunta que não quer calar : Porque o mundo tem que justificar este genocídio ? Será que o mundo não se cansa das Guerras ??? Guerras sem justificativas, a não ser aquelas criadas pelos seus causadores, que tem seus interesses e são gananciosos. Os E.U.A são iguais aos os Israelitas, por isso os E.U.A. sempre o apoiam. O próprio E.U.A. na sua ãnsia de poder jogou desnecessariamente 2 bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki , causando um genocídio histórico e vergonhoso , que até hoje os efeitos colaterais continuam nas famílias japonesas. São os ” ais e gemidos ” ecoando por toda uma eternidade. Na época , jornalistas americanos perguntaram ao então Presidente Trumam se havia a nescessidade mesmo de jogar essas bombas em Nagasaki e Hiroshima, ao que o Presidente trumam respondeu: ” Se não lançarmos as bombas agora, nós os E.U.A. nunca mais teremos a oportunidade de mostrar ao mundo que somos a maior potência bélica do mundo “.
    Estará Israel seguindo o exemplo dos E.U.A em relação a Palestina ? Em alguns aspectos sim, já em outros não sabemos. Mas uma coisa é certa: . Os ” ais e gemidos ” continuam ecoando por toda uma eternidade e se possível em outros planos existencias daqueles que foram vítimas dessas terríveis ” Rosas de Hiroshima”. Não podemos mais tolerar terrorismos e nem esses abusos de Israel.

    • Questões Relevantes
      07/26/2014

      Prabhu Ribeiro, lendo seu comentário, fica a sensação de que você não leu nem mesmo o artigo principal, e muito menos os demais comentários. Se leu, não entendeu nada.

      Sua resposta é um exemplo de falta de equilíbrio na análise. Também destila antissemitismo e uma óbvia antipatia pelos EUA.

      Como temos repetido, não há lado bom nesta história, mas a paz estaria mais perto se pessoas como você abandonassem o ódio cego e o extremismo estéril. Nada de positivo pode brotar de seu discurso. No fim, você apenas reafirma o que o título do artigo diz: ao extremista pouco importam os mortos, desde que possam usá-los como bandeira contra o algoz.

      O Hamas não é a vítima. É tão algoz quanto os radicais israelenses.

  7. Alaíde Lima
    07/22/2014

    Não vejo vantagem em nenhum dos lados, só quem perde são inocentes que pagam com suas vidas, dá nojo de ver o noticiário. Será que essas pessoas que estão no poder não conseguem ver o sofrimento de ambos? eu não entendi até hoje pra que que servem as guerras, fico indagando toda vez que isso acontece, parece meio óbvio mais caem lágrimas quando vejo milhares de crianças e inocentes sendo sacrificados. Se é pra fazerem guerra, pq não atacam direto na ferida, no poder, pq as pessoas tem que sofrer punição por algo que não cometeram? Bem, como eu sei que minhas perguntas nunca vão ser esclarecidas só tenho a lamentar!!!

  8. Serapião Silva
    07/22/2014

    Mais uma contribuição preciosa de Gustavo Chacra para a racionalidade desta discussão. Segue:

    Desde quando israelenses e palestinos se odeiam?
    GUSTAVO CHACRA – Terça-Feira 22/07/14

    Por que israelenses e palestinos se odeiam tanto? Primeiro, que fique claro, palestinos e israelenses, apesar de divergências, conviviam bem até os anos 1980 e mesmo durante os 1990. Muitos habitantes de Gaza ou de cidades na Cisjordânia trabalhavam em Israel, assim como muitos israelenses visitavam as cidades e vilas palestinas para passear. Era comum […]
    Por que israelenses e palestinos se odeiam tanto? Primeiro, que fique claro, palestinos e israelenses, apesar de divergências, conviviam bem até os anos 1980 e mesmo durante os 1990. Muitos habitantes de Gaza ou de cidades na Cisjordânia trabalhavam em Israel, assim como muitos israelenses visitavam as cidades e vilas palestinas para passear. Era comum israelenses judeus e palestinos cristãos e muçulmanos serem amigos e colegas de trabalho.
    Conforme uma série de especialistas na região começou a frisar nos últimos tempos, esta convivência entrou em colapso com a separação entre os dois lados. No caso de Gaza, é ainda mais chamativo. Qualquer habitante de Gaza com menos de 20 anos dificilmente tem memória do que é Israel. E israelenses com menos de 20 anos entraram nos territórios palestinos apenas em ocupações militares (e, mesmo assim, em um número estatisticamente irrelevante).
    Sem esta convivência, as narrativas mais extremistas ganham força. Em Gaza, é fácil para o Hamas demonizar os israelenses porque os jovens palestinos nunca viram um pessoalmente. O contato deles com Israel se dá agora na invasão por terra ou por TVs e posts em redes sociais cadas vez mais radicais. O mesmo ocorre do outro lado. Israelenses não conhecem palestinos de Gaza. O contato deles com o território se dá através dos foguetes lançados pelo Hamas e também por posts radicais em redes sociais (basta ver aqui no Brasil a quantidade de bobagens e mentiras envolvendo o conflito aqui no Facebook e mesmo em grandes jornais).
    Quanto maior a convivência, maior a chance de paz. Basta observar como os árabe-israelenses, sejam eles cristãos ou muçulmanos, apesar de críticos de políticas de Israel, convivem bem com os vizinhos judeus e são integrados à sociedade israelense. Eles jamais lançariam foguetes contra Tel Aviv mesmo porque muitos vivem em Jaffa e em outras partes da cidade.
    O problema é que a falta de convivência, já no zero em Gaza, tende a crescer também na Cisjordânia, onde o contato dos palestinos com Israel cada vez mais se resume aos colonos, que representam a ala mais radical dos israelenses.

    http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/desde-quando-israelenses-e-palestinos-se-odeiam/?doing_wp_cron=1406033219.0060970783233642578125

  9. Sarah
    07/21/2014

    Relevo muitas coisas do Hamas, sim. Eles não tem um país e veem a sua própria população ter seus direitos mais básicos negados por um país vizinho. As únicas coisa que não relevo do Hamas são os ataques à civis e o fundamentalismo de alguns de seus líderes.

    • Maria Nienhaus
      07/24/2014

      Quem tem ou deixa de ter razao nessa barbaridade toda não interessa. O que me preocupa é ver inocentes pagando com suas vidas sem saberem porque.No meu ponto de vista isso é uma atitude de pessoas que já viveram milhões de anos, seculos e seculos, é uma mentalidade de um povo muito antigo.

      • Questões Relevantes
        07/24/2014

        Maria Nienhaus, acho que o artigo indicado pelo Serapião alguns comentários acima, com o título DESDE QUANDO ISRAELENSES E PALESTINOS SE ODEIAM? indica que a paz é possível, mas é sabotada por intolerantes de ambos os lados.

    • Jorge Ramalho
      07/25/2014

      Frase histórica de Golda Meir, ex primeira-ministra de Israel: “Nós podemos perdoar os árabes por matarem nossas crianças. Não podemos perdoar que nos forcem a matar suas crianças. Só teremos paz com os árabes quando eles amarem seus filhos mais do que odeiam a nós.”

