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LIBERDADE, DEMOCRACIA E MARXISMO: ESTRANHO FETICHE.

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Há um contingente grande de pessoas, principalmente jovens, que junta liberdade, democracia e marxismo em um mesmo discurso. Trata-se de um mistério mais complexo que a santíssima trindade, na medida em que a prática marxista exclui, para se realizar, a liberdade e a democracia.

Vou negar de saída a hipótese de que aqueles que têm fé nesta tríade impossível sejam idiotas, porque conheço vários que advogam esta tese e são bastante inteligentes. Restam então duas explicações mais prováveis. A primeira é que não sabem direito o conceito por trás destas três palavras, e as usam de forma “criativa” (e errada). A segunda é que foram pegos na rede Gramiciana de deformação conceitual que a esquerda brasileira vem tecendo dos anos 70 para cá.

Discutir o assunto com marxistas ortodoxos é fácil, pois eles rapidamente admitem o viés totalizante do marxismo e renegam a democracia “burguesa” (que é também a única que existe, da revolução industrial para cá). Em recente debate meu com a professora Maria Ribeiro do Valle (SABE COM QUEM VOCÊ ESTÁ FALANDO? DEBATE ENTRE A IDEOLOGIA MARXISTA E A LÓGICA LIBERAL.), ficou bastante claro que, para ela e os marxistas, é preferível a ditadura certa (a do proletariado) que a democracia errada.

A coisa é bem diferente com o que chamo de “marxistas difusos”. Estes devotos da tríade libertária (liberdade, democracia e marxismo) de fato conhecem muito pouco a base teórica do que defendem. São portadores, apenas, da fé em um “futuro melhor”. Como disse o professor Denis Lerrer Rosenfield (…) “Compara-se o capitalismo real, existente, com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições. Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles “existem” no capitalismo.” (1)

O mesmo professor Rosenfield, em outro artigo, demonstra de forma ainda mais clara a falácia desta nova seita: “Marx já dizia que a verdade de uma ideia é a sua realização prática, sem o que teríamos utopias vazias e, pior, de concretização possível. Ora, só podemos julgar a validade do socialismo por sua realização na História. Se olharmos para a História, constataremos como realizações socialistas, “progressistas”, a aniquilação da liberdade de escolha como a maior de suas façanhas, passando por uma noção bizarra de cidadania que torna todos os indivíduos súditos do Estado. O interesse coletivo, do estatal, impõe-se, então, como forma de correção do “egoísmo”, levando, como se sabe, aos campos de reeducação – na verdade, campos de eliminação dos que se recusavam a essa política liberticida.(1)

(…) O capitalismo, que no dizer dos “progressistas” seria a fonte de todos os males, tornou-se, na História da humanidade, o regime que melhor soube recriar-se, emergindo sempre novo de suas crises. Nas palavras de Schumpeter, o capitalismo caracteriza-se pela “destruição criadora”. Poderíamos acrescentar: e o socialismo, pela “destruição aniquiladora”.

(…) no capitalismo foi erigido todo um conjunto de normas visando a assegurar a liberdade sindical e de organização partidária. Como ninguém encarna a verdade e o bem, não havendo partido que se diga, no exercício do poder, a personificação da virtude revolucionária, todos se devem acomodar a um jogo de pressão e contrapressão no nível sindical e, no nível político, em propostas que tenham como finalidade captar o voto dos cidadãos em nome de uma certa representação do bem comum.(1)

Retomando o início deste artigo, imagino que tenha ficado mais claro porque a tríade LIBERDADE, DEMOCRACIA E MARXISMO é um embuste teórico. Marxismo é um conceito que exclui, de per si, os conceitos de democracia e de liberdade (como compreendidos dentro de um estado democrático e de direito) e não há como conciliá-los. Quem diz o contrário o faz de maneira genérica, messiânica, sem explicar como se dá (ou dará) tal prática. Age mais ou menos como o alquimista que tenta vender a receita de transformar ferro em ouro. Há sempre interessados.

Artigo de Paulo Falcão.

PS – Para quem deseja se aprofundar no tema, sugiro dois artigos.

