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A ESQUERDA E OS CAMINHOS QUE SE BIFURCAM.

Relativity

 

Desde que iniciei este blog, que explora o universo da teoria política, tenho batido constantemente em uma tecla: a necessidade de circunscrever o sentido das palavras.

Imagino que esta frase possa indicar certo ímpeto de censura ou controle. Esclareço: não é isto, absolutamente. Bebo em outra fonte. Em sua aula inaugural no Colégio de França, Roland Barthes (que não tinha a titulação necessária para o posto, mas tinha todo o resto), diz, parafraseando explicitamente Jákobson, que a língua é fascista, não porque nos impede de dizer algo, mas porque nos obriga a dizer de certa maneira para que nos façamos entender. Para que fique mais claro, cito: “(…) a língua, como desempenho de toda linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer”.

Barthes vê na literatura e no domínio da língua formal a alternativa para subverter este fascismo e ampliar o universo da linguagem. Mas se a literatura é o território deste combate, com suas metáforas abertas, com experimentações na pontuação, com criação de palavras ou a ampliação de significados, no campo da teoria política temos o oposto: a imprecisão não liberta, apenas confunde; não define, apenas manipula.

Este ponto salta aos olhos quando analisamos o conceito de DEMOCRACIA, por exemplo, como o fiz no artigo anterior.

Chegou a vez de chamar a atenção para o “choque de versões” da própria esquerda e de sua história. A imprecisão semântica e conceitual é, seguramente, um dos combustíveis para este caminhar trôpego e contraditório que assistimos, em que os caminhos se bifurcam e jamais chegam a lugar algum. É a versão léxica dos labirintos ilusórios que são presença constante na obra de Escher. A diferença é que lá os labirintos são desafios explícitos, são uma crítica ao racionalismo.

Vamos para exemplos práticos.

Até os mais desavisados conhecem algo do que foram os governos de Lenin e Stalin na ex União Soviética. Diante do desastre gerencial e humanitário, o conceituado intelectual americano Noam Chomsky saiu-se com a tese de que estes foram, na verdade, governos de direita, que suas ações foram contrárias às teses de esquerda. É evidente que para isto dá várias piruetas temáticas e uns mortais teóricos, mas a imprecisão é tudo nestas horas.

Com visão oposta e ainda mais cínica, temos o atualmente badalado Domenico Losurdo e seu livro “Stalin: História e Crítica de uma Lenda Negra” em que tenta resgatar o prestígio de um dos mais frios e virulentos assassinos da história. Contrariando o bom senso, seu esforço teve boa acolhida em vários círculos da esquerda. Felizmente, também colheu críticas, como a demolidora resenha do professor da USP Cícero Araújo, intitulada “O stalinismo recauchutado de Domenico Losurdo”. Cito aqui um parágrafo que sintetiza o absurdo: “E o que dizer do Terror que ceifa não só o que resta da velha guarda bolchevique, além de seus familiares, mas leva de roldão uma enorme quantidade de quadros políticos e técnicos, agora com prejuízos incalculáveis para a administração civil? E isso de modo ainda mais impressionante que os anteriores, pois que o expurgo, como estipulavam as famigeradas “ordens operacionais” do NKVD, se faz através de quotas, vale dizer, metas puramente quantitativas para as diferentes seções do partido espalhadas pelo país: não importa se inocentes ou culpados (de quê?), se leais ou não ao regime, o aparato repressivo deveria “produzir” um tanto de fuzilados, outro tanto de condenados a prisões mais ou menos longas, ou ainda a trabalhos forçados …”

Outra estrela da esquerda contemporânea é Slavoj Žižek, de quem Vladimir Safatle é porta-voz e porta-teses no Brasil. Pois bem, esta estrela contemporânea protagonizou uma virulenta polêmica com Noam Chomsky, estrela cadente para uns, cometa reluzente para outros. O fato é que ambos atribuem, um ao outro, certo charlatanismo explícito. Tendo a concordar com ambos: os dois defendem teses que só podem resultar em desastres. Não vou detalhar a polêmica, que tem uma boa síntese feita por João Alexandre Peschanski e que pode ser lida aqui.

Há diversas outras contradições e polêmicas, mas todas têm a mesma gênese: a imprecisão semântica e conceitual. Não há caminho certo quando se distorce o sentido das palavras, apenas bifurcações que não levam a nada. Quando passamos a respeitar o sentido das palavras, também teremos bifurcações, mas já não há labirinto.

Quem leu outros artigos deste blog ou o verbete DEMOCRACIA do “Dicionário de Política” de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino conhece a tese central: certos conceitos como liberdade de pensamento, de religião, de imprensa, de reunião, bem como o respeito aos direitos das minorias, pertencem ao campo da DEMOCRACIA LIBERAL (que engloba a social-democracia), sem exemplos práticos em outros sistemas políticos.

Ao tentar se apropriar destas bandeiras a esquerda consegue sucessos imagéticos e marketeiros, mas falha no campo prático, porque conflitam com suas teses centrais.