      Depois da recente entrevista do porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, onde demonstra orgulho pelo uso de escudos humanos, fica claro que não era apenas retórica a afirmação de Golda Meir.

      • Questões Relevantes
        07/25/2014

        É uma verdade dolorida, que no entanto não atenua os excessos cometidos por Israel. Como temos defendido, há intolerantes irracionais dos dois lados, e eles conseguem manter acesa a chama do conflito apesar da maioria da população das duas etnias almejar a paz.

      • Sarah
        07/26/2014

        A artilharia do Hamas fica no meio da poulação civil, afinal eles não são um exército, não tem bunkers ou bases. Ainda assim quem joga as bombas sabendo que os ataques são ilegais (o Hamas não representa a Autoridade Palestina), e sabendo que essas bombas irão causar a morte de muitos civis, é o exército de Israel. Eles não tem o direito de fazer isso e não podem fugir da responsabilidade de seus atos, e é isso que (quase) todas as nações do mundo cobram deles: que assumam a responsabilidade do que fazem e que parem com esses ataques ilegais.

        Eu temo pelo futuro dos judeus a longo prazo. Israel tinha tudo pra construir um grande futuro quando ganhou um Estado de presente da ONU, mas boa parte dos judeus decidiu não compartilhar o país, escolheu se isolar em um sonho bíblico de um “estado judeu”, e preferiu continuar sem se misturar com os outros povos. Infelizmente parece que não aprenderam muito depois de terem passado por tanto sofrimento e preconceito ao longo de toda a história. As lembranças do holocausto já estão virando apenas mais uma página na história, as feridas já estão quase cicatrizadas, logo o mundo não vai mais sentir pena dos judeus por causa disso. Quando esse dia chegar eles vão estar completamente isolados, porque seus líderes (com algumas excessões) fizeram de tudo pra que isso acontecesse. Eu realmente não quero que isso aconteça, eu realmente espero que Israel seja capaz de mudar antes que seja tarde demais.

      • Questões Relevantes
        07/26/2014

        Sarah, concordo com seu desejo pelo entendimento, pela construção da paz. Mas me explique como se combate uma milicia armada, que lança dezenas de foguetes e bombas semanalmente sobre localidades israelenses e utiliza escudos humanos de forma declarada, chegando a ameaçar quem deixa suas casas?

        Não estou justificando a ação de Israel, apenas perguntando: qual a alternativa do ponto de vista bélico, do ponto de vista militar.

        Enquanto não houver uma condenação dura contra os métodos do Hamas, tanto quanto se tem condenado Israel, os radicais de ambos os lados continuarão vencendo, ou seja, continuarão tendo como justificar o arbítrio, a intolerância e o confronto.

      • Jorge Ramalho
        08/06/2014

        Segue uma frase que considero uma excelente síntese deste confronto e que certamente contribui para este debate: “A grande loucura do nosso tempo nessa questão está no fato de a lógica do terror — e suas estratégias — terem contaminado o juízo da diplomacia ocidental.

        Poucos se dão conta de que o que se pede a Israel, hoje, no terreno militar, é que atue menos, o que só se pode fazer à custa de mais vítimas israelenses. Que governo faria essa opção? É preciso negociar e pôr fim à incursão a Gaza? É, sim! Mas o que é que se vai exigir dos terroristas?” A frase é de Reinaldo Azevedo.

        Parabéns pelo artigo e pelo blog. É o melhor nível de debate sobre este tema que encontrei na internet.

  10. Raphael Santos
    07/14/2014

    O artigo chega a ser ingênuo ao sonhar com a perspectiva de paz em meio a tanta intolerância e ignorância de parte a parte, mas acerta na mosca ao apontar o oportunismo ideológico e/ou religioso dos que pregam o conflito. De qualquer maneira, achei oportuno compartilhar aqui esta dura resposta sobre o estrago que minorias intolerantes podem causar:

    • Questões Relevantes
      07/14/2014

      De fato, uma resposta bastante dura e verdadeira. Não isenta EUA e Israel de arbitrariedades e crimes em nome da segurança, mas mostra a dificuldade real de enfrentar-se este problema.

    • Questões Relevantes
      07/15/2014

      Este artigo reforça os argumentos centrais deste post e do vídeo também:

      GUSTAVO CHACRA
      Terça-Feira 15/07/14

      Por que o Hamas não aceitou o cessar-fogo proposto pelo Egito e aceito por Israel? Primeiro, porque o grupo possui uma série de divisões internas tanto entre as lideranças na Faixa de Gaza como entre eles e os líderes do grupo no exílio. Cada um deles tem um interesse político distinto que em grande parte das vezes não leva em consideração a situação dos palestinos.

      Em segundo lugar, o Hamas imaginou que as condenações da comunidade internacional jogariam a seu favor. Sem dúvida, até Israel concordar com o cessar-fogo, os israelenses vinham sendo condenados por uma reação considerada desproporcional por entidades como a ONU e mesmo governos aliados como Grã Bretanha e França. Até os EUA pediam ao governo de Benjamin Netanyahu para conter os ataques, que mataram mais de 180 pessoas, incluindo mulheres, crianças e bebês de colo, além de destruir inclusive hospitais.

      Mas Netanyahu aceitou o cessar-fogo, batendo de frente com membros extremistas de sua coalizão do governo, como Naftali Bennet e Avigdor Lieberman – o primeiro, inclusive, é contra a criação de um Estado palestino. Isto é, o premiê cedeu mais às pressões externas do que às pressões domésticas. Ao Hamas bastava concordar com o cessar-fogo e negociar os termos em 48 horas no Egito. Não aceitou e manteve o lançamento de foguetes em direção a Israel. Agora ficará mais difícil para a comunidade internacional condenar Netanyahu.

      Terceiro, de uma forma infantil, o Hamas tentará vender a ideia de que os israelenses cederam porque perderam o conflito. Seria uma busca de se posicionar como o Hezbollah depois da Guerra do Líbano em 2006. Mas o grupo libanês realmente possuía argumentos para vender uma ideia de vitória pois centenas de israelenses, inclusive muitos militares, foram mortos no conflito – claro, mais libaneses morreram e grande parte do país foi destruído nos bombardeios israelenses. O Hamas até agora parou no escudo de defesa de Israel.

      Quarto, o Hamas afirma que queria também o fim do bloqueio. Mas este argumenta não se sustenta para o cessar-fogo inicial. O fim do bloqueio deveria ser negociado no Cairo durante a trégua de 48 horas.

      Por último, algumas facções do Hamas até torcem por uma incursão por terra de Israel, apesar de saberem que isso multiplicará o número de mortos. O motivo? Nesta ação israelense, poderiam capturar um ou mais militares, como ocorreu com Gilad Shalit, e trocá-lo por palestinos presos em Israel.

      • Serapião Silva
        07/16/2014

        O Hamas e seus apoiadores são cumplices de cada morte de Palestinos e Judeus.

