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VLADIMIR SAFATLE E A MORAL DE OCASIÃO.

mascaras

Vladimir Safatle é uma das figuras mais buliçosas da esquerda brasileira na atualidade. Ativo, publica livros, é comentarista do jornal da TV cultura, colunista da Folha, convidado eventual de programas da Globo News e não perde a oportunidade de lançar seu olhar ideológico e sua língua afiada contra “o sistema”, “as elites”, “o governo” e outros coletivos que lhe permitam exercitar a sua luta de classes particular.

É um praticante convicto dos ensinamentos de Trotsky em “A moral deles e a nossa”: distorce fatos sem nenhum pudor para os adequar às suas teses. No fim, o que importa para sua moral de ocasião são os fins.

Nessa morte anunciada do cinegrafista Santiago Andrade da Band, Safatle já andou ensaiando comparações impertinentes no programa “Entre Aspas” da Globo News e perdeu qualquer vergonha em sua coluna na Folha de São Paulo de 18 de fevereiro último, o que mereceu uma bela chinelada de Reinaldo Azevedo em sua coluna do dia 21 no mesmo jornal. Mesmo quem não gosta do Reinaldo Azevedo precisa concordar: não dá para brigar com os fatos. E é exatamente isto que Azevedo faz: enumera e demonstra de maneira cabal o modus-operandi do mentiroso: “Vladimir Safatle, possível candidato do PSOL ao governo de São Paulo, surpreendeu os leitores deste jornal ao acusar, em sua coluna de terça, a polícia de ser responsável pela morte de quatro manifestantes: Cleonice Vieira de Moraes, Douglas Henrique de Oliveira, Luiz Felipe Aniceto de Almeida e Valdinete Rodrigues Pereira. Seriam, asseverou, apenas algumas das vítimas das PMs. A palavra delicada para definir a afirmação é “mentira”. As polícias, felizmente, não mataram ninguém nos tais protestos.

Cleonice, uma gari, morreu em Belém de infarto. Varria rua quando houve um confronto entre manifestantes e a PM. Inalou alguma quantidade de gás lacrimogêneo e teve infarto depois disso, mas não por causa disso. O filósofo deve conhecer a falácia lógica já apontada pelos escolásticos: “post hoc ergo propter hoc” — “depois disso, logo por causa disso”. Nem tudo o que vem antes é causa do que vem depois. É como no filme “Os Pássaros”, de Hitchcock. Tudo se dá depois da chegada da loura, mas a loura é inocente, Vladimir! (…).

Douglas e Luiz Felipe morreram ao cair do viaduto José Alencar, em Belo Horizonte. Não há evidências de que estivessem sendo encurralados pela polícia. Ainda que sim, seria preciso examinar as circunstâncias. (…).

A mentira sobre Valdinete é mais escandalosa. Foi atropelada por um motorista que havia furado um bloqueio no Km 30 da BR-251, em Cristalina, em Goiás. No mesmo episódio, morreu outra mulher, Maria Aparecida. Elas decidiram botar fogo em pneus para cobrar melhorias no distrito de Campos Lindos — nada a ver com os protestos dos coxinhas vermelhos. O motorista de um Fiat Uno não parou, atingiu as duas e sumiu. Elas não fugiam da violência policial.” (1)

Estas práticas enviesadas são uma constante em Vladimir Safatle. É capaz de se dizer um democrata convicto na mesma frase em que defende ideias socialistas escancaradamente totalitárias. Não é o único, é verdade, mas é dos mais ativos “fabricadores” de ficções vendidas como realidade. Curiosamente, há quem ainda o leve a sério.

Artigo de Paulo Falcão

(1)    Segue o link para a íntegra do artigo de Reinaldo Azevedo na Folha:  http://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldoazevedo/2014/02/1415460-assim-nao-da-vladimir.shtml

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Um comentário em “VLADIMIR SAFATLE E A MORAL DE OCASIÃO.

  1. Antônio Dias
    02/27/2014

    Vladmir Safatle é um ser furtivo, insidioso, cheio de uma retórica ora lobo, ora lobo disfarçado de cordeiro. Ele nunca me engana, mas engana muita gente. Sobre seus atos e ideias há uma coleção de ataques à democracia e ao estado de direito.
    Este artigo me lembrou outro do Reinaldo Azevedo, sobre o ataque terrorista na maratona de Boston em que ele confronta o “teórico” com a sua própria prática.

    Diz Reinaldo: “No que diz respeito à essência do ato, não faz diferença se os autores falam em nome de uma causa ou apenas se consideram injustiçados pelo mundo e querem se vingar.

    Todos os crimes são, afinal de contas, crimes, mas é claro que se pode fazer uma hierarquia na escala da abjeção. O terrorismo é o mais asqueroso deles, pouco importam a sua natureza, a sua causa ou as suas justificativas. Não obstante, nestes dias, há intelectuais que flertam abertamente com suas possíveis virtudes; que veem em atos dessa natureza uma expressão, ainda que um tanto distorcida, do humanismo. É o caso do intelectual marxista esloveno Slavoj Zizek, que sai fazendo a sua cantilena maldita mundo afora, encontrando eco, inclusive, em universidades dos EUA, que já passaram pelo 11 de Setembro.

    No Brasil, Zizek e sua tese ganharam uma resenha elogiosa assinada pelo professor da USP Vladimir Safatle. O texto foi publicado no Estadão — sim, no Estadão! — no dia 11 de janeiro de 2009. E eu jamais deixarei que vocês se esqueçam disso, que o Estadão se esqueça disso e que o próprio Safatle se esqueça disso. A cada vez que eu vir uma foto como a daquela mulher e as que se seguem abaixo, farei com que vocês se lembrem disso, com que o Estadão se lembre disso e com que Safatle se lembre disso. É bom notar: terroristas costumam armar suas bombas em aparelhos clandestinos, fétidos, escondidos de toda gente. Intelectuais que justificam seus crimes costumam estar nas universidades, nas bibliotecas e escrevendo em jornais.”

    O mais incrível é que uma pessoa assim tenha o espaço que tem nos diversos setores onde atua.

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