Querem um exemplo? Quando a esquerda fala em igualdade, parece uma coisa bacana, mas como nos lembra Barthes e o fascismo da língua, isto significa a eliminação da diferença e, quase sempre, do diferente também.

Quando fala em liberdade, fala em abrir mão da liberdade individual (de empreender, por exemplo) em prol da “liberdade coletiva”, um ente mítico se a liberdade individual foi suprimida.

Quando fala em fraternidade, fala em apoio mútuo entre iguais (de classe e/ou ideologia), mas em guerra sangrenta com os desiguais (qualquer um que não reze por sua cartilha).

Não me iludo: a esquerda, ou melhor, as diversas esquerdas, continuarão com este ilusionismo semântico. Se parasse de torcer e torturar o sentido das palavras, certamente perderia boa parte de seu charme e teria menos adeptos desavisados.

Outro efeito colateral seria tornar mais fácil e confortável para muita gente escapar desta irmandade “cool” e de sua metafísica influente para dizer, com todas as letras: não sou de esquerda.

Como sabemos que a mudança é improvável, deixo uma dica: seja fiel ao sentido das palavras. Se realmente acredita na importância dos direitos individuais, da liberdade de expressão, da alternância de poder sem ruptura institucional, se defende o respeito aos direitos de maiorias e minorias, se valoriza a administração pacífica de conflitos, saiba: você não é de esquerda. Pode ser até um social-democrata, mas, se as palavras fazem sentido, de esquerda não é.

Artigo de Paulo Falcão.

Notas:

Sugestões de links complementares: “Democracia socialista”:

https://questoesrelevantes.wordpress.com/2014/03/02/democracia-socialista-e-o-saci-perere-da-ciencia-politica-nao-passa-de-folclore/

“Teoria das Gavetas”:

https://questoesrelevantes.wordpress.com/2013/12/12/esquerda-x-direita-a-teoria-das-gavetas-ou-como-nao-chamar-urubu-de-meu-loro/
Segue link para a íntegra do Dicionário Político: http://www.4shared.com/office/XskicYK2/dicionario_de_politica_-_norbe.html

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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36 comentários em “A ESQUERDA E OS CAMINHOS QUE SE BIFURCAM.

  1. lucemiro1405
    12/13/2014

    Paulo Falcão; Trotsky morreu assassinado por um cara da Bélgica, Monard, que queria casar com uma trotsquista, mas Trotsky não deixou e sugeri que ele fosse à URSs cometer atentados. Ele naõ aceitou e desiludiu-se com o trotsquismo, matando-o.

    • Questões Relevantes
      12/13/2014

      Há outra versão: “Jaime Ramón Mercader del Río Hernández, também conhecido como Ramón Mercader, Jacques Monard ou ainda Frank Jacson (Barcelona, 7 de fevereiro de 1914 – Havana, 18 de outubro de 1978) foi um agente no exterior do Comissariado do Povo para Assuntos Internos NKVD da URSS, na época que Josef Stalin era o secretário geral do Partido Comunista da União Soviética. Seu ato mais conhecido foi se infiltrar na casa de Leon Trotsky, em seu exílio no México e cometer o atentado que levaria à morte o principal rival de Stalin.”

  2. Questões Relevantes
    10/12/2014

    Recentemente publicamos outro post, sobre artigo do professor emérito da USP, Ruy Fausto. Nele encontramos muitas pontes conceituais com o que defendemos por aqui, demonstrando que nossa base teórica é bem fundamentada, apesar de várias alegações em contrário. Neste artigo, ele afirma algo que defendemos desde o primeiro artigo que publicamos: “o “comunismo” foi no passado, e continua se definindo como, um totalitarismo.”
    Vale à pena ler: DISCUSSÃO PARA POUCOS, CONSEQUÊNCIAS PARA MUITOS.

    https://questoesrelevantes.wordpress.com/2014/09/19/discussao-para-poucos-consequencias-para-muitos/

  3. Lúcio Júnior Espírito Santo
    04/28/2014

    Eu acho absolutamente ingênuas as suposições de que Safatle seja maoísta, valorize Stálin ou seja revolucionário. O que está em jogo é uma tradição republicana, liberal, que consegue recuperar do marxismo para o liberalismo burguês a tradição que vem dos jacobinos-comunnards-bolcheviques. Afinal, Robespierre quis radicalizar a revolução burguesa. Zizek tb a meu ver é o mesmo caso, é um hegeliano bem mais cristão do que vcs pensam, mas que gosta de provocar. No entanto, Zizek faz um joguinho para tirar do marxismo muito do que é revolucionário. Ele no fundo mistura e iguala Hitler e Stálin, é um bom liberal anticomunista, só que ele faz isso de forma paródica, grotesca e cômica. Ele faz a estratégia da CIA a partir de 44, igualar comunismo e nazismo. Vcs burguesinhos arrancam os cabelos pensando que ele é um grande revolucionário e ele deve se divertir á beça, porque ele inclusive trabalha de forma a aparecer na mídia, moldando suas opiniões ao gosto dos monopólios de imprensa, mas pondo muito glacê crítico.