        Esta afirmação pode parecer estranha, mas é um fato. O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, em entrevista gravada para a Al-Aqsa TV confirma e se vangloria do uso de “escudos humanos” nos alvos dos bombardeios Israelenses. Aliás, é fato conhecido que as instalações do Hamas são sempre em escolas, mesquitas e hospitais.

        As esquerdas se unem a esta insanidade e aplaudem os foguetes diariamente lançados contra Israel, mesmo em tempos de paz. Sabe como é: os palestinos do Hamas representam os oprimidos que têm licença para matar, bombardear, roubar, invadir etc. Os oprimidos podem tudo.

        Para Sami Abu Zuhri e as esquerdas, quanto mais mortes, melhor o “simbolismo” do oprimido, maior a mídia, maior a exploração da desgraça. A paz não interessa à causa.

        É importante lembrar que Israel avisa com antecedência sobre os alvos que serão bombardeados, inclusive por telefone. Mas o Hamas considera fraqueza abandonar o alvo. E as esquerdas que os apoia também.

        Gustavo Chacra não diz diretamente, mas deixa nas entrelinhas que para o Hamas a população palestina e israelense é, literalmente, carne a ser sacrificada em nome de causas insanas.

    • Andrews abreu
      07/22/2014

      Discurso do ódio meu caro. Esse é mais um daqueles que apontam na direção de radicais, caçá-los e extermina-los a qualquer preço, mesmo que seja de uma criança indefesa atrás de uma mureta com seu pai sendo alvejados por tiros de fuzil por soldados preparados para guerra.
      Discurso do ódio, NÃO COMBINAM E NEM ENCONTRAM PAZ. Essa terra está infestada de pessoas que só pensam em retaliação, e essa palavra combina perfeitamente com ÓDIO!!!!

      • Questões Relevantes
        07/22/2014

        Andrews, o ódio já é uma realidade bem concreta. Falta construir a paz, e esta só e possível pela racionalidade, pela negociação, por ações não violentas. Como já disse, o ódio serve à causas, não às pessoas. Quem apoia o ódio é cúmplice intelectual da barbárie.

  11. Armando
    07/13/2014

    O debate entre os leitores aqui reproduz de maneira interessante a essência do que está dito neste vídeo. Vale à pena assistir: https://www.youtube.com/watch?v=daLF1AFs5AM

    • Questões Relevantes
      07/13/2014

      De fato, bem didático.

    • Sarah
      07/17/2014

      Esse vídeo está longe de ser uma boa fonte de informação, já que é extremamente tendencioso; Israel foi fundado como um Estado judeu, e mesmo para muitos israelenses ainda o é até hoje. O número de pessoas que são contra direitos civis aos árabes em Israel aumenta cada vez mais (tem várias pesquisas que mostram isso, não preciso postar links, uma busca no google resolve), e apesar de não ser um apartheid legal, Israel é praticamente um apartheid na prática (especialmente na Cisjordânia), e isso pode muito bem ser visto nos relatórios da Human Rights Watch (especialmente um chamado “Seperate and Unequal”).

      Não há como discordar que os países árabes tiveram uma péssima reação na criação de Israel em 1948, mas as pessoas “esquecem” que o plano para a criação dos Estados da Palestina e Israel foi completamente rejeitado pela Liga Árabe. Os vencedores da II Guerra usaram seu status de vencedores e o momento pós-guerra para criar um novo Estado no meio do Oriente Médio sem a aceitação das pessoas que já estavam lá. Foi uma decisão absurda e inaceitável do ponto de vista diplomático e legal. E o pior é que depois de toda a guerra o Estado da Palestina nunca foi criado, e foram raros os governos de Israel que apoiaram a criação desse Estado. Ao longo dos anos todos sabem o que aconteceu: Israel roubou cada vez mais território palestino, limitando muito o acesso deles à água e outros recursos (algo que se intensificou no governo de Sharon e Netanyahu).

      Obivamente que existem extremistas na Palestina, e que boa parte das lideranças do Hamas é fundamentalista e quer aniquilar Israel, criar um Estado islâmico da Palestina, e só atrapalham ou impossibilitam qualquer processo de paz. Mas Gaza é um gueto, as instituições dali praticamente não existem. A polícia de Gaza é o Hamas, o governo de Gaza é o Hamas, e as pessoas são reféns do Hamas; o Fatah não tem presença em Gaza. Por pior que seja o Hamas é a única forma de proteção às pessoas em Gaza. Os palestinos dali são mais que um povo sem pátria, são um povo sem soberania e dignidade, e Israel não ajuda para lhes garantir nem soberania ou dignidade, pelo contrário, os deixa cada vez mais dependentes dos seus recursos, e cada vez mais isolados e dependentes, justamente, do Hamas.

      Mas por pior que o Hamas seja nada justifica o exército israelense bombardear uma área residencial como Israel faz todas as vezes que ataca Gaza; isso pode muito bem ser caracterizado como genocídio e é, no mínimo, um crime de guerra. Acho surreal as pessoas aceitarem isso. É muito diferente quando o Hamas ataca Israel e quando Israel ataca Gaza; não digo isso apenas pela proporção, mas porque de um lado você tem uma nação com instiuições sólidas e de outro um grupo de extremistas porcamente armados em um gueto. Você não pode punir os civis palestinos pelas ações do Hamas, isso, por definição, é terrorismo.

      Falando do artigo agora, eu gostei muito do que li porque acho que nesse conflito o que mais interessa é a paz. A coisa já está tão feia que pouco interessa de quem é a culpa, quem começou, quem são os “vilões”, etc. É preciso ver o qual caminho cada lado do conflito deve seguir para que um processo de paz possa realmente acontecer. Se de um lado é indispensável que o Hamas encerre a luta armada e o fundamentalismo islâmico, do outro lado é preciso que Israel abra mão da ideia de Estado judeu e combata o fundamentalismo sionista (Israel e Palestina precisam ambos ser Estados laicos, senão uma paz será completamente impossível)

      Enfim, eu acredito, 80% (4/5) do conselho de segurança da ONU acredita, e muitos pacifistas israelenses também acreditam, que cabe a Israel liderar esses processo de paz. É Israel que tem a perder com um processo de paz, pois terá que devolver boa parte dos territórios ocupados, vai perder acesso a recursos importantes, e terá de conviver com um vizinho o qual oprimiu por várias décadas. Mas justamente devido ao fato dos palestinos não terem mais nada a perder é que Israel precisa abrir mão de muitas coisas se realmente quiser a paz. E é por isso que o mundo cobra mais deles que dos palestinos, porque eles têm recursos, soberania e influência para liderar o processo. Eu tento fazer a minha parte informando as pessoas, aderindo ao boicote à Israel (no sentido de forçar um processo de paz ou de, pelo menos, mudar de governo) e fazendo petições para que o nosso governo pare de financiar a indústria da guerra israelense. Mais do que isso eu não posso fazer.