Este primeiro analisa o verbete DEMOCRACIA do “Dicionário de Política” de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino

https://questoesrelevantes.wordpress.com/2014/03/12/quando-a-patrulha-ideologica-compromete-a-logica/

O segundo faz um apanhado geral das principais divisões politico-ideológicas:

https://questoesrelevantes.wordpress.com/2013/12/12/esquerda-x-direita-a-teoria-das-gavetas-ou-como-nao-chamar-urubu-de-meu-loro/

 

(1) : Denis Lerrer Rosenfield em “O Globo” – http://oglobo.globo.com/opiniao/o-embuste-ideologico-11167368#ixzz2q33Vn9Xe

(2) Denis Lerrer Rosenfield em “O Estado de S.Paulo”  http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,quem-e-progressista,1117787,0.htm

Aviso sobre comentários:

Comentários contra e a favor são bem vindos, mesmo que ácidos, desde que não contenham agressões gratuitas, meros xingamentos, racismos e outras variantes que desqualificam qualquer debatedor. Fundamentem suas opiniões e sejam bem-vindos.

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45 comentários em “LIBERDADE, DEMOCRACIA E MARXISMO: ESTRANHO FETICHE.

  1. Francisco Fábio
    10/13/2016

    Grande democrata. Eliminou meus comentários. E a esquerda é que gosta da ditadura. Desculpe mas você é uma besta pedante. Espero que seus leitores entendam isto. Como você diz que não existe almoço grátis desconfio que você recebe o chamado “jabaculê” de alguém para destilar verborreia contra a esquerda. O Moro deve saber como! Durma com os anjos, mas sei que você não irá publicar. A canalhice se mostra assim. Fazer o que?

    • Questões Relevantes
      10/13/2016

      Francisco, você está se tornando uma prova viva do quanto ideologias podem cegar uma pessoa.

      Nenhum comentário seu foi apagado e todos foram respondidos.

      Na falta de capacidade de entender o que lê e de bons argumentos para debater, parte para este tipo de comentário ridículo.

      Repito: todos os seus comentários são publicados. Não existe nenhuma censura. Esta conversa de que bloqueio sua possibilidade de resposta é única e exclusivamente ignorância de sua parte. Utilizo uma plataforma gratuita do wordpress. Nela, o comentário digamos, inicial , tem uma aba de resposta. A primeira resposta publicada clicando-se esta aba também traz esta aba. As demais, não. Mas clicando-se no RESPONDER do comentário inicial ou da primeira resposta, automaticamente o novo comentário será publicado dentro deste assunto, após o último anteriormente publicado.

      Quanto à suas afirmações e avaliações sobre a economia, são uma coleção de achismos e preconceitos atrozes.

      Reduza sua ignorância. Segue o link da íntegra da PEC 241:
      http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1468431&filename=PEC241/2016

      • Francisco Fábio
        10/14/2016

        Saio do blog com medo de minha ignorância aumentar!

  2. Francisco Fábio
    10/09/2016

    Paulo, li tudo deixei para comentar no final. Portanto não não me mande ler de novo nem me mande um outro artigo. Já disse, não sou idiota.
    Só três coisas: 1-Conceito não muda. O que muda são as palavras que levam a um melhor entendimento do conceito.
    2-(Esta é forte). Democracia só existe no capitalismo!
    O Paulo decretou que a humanidade fique parada no tempo e logo no capitalismo que não é e não pode ser democrático, porque leva a concentração da riqueza. Riqueza é poder. Quem tem poder escraviza.
    3-“Chamar cada coisa pelo seu nome”. Recaída em querer que a humanidade pare. Palavra pode e muda muito o seu significado e isto você não quer entender. Quando falo em SOCIALISMO você retruca: Marx disse isto, disse aquilo. E para me apequenar disse que eu quero um “socialismo para chamar de meu”. É, eu quero o socialismo, meu ou seu, desde que siga o CONCEITO que vem de antes de Marx: O COLETIVO DEVE SER PREVALENTE AO INDIVIDUAL Este é o conceito que não pode mudar. E existe milhares de maneira de ser implantado e a melhor melhor maneira é na democracia. E ainda não foi implantado, não por ser impossível, mas porque a maioria ainda não evoluiu o suficiente para compreender que o capitalismo atual levará a humanidade de volta a barbárie e só o socialismo salva.
    – Para finalizar dou exemplo de como palavra muda de significado. COITADO! É ter “peninha” né? Ela é derivada de que? O significado dela hoje, fala-se como?
    Você sabe pois é erudito! Eu sou plebeu, mas quero aprender.