    A burguesia não fala, ela fala e age. Ela naõ fala em igualdade, prega a meritocracia. No entanto, ela age para impor padrões burgueses a todas as classes. Ela age de forma totalitária e busca a hegemonia total de classe, mesmo sob o véu da república democrática.

    http://republicasocialista.blogspot.com.br/2012/09/democracia-popular-x-democracia-como.html

    Barthes não gostava de ser dizer gay propriamente e preferia termos neutros. Daí essa fala bem à la maio de 68 sobre o fascismo.

    Outro efeito colateral seria tornar mais fácil e confortável para muita gente escapar desta irmandade “cool” e de sua metafísica influente para dizer, com todas as letras: não sou de esquerda. BOM, PAULO, VC É DE DIREITA E É CONSCIENTE DISSO…

    • Gílber Martins Duarte
      04/28/2014

      Risos, o Paulo Falcão, Lúcio Júnior Espírito Santo, é liberal de direita assumido. Mas uma coisa pelo menos eu tenho que concordar com ele. Ele é contra ditaduras, seja ditadura de direita, seja ditaduras de esquerda. Claro que a defesa da livre iniciativa de Paulo Falcão parte da defesa do capitalismo até a medula, porque ele acha que o capitalismo é o único sistema que pode garantir a liberdade. Esse é o erro de Paulo Falcão. Mas esse erro não nasce do nada. O socialismo stalinista, com o modelo de partido único, tolhendo todo e qualquer tipo de crítica profunda, tratando os divergentes como traidores da revolução, foi um péssimo exemplo para provarmos que o socialismo pode ser superior ao socialismo, inclusive no quesito da liberdade. Os burocratas “socialistas” tolheram a liberdade do povo, porque queria manter seus privilégios burocráticos dentro do Estado, sendo tão opressores quanto os burgueses. O Socialismo Livre é muito superior ao capitalismo na defesa da liberdade, porque nossa liberdade não oprime e não explora outros seres humanos, como o capitalismo faz. Assim, quando Paulo Falcão defende a liberdade capitalista e não a liberdade socialista, capitula à exploração da mais-valia como se isso fosse uma prática natural própria à espécie. Ora, explorar trabalho não pago não é natural, é uma liberdade burguesa sórdida. Por isso, a única liberdade NÃO EXPLORADORA E NÃO OPRESSORA é a liberdade SOCIALISTA LIVRE. E o Socialismo Livre não tem nada a ver com a coerção ideológica dos stalinistas.

      • Questões Relevantes
        04/28/2014

        Mauro Nunes, acredito que os comentários acima, de Lúcio Júnior Espírito Santo e Gílber Martins Duarte sejam bons exemplos do que chamei de ” imprecisão semântica e conceitual”: uma aparente erudição, grávida de promessas reluzentes, mas sem qualquer detalhamento, sem apontar caminhos concretos para atingir seus objetivos, ou quando o fazem, são soluções totalitárias. O caso do Gilber é mais evidente no quesito “sonhos de uma noite de verão”, já o do Lúcio é uma defesa direta do marxismo-leninismo (veja o artigo que ele indicou), o que apenas reforça minha tese da brutal elasticidade moral de marxistas e exemplifica o “caminhar trôpego e contraditório que assistimos, em que os caminhos se bifurcam e jamais chegam a lugar algum”.

    • Lúcio Júnior Espírito Santo
      04/28/2014

      Paulo Falcão, vc é a favor da ditadura da burguesia disfarçada, do totalitarismo, desde que bem maquiado. Não existe imprecisão no que eu disse, vc mesmo identificou muito bem meu ponto de vista.

      Infelizmente, o marxismo leninismo é que conduziu as revoluções, foram essas ideias que deram certo. Claro que é preciso criticar tudo exaustivamente. Se é ciência, tem que chamar para a crítica, o debate. Muito do que se diz da URSS de Stálin e propaganda e mentira e os próprios historiadores norte-americanos estão desdizendo isso. Houve repressão pq houve conspiração de zinovievistas-trotsquistas com alemães e japoneses.

      • Questões Relevantes
        04/28/2014

        Lúcio Júnior Espírito Santo, o marxismo padece de vício de origem. Não dará certo nunca com liberdade. Mas se você acha que uma ditadurazinha não faz mal, digo a você o mesmo que disse ao escritor e pensador Flavio Aguiar em O GOLPE MILITAR E O RETROVISOR DA HISTÓRIA: “se a esquerda estiver empunhando os fuzis no pelotão de fuzilamento, a ditadura é justa. Se estiver sob a mira dos fuzis, é inaceitável. Para quem tem, como eu, a democracia como valor fundamental, esta postura não é eticamente ou filosoficamente defensável.”

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        04/28/2014

        Se Jango e a esquerda fuzilassem os golpistas em 64, esses fuzilamentos seriam justos. Estariam na defesa da democracia. Não crie teorias gerais, não enfeite bem, eu quero ver vc por as garrinhas de fora. Se vc aceita golpe de direita e cacareja em nome da democracia, vc é que faz o que vc está me acusando de fazer.