      Desculpem-me pelo comentário longo, mas além dessa ser uma causa que acredito eu gostei do nível do debate aqui no site

      • Questões Relevantes
        07/17/2014

        Sarah, vamos por partes.
        O vídeo em questão pode merecer algum reparo, mas é essencialmente verdadeiro. Assim como outros que foram postados por leitores, inclusive com viés anti-Israel. São contribuições de leitores, como a sua.
        Você entendeu perfeitamente o ponto central do artigo: “A coisa já está tão feia que pouco interessa de quem é a culpa, quem começou, quem são os “vilões”, etc. É preciso ver o qual caminho cada lado do conflito deve seguir para que um processo de paz possa realmente acontecer.”
        De outro trecho, concordo com as afirmações e discordo da conclusão: “Gaza é um gueto, as instituições dali praticamente não existem. A polícia de Gaza é o Hamas, o governo de Gaza é o Hamas, e as pessoas são reféns do Hamas; o Fatah não tem presença em Gaza. Por pior que seja o Hamas é a única forma de proteção às pessoas em Gaza.” Veja, a última frase não faz sentido: seria muito melhor para todos ali de o Hamas não tivesse poder nenhum. A paz estaria muito mais próxima.
        Quanto à sua afirmação de que “é preciso que Israel abra mão da ideia de Estado judeu e combata o fundamentalismo sionista”, segue abaixo um artigo da BBC, assinado por Guila Flint sobre partidos árabes na democracia Israelense:
        Eleições em Israel: partidos árabes têm candidatos judeus
        Guila Flint, de Tel Aviv para a BBC Brasil
        Atualizado em 11 de janeiro, 2013
        Voto em Israel. AP
        Às vésperas das eleições em Israel, boa parte das atenções está voltada aos partidos majoritários de direita e centro que têm se revezado no comando do país. Partidos identificados com a minoria árabe lutam, no entanto, para angariar apoio. E parte dos votos que vão receber deverá vir de cidadãos judeus.

        Cerca de 20% dos cidadãos israelenses são árabes de origem palestina. Apesar do peso numérico, os três partidos identificados com essa fatia da população – o Hadash, o Balad e o Raam-Taal – têm hoje apenas 11 deputados entre os 120 que compõem o Parlamento.

        A expectativa desses partidos é aumentar sua presença no Knesset (como é chamado o Parlamento israelense). E não apenas com os árabes. Além de eleitores judeus, as listas também possuem candidatos judeus. Uma delas é a advogada judia Lea Tsemel, de 67 anos, candidata pelo partido Balad (Aliança Nacional Democrática). “Decidi apoiar o Balad e inclusive colocar meu nome na lista de candidatos pois acredito no principal slogan do partido, que é ‘um Estado para todos os seus cidadãos'”, disse Tsemel à BBC Brasil.
        A agenda do Balad é justamente incluir os árabes na agenda política do país. Boa parte da população de origem palestina não vai às urnas por razões políticas, porque não quer colaborar com o sistema político dominado pela maioria judaica.
        Outros acham que isso não irá melhorar suas condições de vida. Isso explica a alta abstenção árabe – apenas 52% deles votaram nas últimas eleições.
        Tsemel diz apoiar o Balad para fazer frente ao que chama de “racismo e fascismo que se fortalecem no país”. Ela faz referência à ascensão de partidos de ultradireita que tentam limitar os direitos da população árabe.
        “(Defendo) Um Estado nem judaico nem árabe, mas sim que seja de todos que aqui vivem”, disse a advogada e candidata.

        Participação política

        Apesar de representarem um quinto dos cidadãos do país, os partidos árabes geralmente não são levados em consideração na formação de coalizões governamentais e ficam à margem das principais decisões politicas.
        O líder do partido Raam-Taal, o deputado árabe Ibrahim Sarsur, é contra o boicote de grande parte da população árabe às eleições.
        “Se nos ausentarmos do Parlamento estaremos prejudicando os interesses da população árabe”, disse Sarsur à BBC Brasil.
        De acordo com Sarsur, nesta campanha eleitoral os três partidos árabes estão concentrando esforços para convencer os eleitores potenciais a irem às urnas.
        “Se conseguirmos aumentar o índice de participação de 52% (em 2009) para 70%, poderemos ter juntos mais de 17 cadeiras no Parlamento (em vez das 11 atuais) e seremos um bloco que o governo não poderá ignorar”, afirmou.
        Um dos eleitores convencidos a votar no partido de Sarsur é o jornalista judeu Haim Hanegbi, de 78 anos.
        “Meu voto no Raam-Taal é um voto contra o racismo”, disse Hanegbi à BBC Brasil. “Eles representam um povo inteiro que é deixado à margem da politica, banido e humilhado”.
        O terceiro grupo identificado com a população árabe é o Hadash (Frente Democrática pela Paz e Igualdade), uma frente que inclui vários movimentos, inclusive o Partido Comunista.
        Se as pesquisas se confirmarem, o Hadash deve ganhar quatro cadeiras no Parlamento e uma delas deverá ser de um deputado judeu, Dov Hanin, que ocupa o terceiro lugar na lista partidária.

        Resistência da direita

        Desde a fundação de Israel, em 1948, foram raros os casos nos quais os partidos árabes foram levados em consideração pelos governos.
        Um deles ocorreu em 1993, durante o governo do primeiro-ministro Itzhak Rabin, que necessitava dos votos dos partidos árabes para obter a aprovação do Parlamento ao Acordo de Oslo, que assinou com o líder palestino Yasser Arafat.
        “Naquela época nós votamos em favor do acordo de paz e, em troca, conseguimos que Rabin cancelasse algumas leis discriminatórias relacionadas à posse de terras de cidadãos árabes”, relatou o deputado Ibrahim Sarsur.
        Partidos de extrema-direita questionam a participação da população árabe nas eleições.
        Durante a gestão do Parlamento anterior, o partido Israel Beitenu, do ex-chanceler Avigdor Lieberman, tentou vincular o direito à cidadania a uma declaração por parte dos árabes de “lealdade ao Estado”.
        O projeto de lei não foi adiante, embora essa posição conte com simpatizantes dentro do próprio Likud, partido do primeiro-ministro Netanyahu, que, segundo as pesquisas, deverá ser reeleito.O projeto de lei não foi adiante, embora essa posição conte com simpatizantes dentro do próprio Likud, partido do primeiro-ministro Netanyahu, que, segundo as pesquisas, deverá ser reeleito.

      • Sarah
        07/17/2014

        “seria muito melhor para todos ali de o Hamas não tivesse poder nenhum. A paz estaria muito mais próxima.”

        Bem, vou explicar melhor porque acho que o que eu disse sobre o Hamas não foi entendido completamente. Existem crimes comuns em Gaza; e além do Hamas não existe outro grupo capaz de fazer o papel de polícia. Da forma como estão as coisas não existe qualquer posibilidade de Gaza se organizar e criar instiuições, e por isso que as pessoas lá precisam do Hamas; se hoje Israel decide invadir Gaza em uma incursão terrestre ilegal, só vai haver o Hamas para defender os civis, entede o que eu quero dizer? Eles não elegem o Fatah porque o Fatah não está em Gaza, quero dizer, Gaza está completamente isolada por Israel. Só quem já está lá dentro é capaz de exercer alguma autoridade. Assim os residentes e Gaza não têm outra alternativa além do Hamas (na verdade existem grupos menores, como a Jihad Islâmica, que são mais extremistas ainda). Isso é ruim em vários sentidos, porque o poder do Hamas em Gaza só aumenta e também está havendo um aumento do fundamentalismo em Gaza por conta disso. A minha crítica à Israel no caso é esse isolamento desumano e ilegal à Gaza, mas que pelo jeito é exatamente a política de Sharon, Lieberman, Netanyahu e da ala fundamentalista desse governo de Israel: manter Gaza e Cisjordânia bem divididos e distantes.

        Quanto ao vídeo eu já fiz a crítica sobre nem mencionar a diplomacia e negociações antes da criação de Israel, e a conclusão de que “se Israel abrisse mão das armas seria destruída e se os Palestinos abrissem mão das armas haveria paz” é ofensiva pra quem acompanha a situação. Não é só a luta armada que existe ali, é a ocupação de território, é a construção do muro, é a negação de recursos aos palestinos, é a usurpação da soberania palestina, enfim, são várias questões que o vídeo não toca por ser extremamente superficial e parcial. É um vídeo de propaganda e não um vídeo de análise.

        O outro tema são os direitos políticos. Vou ter de repetir coisas, o que nao é bom, mas enfim. Eu disse que o apartheid não é legal (como era na África do Sul), mas que ele existe na prática; e aliás, não sou apenas eu que digo, é o Human Rights Watch (que por ser uma ONG interessada exclusivamente nas causas humanitárias é hoje a minha principal fonte de informação sobre Israel x Palestina). Eu sei que pelas leis de Israel um árabe pode até ser 1ºMinistro, mas na prática isso não funciona assim; principalmente em territórios ocupados onde os´árabes são empurrados para as piores regiões e vivem sob o jugo do exército de Israel. E quando precisam cruzar o muro então, é uma humilhação.

        Mas me repetindo (de novo), eu sei que existem muitas pessoas em Israel que lutam por maior participação árabe na polítca, que são totalmente contra a ideia de um “Estado judeu”, inclusive políticos e alguns governos. Eu leio notícias de fontes israelenses, e há muita gente contra esse governo lá dentro. Minha crítica é principalmente a esse governo fundamentalista; desde Ariel Sharon a coisa só piora, mas eles continuam sendo eleitos. E como eu já disse também, há várias pesquisas que apontam que o preconceito e fundamentalismo tem aumentado em Israel, e eu coloco isso na conta desses caras do governo. Eles definitivamente não querem paz, acho que se dependesse eles todos palestinos seriam expulsos e todo território da Palestina seria Israel, já que “assim está prometido no Tanakh”.

      • Questões Relevantes
        07/17/2014

        Sarah, me desculpe, mas seu argumento sobre o Hamas equivale a dizer que para os morros cariocas é melhor a ação da milícias do que nada.

        Se os palestinos renunciassem a qualquer violência, numa ação inspirada em Gandhi, por exemplo, teriam apoio total da comunidade internacional e deixariam o estado israelense sem argumentos para negar a criação de um estado Palestino.

        O artigo “mãe” que discutimos é um libelo contra extremismos de qualquer lado e uma reflexão sobre o óbvio: a paz negociada com reconhecimento mútuo de estados Palestino e Judaico é a única alternativa real para acabar com as desculpas de parte a parte para a matança sem fim.

        Já os comentário enriqueceram o debate com vídeos e artigos interessantes.

        Sei que nem eu nem qualquer um dos participantes tem poder para mudar os rumos do conflito, mas podemos ao menos deixar claro para quem nos lê que a intolerância é um mal em si, tenha a etnia que for.

      • Sarah
        07/18/2014

        “Sarah, me desculpe, mas seu argumento sobre o Hamas equivale a dizer que para os morros cariocas é melhor a ação da milícias do que nada”

        Essa analogia é absurda em diversos sentidos. Os morros cariocas estão dentro de território brasileiro, a soberania é da República Federativa do Brasil; Gaza é um território “livre”, ou ao menos deveria ser já que Israel não tem qualquer direito de soberania sobre Gaza (ainda que na prática usurpe muito desse poder de forma ilegal). O poder do tráfico no morro tem fontes completamente diferentes do Hamas; como eu disse antes, o Hamas é praticamente o único grupo capaz de organizar alguma defesa em Gaza, sem o Hamas aquelas pessoas não ficaram apenas indefesas em relação à Israel, mas também em relação a elas mesmas, seria o caos. No morro as milícias paramilitares do tráfico causam o caos e a tentativa de estabelecer a ordem parte da ação da polícia do Estado (que na lei é o monopolista do poder legítimo). Em resumo, os morros do Rio são um exemplo de falência total do poder estatal; em Gaza o Hamas é a coisa mais perto de um poder estatal. Isso é meio paradoxal, mas mesmo sem muita legitimidade o Hamas é o poder legítimo em Gaza. Mas enfim, é por tudo isso que eu não posso aceitar a sua analogia, sinceramente.

        Bem, o Gandhi é um exemplo bem razoável de resistência pacífica bem sucedida, mas o que ele fez é completamente impraticável em Gaza. Como os palestinos vão boicotar Israel? Eles não produzem nada, e tudo que eles têm vem de Israel, que junto com o Egito bloqueia ilegalmente todas as fronteiras, o espaço aéreo e a costa marítima de Gaza. Israel abastece eles com água, energia, remédios e outros surpimentos básicos (e corta esses suprimentos da população quando bem entende, mantendo famílias dias sem água, luz ou comida – a fonte é o HRW, não estou inventando). Tudo mais que eles possuem vem doações internacionais.

        Eu acho que não cheguei a escrever isso aqui, mas eu concordo plenamente que o Hamas deve baixar as armas e parar de atacar zonas residenciais de Israel (mesmo que seja um território ocupado como Sderot; atacar civis é injustificável e estúpido). Ao Hamas cabe tentar manter a ordem, administrar, proteger e representar diplomaticamente a Faixa de Gaza; como governo eleito dali essa é a sua função. Manter essa luta armada contra Israel é insanidade, eles nunca vão ganhar e essa luta só vai causar mais mortes de civis palestinos e fomentar o ódio. Depois que baixou as armas o IRA conseguiu avanços importantes no Reino Unido, e acho que eles podem servir como um bom exemplo no caso palestino. Claro que somente baixar as armas não é o suficiente para resolver as diversas questões entre Israel e Palestina, mas pelo menos sem armas os civis não precisam mais pagar com a vida o preço dessa luta.

      • Questões Relevantes
        07/18/2014

        Sarah, em Política não existe vácuo: se o Hamas não ocupasse o poder, o Fatah ou outro grupo o faria, com evidentes benefícios para a construção da paz e do estado Palestino.

        Quanto à analogia da qual você reclamou, acho-a bem razoável, já que a principal crítica que durante anos se fez (e ainda se faz, em parte) à situação dos morros (e outras favelas) era “a ausência do estado”. No caso específico do Rio, foi Brizola quem “decretou a independência” dos morros cariocas ao fazer acordos com o narcotráfico, retirar o policiamento “opressor” e entregar aquela população ao poder paralelo do narcotráfico e das milícias que passaram a disputar poder com os traficantes.