        O marxismo pode ser facilmente falsificado pelo liberalismo. Aliás, o que circula nas universidades do mundo inteiro é uma falsificação liberal do marxismo.

        Stalinismo, a rigor, não existe. Stálin seguia Lenin.

      • Questões Relevantes
        04/28/2014

        Lúcio Júnior Espírito Santo, eu mato a cobra e mostro o pau. Você apenas fala de uma minhoca imaginária que um dia vai se tornar o boi-tatá. Mas aparentemente lê com desatenção os textos que comenta. Deixo mais um exemplo concreto com você:
        COMO O MARXISMO ATRAPALHA A VISÃO (E A ÉTICA).
        http://wp.me/p4alqY-39

      • Lúcio Júnior Espírito Santo
        04/28/2014

        O marxismo é o Himalaia das visões de mundo, mas o coelhinho do Himalaia não pode ignorar o elefante da planície.

        Vc sai totalmente pela tangente ao falar da Arendt. Ela é elitista mesmo!
        Já democracia popular, ditadura do proletariado, exige mobilização das massas para participar, é ditadura de toda a classe. Se refluir para decisões de intelectuais, volta o capitalismo.

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Lúcio Júnior Espírito Santo, como você é fã do modelo Leninista e Stalinista, além de aplaudir Mao, resta evidente que aprova os métodos de seus ídolos, muito bem documentados pelos próprios.

      No entanto, a realidade dos últimos 150 anos mostra um aumento sem paralelo na história da humanidade no IDH dos países que mais persistiram na democracia liberal, da mesma maneira que comprova a matança da própria população em escala industrial nos países que puseram o marxismo em “teste de campo”. Estes são os fatos comprováveis. O resto são devaneios, delírios e, quem sabe, a crença de que em uma nova ditadura do proletariado você estará entre os que mandam matar e não entre os que são mortos. Gente mais inteligente e preparada que você, como Trotsky, viveu esta voragem até que um picador de gelo soviético no crânio lhe interrompeu o sonho.

  4. Mauro Nunes
    04/28/2014

    Lamento dizer, mas como vc acha que seria essa igualdade e como vc acha que seria o fim do capitalismo? Gostaria também de perguntar o que significa exatamente para vc “A imprecisão semântica e conceitual é, seguramente, um dos combustíveis para este caminhar trôpego e contraditório que assistimos, em que os caminhos se bifurcam e jamais chegam a lugar algum”. Por favor, verifique que não sou trotskista ou stalinista,muito menos anarquista, portanto esteja a vontade para tecer as considerações.

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Sobre o fim do capitalismo, penso que ele não vai morrer, mas vai mudar de formato, nem que seja por esgotamento. Este modelo consumista é sedutor mas insustentável. Acredito na livre iniciativa e na capacidade de aprendermos com os erros, de construirmos alternativas sem ruptura institucional. Dentro da democracia representativa e o estado de direito isto é perfeitamente possível.

      Quando olhamos em perspectiva, vemos que a chamada democracia liberal passou por profundas mudanças positivas, incorporando grupos e demandas de toda ordem, inclusive muitas de inspiração socialista. Isto não acontece sem lutas e resistências, mas acontece. São conquistas. São direitos que passam do campo da reivindicação para a realidade das leis e da prática política.

      Esta evolução não tem paralelo em nenhum outro sistema de governo já testado, e este é o gancho para responder a segunda parte de sua pergunta.

      Quanto mais estudo Marx, mais evidente fica que suas teses são antagônicas com a democracia, seja ela qual for. Mesmo a democracia direta, que não funciona bem nem em assembléia de condomínio, é incompatível com esta visão de um Homem dócil e pasteurizado que Marx vislumbra para além da ditadura do proletariado. No entanto, é comum vermos marxistas falando em democracia e liberdade sem precisar o que estas palavras de fato querem dizer no contexto de suas teses. Penso que esta vaguidão conceitual, esta não afirmação clara do sentido destas palavras é em parte estratégia de luta e em parte incapacidade de definir o que é impossível na prática.

      Na parte final do artigo em questão, exemplifico este ponto:
      “Quando a esquerda fala em igualdade, parece uma coisa bacana, mas como nos lembra Barthes e o fascismo da língua, isto significa a eliminação da diferença e, quase sempre, do diferente também.

      Quando fala em liberdade, fala em abrir mão da liberdade individual (de empreender, por exemplo) em prol da “liberdade coletiva”, um ente mítico se a liberdade individual foi suprimida.

      Quando fala em fraternidade, fala em apoio mútuo entre iguais (de classe e/ou ideologia), mas em guerra sangrenta com os desiguais (qualquer um que não reze por sua cartilha).”

      Este tema tem ocupado bastante minha produção e a leitura dos artigos sugeridos ao final deste em questão podem ajudar a entender melhor meu ponto de vista.

      De qualquer maneira, obrigado pela leitura e pelo questionamento.