        Mas voltemos à questão Palestina X Israel. O restante de sua resposta trafega no mesmo sentido do que temos afirmado, tecendo hipóteses para a construção da Paz. Estamos de acordo. Mas ao imaginar o Hamas depondo armas, na prática imagina o Hamas deixando de ser o Hamas, já que faz parte de seu estatuto a destruição do estado Judeu.

        De resto, como você conclui, “baixar as armas não é o suficiente para resolver as diversas questões entre Israel e Palestina, mas pelo menos sem armas os civis não precisam mais pagar com a vida o preço dessa luta”. Concordo inteiramente.

      • Sarah
        07/20/2014

        Em nenhum momento falei em vácuo de poder, um possível caos não significa vácuo de poder, apenas a inexistência de um poder centralizado. Em uma região como Gaza onde não impera a “rule of law”, o mais provável é que o grupo melhor armado prevaleça (2007); se o Hamas abrisse mão da sua liderança em Gaza (algo que pode não ser necessário, já que o que é se pede é o fim dos ataques a civis de Israel e não necessariamente o fim da liderança do Hamas), é difícil prever o que iria acontecer. Talvez outros grupos com lideranças ainda mais fundamentalistas prevalecessem.

        Sobre a comparação com o Rio já dei meus argumentos, como eles não foram contestados eu dou a questão como encerrada.

        Quanto a Declaração do Hamas, nem todas as pessoas do Hamas concordam com aqueles princípios, mas do jeito que as coisas estão imagino que essas pessoas mais razoáveis têm cada vez menos influência. Mas mesmo parecendo impossível no momento, acho que o Hamas pode continuar existindo sem princípios fundamentalistas, mas isso somente pode acontecer depois que Israel manter uma política pacifista e for digno de confiança. Como já disse, eu e muitas outras pessoas estão certas de que esse primeiro passo à paz precisa ser dado por Israel.

      • Questões Relevantes
        07/20/2014

        Sarah, quase sempre o cessar-fogo é uma proposta de algum mediador internacional aceita primeiro por Israel. Por maior que seja a coleção de absurdos cometidos pelos dois lados, é inegável que Israel tem feito maiores movimentos pela paz, inclusive com a retirada forçada (pelo governo de Israel) de seus próprios colonos de áreas ocupadas. Entre Israel e o Fatah é possível imaginar um acordo de paz. Mas é ingenuidade esperar qualquer racionalidade por parte do Hamas.

      • Sarah
        07/20/2014

        As Nações Unidas até tentam, mas qualquer proposta de intervenção internacional é vetada pelos USA no Conselho de Segurança. Aparentemente há pouco interesse americano por uma paz que não obedeça exclusivamente os seus próprios interesses no Oriente Médio. Os atuais líderes israelenses também demonstram ser contra uma intervenção ou arbitragem internacional que não obedeça exclusivamente as suas condições, que incluem um Estado palestino desmilitarizado (sem obviamente estender essa desmilitarização a Israel), e o reconhecimento de um Estado judeu (mas sem reconhecer um Estado palestino islâmico), ou seja, condições desiguais e inaceitáveis.

        Diferentes governos de Israel já se movimentaram pela paz, assim como muitos líderes palestinos. Mas este atual governo israelense tem tomado decisões que tornam um processo de paz cada vez mais distante, além de manter uma ocupação fascista através do exército nos territórios da Cisjordânia. Aparentemente a ala mais fundamentalista do governo tem ganhado mais influência nos últimos anos, e acho que já passou da hora de mudar essas lideranças.

      • Questões Relevantes
        07/21/2014

        Sarah, temos um ponto em comum fundamental: a torcida pela paz. No entanto, observe que esta sua última resposta atribui toda a culpa aos EUA e Israel e nenhuma ao Hamas, por exemplo, que passou mais de um ano bombardeando Israel diariamente com foguetes (torcendo pelo revide para usar os mortos como bandeira).

        O artigo inicial foi baseado em um texto de Gustavo Chacra, que sob nenhuma ótica pode ser considerado um radical. Muito pelo contrário. Assim, recorro a outro texto dele para esclarecer melhor este assunto.

        QUAIS AS DIFERENÇAS NAS POSIÇÕES DE ISRAEL E DA PALESTINA?

        Por que é impossível um acordo de paz entre Israel e Palestina neste momento? Primeiro, existem três questões que dividem palestinos e israelenses (os governos).

        Jerusalém
        Posição de Israel – Considera a cidade sua capital indivisível
        Posição da Palestina – Reivindica a porção oriental da cidade, de maioria árabe muçulmana e cristã palestina, como sua capital

        Refugiados
        Posição de Israel – Não aceita o retorno das centenas de milhares de refugiados e seus descendentes para o que hoje é Israel lembrando que um número similar de judeus também foi obrigado a deixar países árabes. Não vê problemas nestas pessoas voltarem para o futuro Estado palestino
        Posição da Palestina – Defende o direito de retorno dos refugiados para o que hoje é Israel. Os judeus expulsos dos países árabes não seriam um problema dos palestinos, mas de outras nações como o Egito e o Marrocos

        Assentamentos e Fronteiras
        Posição de Israel – Defende a permanência da maior parte dos assentamentos no lado israelenses, com as fronteiras levando em conta as novas realidades no território
        Posição da Palestina – Exige a retirada da maior parte dos assentamentos e as fronteiras com base nas linhas de armistício existentes até 1967, com os ajustes necessários

        Em segundo lugar, estas são apenas as posições oficiais, de seus governos. Membros da coalizão israelense e integrantes do Hamas, que controlam a Faixa de Gaza, são ainda mais distantes de um ponto comum.

        Os radicais israelenses não aceitam a criação de um Estado palestino. Os milhões de palestinos tampouco teriam direito à cidadania israelense. Para eles, os palestinos podem governar as suas cidades em áreas controladas por Israel, em um sistema existente até o início das negociações de Oslo, com a diferença de que, agora, não poderiam mais cruzar para Israel, como no passado. Na prática, um Apartheid.
        Os radicais palestinos do Hamas, embora já tenham indicado, em algumas ocasiões, aceitar a solução de dois Estados, ainda, muitas vezes, pregam a destruição de Israel.

        Diante deste cenário, como chegar ao acordo? Não chegarão, no curto e médio prazo até a dinâmica do conflito se alterar e houver incentivos para um acordo, como ocorreu no início dos anos 1990. O objetivo das negociações, neste momento, é impedir mais uma vez os EUA serem alvo de humilhação nas Nações Unidas, onde o sentimento pró-Palestina é quase unânime, a não ser pelos americanos, canadenses, tchecos e algumas ilhotas no Pacífico. Barack Obama poderá fingir que a paz vem sendo negociada, enquanto chega ao fim de seu mandato, fracassando como Bill Clinton e George W. Bush. Os palestinos aceitam porque seus líderes vivem de mesada americana.