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Mauro Nunes, acredito que os comentários acima, de Lúcio Júnior Espírito Santo e Gílber Martins Duarte sejam bons exemplos do que chamei de ” imprecisão semântica e conceitual”: uma aparente erudição, grávida de promessas reluzentes, mas sem qualquer detalhamento, sem apontar caminhos concretos para atingir seus objetivos, ou quando o fazem, são soluções totalitárias. O caso do Gilber é mais evidente no quesito “sonhos de uma noite de verão”, já o do Lúcio é uma defesa direta do marxismo-leninismo (veja o artigo que ele indicou), o que apenas reforça minha tese da brutal elasticidade moral de marxistas e exemplifica o “caminhar trôpego e contraditório que assistimos, em que os caminhos se bifurcam e jamais chegam a lugar algum”.

      • Mauro Nunes
        04/28/2014

        Amigo, vc volta com palavras macias de demérito. Acho que esse tipo de coisa não passa de uma chinelada com luvas de pelica stalinista a todos e tudo que faz uma critica a construções politicas e teóricas que quebram (ou pelo menos tentam) a hegemonia, e que sempre colocará aqueles que discordam de métodos que já se mostraram inadequados (no mínimo) para o escanteio da historia, mas mesmo assim o debate continua valido e fundamental; mesmo porque poderá não mudar suas idéias, mas permitirão mostrar a um grande numero de militantes e ativistas o que eles negam, mas de uma forma superficial. Negar o stalinismo e cair no anarquismo não é uma idéia que me agrade. Como não é uma idéia agradável que as massas neguem o stalinismo e abracem o fascismo como alternativa. Mesmo porque seria trocar 6 por meia duzia. Temos é que destruir o capitalismo, construir o socialismo e eliminar os conceitos stalinistas de estado, sociedade e relações humanas (e do fascismo e do stalinismo – claro que dos capitalismo também). Achar o veio certo do socialismo, temos que nos remontar aos eu processo inicial , analisar com um olhar profundamente critico os erros iniciados na II internacional, e aprofundados na III. É isso ou iremos sempre ter a desculpa de que os fins justificam os meios, de que na Russia era a necessidade de endurecer pra superar as adversidades enormes no pós revolução. Se é para repetir erros, podemos ficar como e onde estamos. Mesmo pq nada iria mudar apenas as questões de reforma, mas aí poderiam os adeptos aos conceitos aqui negados por mim, apoiar liberais adeptos a reformas mais contundentes onde as massas poderiam ter suas reivindicações mais elementares resolvidas. Assim não precisaríamos de muito alarde e nem muita perda de tempo. O fato é que precisamos sim fazer uma critica profunda para que a autocritica apareça de maneira clara, sincera. Não basta dizer que o stalinismo esta superado e que a teoria leninista-trotskista esta se mostrando correta, na medida que a convivência é possível. Mas agora não entrarei nesse detalhe, mesmo porque sei que terei oportunidade para isso num momento seguinte.

      • Questões Relevantes
        04/28/2014

        Mauro Nunes, o que você chama de “palavras macias de demérito” eu chamo de lógica, de pensamento organizado, de análise estrutural e dissecação de inconsistências e contradições. E faço isto sem torturar as palavras e seus significados.

      • Mauro Nunes
        04/28/2014

        Sim, tem que chamar assim, mesmo pq o stalinismo se baseia na organização férrea de pensamento fechado e debates limitados aos interesses das direções. Sonho de uma noite de verão seria abandonar o debate e a critica a tais posturas e apontar que estariam livre para que cometessem os mesmos erros do passado e do presente. De fato quando retomamos posições e construtos que são baseados nos excluídos pelo stalinismo, as coisas ficam mais interessantes, mesmo pq isso tende a se alastrar como rastilho de pólvora poderá dar um corte inesperado ao pseudo poder constituídos por vários grupos stalinistas,trotskistas, stalinistas-trotskistas. Pense nisso.

    • Gílber Martins Duarte
      04/28/2014

      Paulo Falcão, Por que “sonhos de uma noite de verão”.

      Claro, para quem acredita que o capitalismo liberal é o fim da história e o baluarte da liberdade, falar em socialismo livre parece “sonho de uma noite de verão”.

      A liberdade capitalista burguesa é a liberdade de explorar mais-valia, trabalho não pago, e a liberdade de oprimir pessoas. Essa é a liberdade que agrada Paulo Falcão, digo-o, porque leio sua linha teórica liberal. Paulo Falcão trata a liberdade como um valor universal, escondendo que a liberdade burguesa está interessada apenas em ser livre para explorar os trabalhadores e ser livre para oprimir pessoas.

      Essa liberdade tem de ser repudiada. No socialismo livre, a LIBERDADE É UM PRINCÍPIO. Mas vejam bem, rechaçamos a liberdade de explorar trabalho não pago e rechaçamos a liberdade de oprimir mulheres, homossexuais, negros e negras e outras minorias. E se condenamos o stalinismo, é porque no socialismo stalinista não havia a autêntica liberdade, qual seja, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, a liberdade de discussão, a liberdade de tendência política, a liberdade de crítica. O stalinismo expulsou Trótsky do país simplesmente porque ele criticava o governo e isso o socialismo totalitário stalinista não aceita. Por isso esse socialismo não queremos. Esse sistema é tão cruel contra a liberdade de explorar e a liberdade de oprimir dos burgueses capitalistas. Por isso, digo, o SOCIALISMO LIVRE é a única saída para humanidade deixar para trás seus atrasos opressores/exploradores.