        A solução é óbvia, como escrevo em todos os meus artigos sobre Israel-Palestina. A criação de um Estado independente tendo as fronteiras de 1967 como base. Os principais blocos de assentamentos próximos à fronteira, porém, ficariam com Israel. Em troca, os palestinos receberiam terras em outras áreas. Jerusalém seria uma municipalidade unificada, capital dos dois Estados. No caso palestino, mais simbólica, com a sede da Presidência, mas com a administração e a burocracia ficando em Ramallah, a poucos quilômetros de distância (da avenida Paulista ao Morumbi). Israel reconheceria que muitos palestinos foram expulsos ou obrigados a sair na Guerra de Independência. Mas os refugiados e seus descendentes poderiam voltar apenas para o Estado palestino.

        Este é o link para o artigo acima.
        http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/quais-as-diferencas-nas-posicoes-de-israel-e-palestina/

      • Sarah
        07/21/2014

        “Sarah, temos um ponto em comum fundamental: a torcida pela paz. No entanto, observe que esta sua última resposta atribui toda a culpa aos EUA e Israel e nenhuma ao Hamas”

        Quando você escreve isso mostra que não tem prestado muita atenção no que tenho escrito nesses dias, me parece que você sente uma necessidade em relevar a responsabilidade de Israel a cada nova resposta. Já escrevi e reescrevi ao longo desta conversa aquilo que acho inaceitável e injustificável por parte do Hamas. O que apenas gosto muito de deixar bem claro (e parece que você ainda não compreendeu) é: que o governo e exército de Israel também tomam decisões inaceitáveis e injustificáveis; que considero o atual modus operandi de Israel tão terrorista quanto o Hamas ou a Jihad Islâmica; que devido ao enorme poder de destruição desse exército o terrorismo sionista gera consequências muito mais severas que o terrorismo palestino (é só comparar as mortes); e que devido a sua legitimidade o governo de Israel tem muito mais responsabilidade que o Hamas ou qualquer outro grupo palestino.

        Poxa, nesse texto que você mesmo postou agora está bem claro que a posição de Israel ultimamente tem sido muito mais intransigente que da maioria das lideranças palestinas, e que nem todo mundo no Hamas quer “destruir Israel”. Essa intransigência de Israel em questões importantes somente tem dificultado qualquer processo de paz e alimentado ódio, ao mesmo tempo em que os assentamentos continuam aumentando. Ou seja, eu não tenho como relevar qualquer coisa de um governo desses. Só espero que os israelenses, que são um povo com altíssimo nível cultural e que possuem um país bem organizado e estruturado, tomem uma atitude e peçam pra que esses caras renunciem e que se façam novas eleições o mais cedo possível.

        E pra finalizar com uma comparação pra entender quando falo de legitimidade: os palestinos elegeram um parlamento em 2006 e que teve como resultado uma guerra entre Hamas e Fatah. Atualmente eles nem sabem quando terão uma oportunidade para votar de novo.

      • Questões Relevantes
        07/21/2014

        Sarah, o conjunto de suas respostas indica que você não releva nada do governo israelense, mas releva algumas coisas do Hamas. Este é nosso ponto de divergência: não relevo nada do Hamas.

      • Dayenne
        07/21/2014

        Só vou dizer uma coisa: Gaza não é um gueto….rs

      • Ricardo Dirani
        07/26/2014

        Sarah, Gandhi é um excelente exemplo de ação absolutamente desastrosa. Terminou assassinado pelo seu próprio povo, perdeu 1/3 de seu território que se separou para formar o Paquistão, e *milhões*, repito, *milhões* de vidas se perderam na guerra que se seguiu.

      • Questões Relevantes
        07/26/2014

        Ricardo, seu raciocínio segue uma linha questionável. O movimento de não violência de Gandhi foi efetivo e possui uma força moral inquestionável.

        Culpar Gandhi pelo que se seguiu a ele é como culpar Cristo pelas carnificinas cometidas em seu nome, ou Maomé pelos crimes de quem mata e mutila em nome de deus.

        Uma coisa é certa, a não violência é eticamente e moralmente defensável. Já as ações bélicas exigem muita ginástica moral para serem justificadas.

  12. Marcel Giglio
    07/12/2014

    Esse discurso é de um extremista defensor de Israel. Esse estado não esteve sempre onde está e serve para matar e tirar direitos dos palestinos. Quando defente que “Israelenses sempre estarão em Tel Aviv, em Haifa, em Jerusalém” ignoram que antes não tinha um estado.

    O autor nada mais faz do que pedir uma aceitação internacional do estado terrorista de Israel. Nada de diferente do que faz os extremistas sionistas.

    A quem serve esse tipo de argumentação? à população que morre pelas mãos desse estado que não é…

    • Questões Relevantes
      07/12/2014

      Marcel Giglio, é curioso: o artigo critica a violência e prega a conciliação, a paz. Você chama isto de extremismo pró Israel. Já sua alternativa, portanto, é a guerra. Decididamente certas pessoas, prisioneiras de ideologias reducionistas, têm sérias dificuldades com o sentido das palavras.

    • Daniela Lima
      07/12/2014

      Muito bem apontado Marcel Giglio

      • Questões Relevantes
        07/12/2014

        Daniela Lima, a questão que se coloca é: qual a alternativa mais simples para acabar com a gerra e o sofrimento das populações de ambos os lados?

        O artigo em questão defende que a única alternativa possível é a paz e o reconhecimento mútuo dos estados Judaico e Palestino.

        Você e o Marcel discordam desta saída e vêm nisso um extremismo pró-Israel. Ou seja, me acusam de ser o que vocês são: extremistas.

        Esta postura os coloca no grupo que vê como solução acabar com o estado de Israel, ou seja, aposta no conflito eterno para que possam estar sempre jogando pedras na Geni israelense.

        No fim, vocês são um testemunho vivo e saltitante do que se tornou o título do artigo: como bons extremistas, estão pouco se lixando para quem morre no conflito, desde que tenham cadáveres para empunhar como bandeira.

        Eu prefiro a paz.

    • Mario S Nusbaum
      07/12/2014

      Já ouvi centenas de “argumentos” anti-semitas, mas sempre aparece um novo! ” Esse estado não esteve sempre onde está” Algum esteve?

    • Marcel Giglio
      07/13/2014

      Você conhece a história de Israel?

      Eles estão constantemente atacando militarmente e tomando à força as terras dos Palestinos.

      Dizer que quer “a paz” depois que os genocidas roubaram tudo e promoveram um apartheid entre o povo palestino é defender sim os mais fortes!

      É como dizer que depois de séculos de escravidão os Europeus não possuiam uma dívida com o povo negro, que bastava acabar com a escravidão que tudo estaria bem.

      A sua alternativa é consolidar o resultado de décadas de genocídio e opressão do estado terrorista de Israel, e isso é extremismo pró-Israel.

      Reducionismo é não compreender a história como um processo e olhar somente essa batalha. Se pudesse tudo se resolver com tratados, estaria bem, mas Israel não deixará que seus privilégios acabem sem mandar suas bombas e tanques.