    • Lúcio Júnior Espírito Santo
      04/28/2014

      Não, Gílber Martins Duarte, Trotsky propôs abertamente a derrubada armada do governo. E houve muita discussão e debate no período Stálin.

    • Gílber Martins Duarte
      04/28/2014

      Na Rússia, como explica bem Gilvan Rocha, depois que naturalizaram o fim das tendências, o fim do debate, o fim da crítica, impondo o partido único, tudo se resolvia na bala. Foi assim com Kronstad, foi assim com Trótsky, e como Trósky também ajudou a legitimar a merda stalinista, usava do mesmo veneno das balas contra socialistas e recebeu o mesmo veneno da bala e das expulsões dos stalinistas. Essa ética não tem nada a ver com o Socialismo Livre que defendemos. Esse marxismo assassino e fratricida, monolítico, tem de ser expurgado da história da humanidade.

    • Lúcio Júnior Espírito Santo
      04/28/2014

      Gilvan Rocha consegue pegar tudo superficialmente. Houve debate sim, esse debate trotsky x stalin foi uma polêmica pública. o problema em 1920 é que havia guerra civil. Agora, sobre Krondstadt quando a gente traz os argumentos de Lenin e Trotsky vcs repudiam com ar de mofa sem discutir. Daí que são “livres” para não debater tb, né? liberdade absoluta não existe.

      Vamos construir alternativa a partir da pesquisa sobre as lutas já realizadas. A URSS destruiu Hitler, por isso, tem contribuições positivas para a história.

    • Mauro Nunes
      04/28/2014

      Lúcio, acho interessante o debate que travamos, as venhamos e convenhamos, é a partir das teorias já formuladas que nossas criticas se baseiam. Não há como ser diferente. E mais, é a partir das criticas que fazemos e cosntruimos que formamos uam nova leitura e pratica revolucionaria.

      Da importância da autocrítica revolucionária!

      Temos um grande momento em curso no país e é nele que temos baseado nossas avaliações, textos e debates. Não temos aceitado nenhum tipo de equívoco que reporte a escolhas de lados, quando o povo se põe em marcha a favor ou contra qualquer tipo de governo ou de ideologia em nome de outra. Nossa luta é contra o capitalismo, pelo socialismo. Mas qual socialismo? Nenhum processo pós-revolucionário realizou as bases para o socialismo. Como digo: ESTATIZAR não é garantia de que a economia estará à disposição e sob o controle do povo. Manter a organização popular não significa que o povo esteja determinando o rumo da sua vida. Manter o povo sob a propaganda ideológica do partido, certamente não faz diferença ao que existe hoje na mídia capitalista (apenas faria a diferença às avessas). Temos de ter claro o que significou e significa a III Internacional para o Movimento Socialista revolucionário, mesmo porque não adianta falarmos em destruir o capitalismo sem tocar na questão do internacionalismo e o motivo de sua importância.

      Entender quais os movimentos que levaram o proletariado ao total descrédito no socialismo é a chave para esse debate, para o entendimento da derrota dos processos revolucionários no mundo e a derrota do socialismo no planeta (debates que estamos, a todo momento, realizando em nosso blog, páginas e grupos.

      Não podemos ter ilusões de que não há como misturar água e óleo. Podemos apontar que todos os processos revolucionários no mundo foram legítimos e vitoriosos, mas não podemos por isso dizer que o socialismo também teve o mesmo destino: isso seria um equívoco. Por isso fazer autocrítica dos erros que os revolucionários cometeram é fundamental.

      PS – sou militante do CSL-CAEP – Rio de Janeiro

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Caro Gílber Martins Duarte, não é a primeira vez que debatemos este assunto e não houve evolução.

      O fato concreto, comprovável, é que nos últimos 100 anos, os países que investiram na democracia liberal experimentaram a maior elevação na expectativa de vida, qualidade de vida, políticas de bem-estar social etc da história da humanidade. Há defeitos? Muitos. Mas é da natureza intrínseca das democracias liberais a evolução constante, o acolhimento de novas demandas. É, por definição, uma obra em processo de mudança contínua, que dialoga com as necessidades que se renovam a cada novo direito adquirido.

      Não se pode dizer o mesmo das experiências marxistas, que foram todas desastrosas do ponto de vista de gestão e, principalmente, no que diz respeito às liberdades individuais e direitos humanos.

      Quando você reafirma sua fé no socialismo livre, o faz como quem reafirma a fé na santíssima trindade ou em Alá. Não há argumentos sustentáveis, não há estratégia, não há teses de referência, não há modelos práticos ou teóricos: há apenas esperança. O nome disso varia, mas nenhum deles deixa de ser apenas crença.

    • Fernando Pessoa
      04/28/2014

      Meus caro Paulo Falcão, a fé é uma vertente da crença. Não é uma arma para o debate. A visão hermética do stalinismo impossibilita que a fé se transforme em vida. Em criação. A não ser que vc pretenda que o milagre dos peixes seja reproduzido, tal como os stalinistas trazem a vida toda a consequência nefasta das suas praticas do passado, mas com uma roupagem nova , em um modelo reestruturado de dominação pelo convencimento do erro para que no futuro tudo pareça normal e que a velha forma de transgredir a possibilidade da critica se transforme em traição da revolução, e aí estarão justificadas todas as formas de exclusão pensadas e praticadas pelos velhos stalinistas da revolução russa. E aí não creio que haverá qualquer alternativa para que a democracia proletária seja fincada em solo firme, Na mesma linha de pensamento apresento que a evolução de uma formulação teórica prática (práxis revolucionaria), se de da noite para o dia, mas as formulações de minha parte, da sua, de gilber, de lucio, de mauro e de tantos outros se dá a cada dia. A cada ideia e pensamento exposto e que sirva para debates mais profundos é uma prova concreta que fazemos disso uma leitura e u estudo do significado do socialismo , da liberdade proletária, da democracia socialista e mesmo do comunismo. Ou vcs pensam que gosto de imaginar que o comunismo deformado pelos stalinistas não se recuperará. O capitalismo é global, o socialismo tem de ser também e na medida que no mundo inteiro implantarmos o socialismo democrático proletário, resgatando e reconstruindo a Internacional (E APENAS ELA), seriamos capazes de construir o comunismo: estados eliminados, povos livres, organizados em suas bases, respeitando e sendo respeitados… mas aí pode ser que no dia seguinte, a terra tenha chegado ao seu fim, hehe. Mas tentaremos. Mas isso só é possível sob uma profunda autocritica (e olhe que nem acho que precisemos ir a praça publica nos chicotear,berrando em publico mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. hehe)

      Há basta que façamos na pratica a autocritica sem necessidade de atos extremos, mesmo pq isso deve doer muito, hehe.

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Fernando Pessoa, conceitualmente falando, a fé é o avesso da razão. Como pelo lado da razão não há como defender nem o Stalinismo, nem o Leninismo e muito menos esta entidade mítica chamada Socialismo Livre ou Democracia Socialista, só posso concluir que os que professam esta tese o fazem por fé. Não é o meu caso.

    • Gílber Martins Duarte
      04/28/2014

      Paulo Falcão, há 1000 anos atrás, se se dissesse a um ser humano que um dia voaríamos, que um dia conversaríamos no mesmo tempo com uma pessoa do outro lado do mundo, esse alguém era tido como louco. Nem seria uma questão de FÉ. Portanto, seu argumento de caracterizar a luta dos socialistas livres, como uma questão meramente de FÉ, é apenas um argumento de quem quer REPRODUZIR AS RELAÇÕES DE PRODUÇÃO CAPITALISTAS COMO SE FOSSEM RELAÇÕES DE PRODUÇÃO ETERNAS E INSUPERÁVEIS. Isso não é razão oposta à fé, isso é simplesmente conformismo ideológico com o sistema explorador ora posto.

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Gílber Martins Duarte, não sei você, mas eu não posso esperar 1000 anos para ver se um sonho se tornará realidade. Nos últimos 100 anos o socialismo só produziu pesadelos. É mais justo, rápido e seguro melhorar o sistema liberal do que substituí-lo por algo que só produziu autoritarismo.

    • Gílber Martins Duarte
      04/28/2014

      Melhorar o sistema liberal? O sistema liberal baseia-se na liberdade de explorar e na liberdade de oprimir. Não compactuamos com essa liberdade exploradora-opressora dos liberais-burgueses.