      Conheça melhor a história:
      http://fabiano-amorim.blogspot.com.br/2014/07/um-pequeno-video-que-explica.html

      • Questões Relevantes
        07/13/2014

        Marcel, extremistas como você são a prova de que o ser humano não é tão racional quanto se imagina. Sua resposta apenas acrescenta desculpas esfarrapadas para justificar o conflito. É típico de dois grupos, a esquerda e os fundamentalistas religiosos. São pessoas de pensamento dicotômico, que precisam da fórmula opressor/oprimido ou fiéis/infiéis para justificar suas escolhas infames. Nenhuma palavra de sua resposta acena com perspectiva de paz para os judeu e palestinos que fazem o papel de mariscos no embate entre as pedras ideológicas e o mar revolto das ideias extremistas.

    • Mario S Nusbaum
      07/16/2014

      “Você conhece a história de Israel?”
      Eu conheço, e muito bem.
      “Eles estão constantemente atacando militarmente e tomando à força as terras dos Palestinos.
      Dizer que quer “a paz” depois que os genocidas roubaram tudo e promoveram um apartheid entre o povo palestino é defender sim os mais fortes!”
      Ficou provado que você não conhece, ou pior ainda, conhece e distorce para “provar” um ponto de vista racista.

  13. Wellington Santos
    07/12/2014

    ” a lógica do “poder desproporcional” é falsa, embora o fato seja verdadeiro.”

    Puta que la mierda, quer dizer que a fragilidade do discurso só inviabiliza seu uso mas não sua verdade ? Agora pergunto, o que deve imperar, um discurso ou um fato ?

    Teorias e discursos servem a tudo, serviram até ao nazismo. O que importa é o FATO e o FATO é que há uma força desproporcional. Simples assim.

    • Questões Relevantes
      07/12/2014

      O poder desproporcional é um fato, mas não explica nem justifica os extremismos. O artigo não defende ou condena um dos lados, apenas deixa claro que a única alternativa viável, a paz, não interessa a quem usa a intolerância e a morte de inocentes como instrumento de ações políticas.

      • Questões Relevantes
        07/12/2014

        Osvaldo, seu comentário, como o do Wellington, apenas reafirma a intolerância, só que com o sinal trocado. O PT e as esquerdas em geral são contra judeus por atribuírem a eles o papel de “capitalistas” em seu precário esquema teórico, como se todos os judeus fossem “opressores”. A conta não fecha. A lógica não fecha. Mas isto é irrelevante para extremistas e obtusos (todo extremista é obtuso, mas nem todo obtuso é extremista). O circulo vicioso de ódio só deixará de existir quando ninguém mais apoiar ações violentas de qualquer das partes. A alternativa é a barbárie que assistimos.

  14. Julio
    07/11/2014

    Este artigo-desabafo do Gustavo Chacra é um complemento perfeito para este artigo:

    Por que não falo do conflito em Gaza? Porque escrevi tudo em 2009
    GUSTAVO CHACRA
    Quinta-Feira 10/07/14

    O conflito de hoje na Faixa de Gaza lembra exatamente o de 2009. Se duvidarem, vejam este texto que escrevi na época, quando cobri a guerra em Israel

    POEMA DE BORGES AJUDA A ENTENDER CONFLITO EM GAZA

    Acabo de voltar de Sderot. Com a lembrança do texto “John Ward e Juan Lopez”, do escritor Jorge Luis Borges, sobre o encontro de um inglês e um argentino na Guerra das Malvinas, que poderia ser aplicado com certeza à situação na faixa de Gaza.
    “O planeta havia sido dividido em distintos países, cada um com suas lealdades, suas queridas memórias de um passado sem dúvida heróico, de certos e errados, de uma mitologia peculiar, de próceres de bronze, de aniversários, de demagogos e de símbolos. Esta divisão arbitrária favorece as guerras. López nasceu na cidade junto ao rio imóvel. Ward, nas cercanias da cidade por onde andou Padre Brown. Estudou castelhano para ler Quixote. O outro professava o amor de Conrad que lhe havia sido revelado em uma aula na rua Viamonte. Teriam sido amigos, mas se viram apenas uma vez cara a cara, em umas ilhas muito famosas, e cada um deles foi Caim, e cada um, Abel. Eles foram enterrados juntos. A neve e a corrupção os conhecem. O incidentes a que me refiro ocorreu em um tempo que não podemos entender”
    Neste exato momento, um soldado israelense de 18 anos está preparado para uma ofensiva terrestre na faixa de Gaza. Seu nome pode ser Ehud. Com certeza, é um jovem com sonhos, que escuta iPod, posta vídeos no Youtube, tem namorada, quer estudar nos Estados Unidos, assiste a filmes, torce pelo Manchester United e acabou de terminar um livro. Para ele, seus heróis são Ben Gurion e Menachen Begin. Na sua memória, 1948 é o ano da independência de seu país. O ano de 1967 é o ano da reconquista de Jerusalém, quando os judeus puderam voltar a rezar no Muro das Lamentações. Seu objetivo é defender seus conterrâneos que são alvejados por mísseis diariamente em Sderot.
    Do outro lado, está um militante palestino também de 18 anos. Seu nome pode ser Ahmed. Também está preparado para a luta, dentro da faixa de Gaza, à espera dos israelenses. Certamente tem sonhos, gosta de ver filmes, provavelmente não tem iPod, mas com certeza navega na Internet, lê livros e acompanha os jogos do Arsenal. Para ele, seus heróis são o xeque Yassin e Yasser Arafat. Na sua memória, 1948 é o ano do Nakba, da tragédia palestina, quando seus avós e pais perderam as suas terras. O ano de 1967 é o do início dos assentamentos e do fim de qualquer possibilidade de conhecer a Mesquita de Al Aqsa em Jerusalém. Seu objetivo é derrotar o inimigo que, na sua cabeça, roubou suas terras e destrói com bombardeios o seu território.
    Os dois vão se encontrar, sem nunca terem se visto, e podem se somar às milhares de vítimas de um conflito que, ao contrário do das Malvinas, dificilmente terminará tão cedo. A tragédia dos dois é bem maior do que a de Ward e López.
    Obs. No fim do conflito, 1.300 palestinos morreram, 13 israelenses (8 por fogo amigo) e a ação militar não conseguiu interromper o lançamento de foguetes pelo Hamas no longo prazo. Uma nova operação de bombardeios israelenses para conter os disparos do Hamas ocorreu em 2012. Não adiantou. Agora haverá outra. Não vai adiantar

  15. Serapião Silva
    07/08/2014

    Os cultivadores do ódio recíproco deveriam responder a uma simples pergunta: nos dias de hoje, alguém acredita ser possível aniquilar o outro? A resposta só pode ser negativa. Não há hipótese da opção da aniquilação sair vencedora. Assim, a única solução racional é a paz, com o reconhecimento mútuo de estados independentes para judeus e palestinos. A grande maioria da população de ambas as etnias só teria a ganhar com esta solução. Perderiam apenas aqueles que usam o pretexto do conflito para disputas de poder e enriquecimento.

  16. Armando
    07/04/2014

    Realmente inteligente esta abordagem. E o artigo sugerido, do Eça de Queiroz, é surpreendente.

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