      • Ao ler os comentários do Gílber, reforço uma “teoria” de minha autoria:
        Dependendo do tempo e de quão precocemente se teve contato com o marxismo, a pessoa desenvolve o que eu chamo de Síndrome do salvador. Isto significa a dogmatização de uma teoria, no caso do marxismo, é o extremo da dogmatização, maior até que no Cristianismo, lembrando que este, dogmatiza para o Transcendente, ao passo que àquele, dogmatiza para o imanente.
        Na prática, os marxistas em geral e seus derivados, acreditam possuir uma moral superior, capaz de ‘salvar’ as outras pessoas da ‘opressão’ capitalista, ao ponto de enxergarem o marxismo como a única teoria correta, isto é, O MARXISMO SE APROPRIA(OU) DA VERDADE, todo o resto é auto-excludente. A MENTE FICA CAUTERIZADA.Não importa que digam aceitar outras teorias; no fundo, acabam recorrendo as teses “irrefutáveis” de Marx. Por exemplo:
        Quando se adota a escola de Frankfurt, ou os chamados Revisionistas, ou a Terceira Via de Giddens, dizendo ser estas um complemento do marxismo ou pequenas melhorias, na verdade, estão tentando mascarar as falhas, ou, até mesmo negá-las.TODOS OS QUE ADOTAM MARX COMO REFERÊNCIA(Os que, realmente, entendem o que significa a proposta marxista), QUEREM CONSTRUIR UM NOVO MUNDO, DESTRUINDO O JÁ EXISTENTE.Os que não entendem, são levados pelos ‘cabeças'(Tipo FHC,no caso brasileiro) a enxergarem outra realidade. Isto é tão verdade, que, o Gílber pensa ser o PSDB um partido de “direita”. O PSDB não é livre mercado, sempre deixei isso claro pro pessoal que aprende que FHC é sinônimo de laissez-faire. Tente dizer o contrário.Já fui chamado de “louco”, “reaça” e outros apelidos carinhosos.
        O problema nesta tentativa alucinada em construir um “outro mundo possível”, é que, não conseguem enxergar a IMPOSSIBILIDADE LÓGICA de tal proposta. Existe uma ESTRUTURA DA REALIDADE(Eric Voegelin), em cima dela se constroem teorias, umas, de acordo com essa Estrutura, outras, em revolta contra ela, mas, é impossível substituir o FUNDAMENTO posto. A Segunda realidade nasce dessa tentativa de negar o mundo existente.
        Mesmo com todas essas desgraças que essa ideologia marxista trouxe a sociedade, esse ainda é um sonho sonhado por quem está dormindo para a realidade.

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Gílber Martins Duarte, o problema com seu discurso é que a equação não fecha. Veja, faz parte da liberdade individual o direito de empreender, de idealizar um negócio, de desenvolver uma técnica produtiva. Faz parte, igualmente, o direito de uma pessoa vender sua força de trabalho a outra pelo maior preço que conseguir. Pode chamar isto como quiser, mas continuará sendo o exercício de um direito individual. Suprimido este direito individual, já há restrição à liberdade. Suprimido este direito, acabará por suprimir outros, para garantir que a primeira restrição seja obedecida. É esta a gênese do autoritarismo, algo que você diz repudiar.

    • Lúcio Júnior Espírito Santo
      04/28/2014

      Igualmente, o direito de uma pessoa vender sua força de trabalho a outra pelo maior preço que conseguir E O DIREITO DE MORRER DE FOME, é também sacrossanto, Falcon?

      O que vc está querendo dizer, na verdade, é que o direito de explorar trabalho alheio é sagrado e, se coibido, levará ao autoritarismo do proletariado contra a burguesia.

    • Questões Relevantes
      04/28/2014

      Lúcio Júnior Espírito Santo, como você é fã do modelo Leninista e Stalinista, além de aplaudir Mao, é até irônico me acusar de querer matar outros de fome. Esta é uma especialidade dos seus ídolos, muito bem documentada pelos próprios.

      A realidade dos últimos 150 anos desmente cabalmente esta superexploração que você “denuncia” na democracia liberal, da mesma maneira que comprova a matança da própria população em escala industrial nos países que puseram o marxismo em “teste de campo”.

      Estes são os fatos comprováveis. O resto são devaneios, delírios e, quem sabe, a crença de que em uma nova ditadura do proletariado você estará entre os que mandam matar e não entre os que são mortos. Gente mais inteligente e preparada que você, como Trotsky, viveu esta voragem até que uma picareta soviética no crânio lhe interrompeu o sonho.

  5. Serapião Silva
    04/09/2014

    Interessante a abordagem. Realmente a esquerda vive defendendo a democracia, mas nunca a democracia liberal. Ou seja: defendem algo teórico, que ninguém conseguiu ver funcionando ali, na prática. E como todas as suas iniciativas deram muuuuito errado, fica este bate cabeça, cada um tentando jogar o filho no colo do outro. O universo da esquerda já não é nem mais um labirinto, é só um emaranhado sem sentido.

  6. sonia
    04/06/2014

    muito bom! No entanto, ao citar tantas “feras” , por exemplo, Chomsky, fica difícil entender de fato o que vc tentou informar no texto! Ou seja, a conclusão esta boa, que era exatamente no lugar o qual vc queria chegar, mas fica difícil ligar sua conclusão como uma consequência dos antecedentes referidos no texto! Sem dizer também essa maravilhosa obra de ESCHER q novamente, fica dificil ligá-la ao texto! Não é um texto trivial para pessoas q mal tem a educação básica!

    • Sonia, reli o artigo e me parece que as relações estão claras: os labirintos são presença constante na obra de Escher com sua a ilusão de ótica e a impossibilidade de se transportar para a realidade habitável a magia de seu universo pictórico. A “Esquerda” faz algo semelhante, mas usa as palavras para isso. Quanto à citação de “feras”, coloquei links para quem quiser aprofundar-se e/ou confirmar o que afirmo, mas o resumo é simples: não há caminho certo quando se distorce o sentido das palavras, apenas bifurcações que não levam a nada. Quando passamos a respeitar o sentido das palavras, também teremos bifurcações, mas já não há labirinto.

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