    • Questões Relevantes
      10/09/2016

      Vamos por partes.
      Sobre sua primeira afirmação de que o conceito não muda, o que muda são as palavras que levam a um melhor entendimento do conceito, é uma frase bonitinha, mas só isto. No caso do marxismo, por exemplo, para se compreender a ideia como definida pelo autor é preciso ter o cuidado de resgatar o sentido das palavras tal qual utilizadas por Marx, caso contrário estaremos diante de um entendimento falso do conceito original. A partir do entendimento correto é possível fazer a crítica, formulando uma nova tese, que podem se propor a negar ou a corrigir a teoria de base, a atualizá-la. Seja como for, o ponto de partida, a essência, permanece a mesma, como você mesmo reconhece.

      Quanto à democracia só existir no capitalismo, note que o artigo faz um corte temporal ao utilizar o aposto “da revolução industrial para cá”.
      Você é capaz de citar algum governo democrático neste período que não tenha ocorrido dentro de economias capitalistas? Eu desconheço qualquer exemplo.
      Quanto ao capitalismo não poder ser democrático porque leva à concentração da riqueza, e de poder, trata-se de uma mera armadilha retórica. Como já defendi no artigo “DEMOCRACIA SOCIALISTA” É O SACI PERERÊ DA CIÊNCIA POLÍTICA: NÃO PASSA DE FOLCLORE ( http://wp.me/p4alqY-3n ), “Uma desculpa recorrente dos marxistas é que a democracia capitalista tem participes privilegiados da ordem social com acesso privilegiado ao exercício do poder, sujeitando a maioria às suas decisões, o que distorce e inviabiliza a democracia. Isto é apenas o insidioso totalitarismo colocando seus ovos.

      A ideia de que não temos uma verdadeira democracia porque temos injustiças e “participes privilegiados da ordem social” é uma armadilha retórica que traz subjacente a conclusão que não temos uma democracia, mas sim uma ditadura, o que nos leva de volta ao velho papo marxista de que minha ditadura é melhor que a sua.

      A democracia é, por definição, uma obra em constante processo de inclusão de demandas, inclusive demandas sociais de origem socialista. Isto ocorre porque é da essência da democracia ser plural no que tange a seus atores, mesmo que de forma assimétrica. Até neste período relativamente curto da democracia brasileira, pós ditadura militar, é inegável que houve avanços na conquista de direitos por maiorias e minorias. Isto não quer dizer que está bom. Quer dizer apenas que a democracia, do ponto de vista legal e prático, traz nela o direito de reivindicar, de protestar, de exigir mudanças, de alternância de poder – tudo isto sem ruptura institucional e com a maioria vencedora tendo que respeitar os direitos das minorias derrotadas”.

      No terceiro ponto, quando diz que o socialismo se define pelo conceito de que “O COLETIVO DEVE SER PREVALENTE AO INDIVIDUAL”, de certa maneira está dizendo o mesmo que Deleuze em seu famoso vídeo “O que é ser de esquerda”. Analiso esta posição em dois artigos. No segundo, chamado ESQUERDA X ESQUERDA, OU: NÃO DÁ PARA CHAMAR SEMÁFORO DE LIQUIDIFICADOR. (http://wp.me/p4alqY-vL ), pode-se ler o seguinte:
      “Se tomarmos como base a esquerda original, a da Revolução Francesa, ser de esquerda era defender valores burgueses, como nos lembra Mariana Nóbrega: “Foram os filósofos iluministas, representantes da burguesia, que consolidaram a concepção de direitos civis e políticos universais, o que permitiu o despertar da ideia de direitos humanos e o surgimento de movimentos como o feminista e o abolicionista (contra a escravidão).

      Os direitos civis têm como pedra de toque a liberdade individual. Nessa categoria estão os direitos à vida, à liberdade, à propriedade e à igualdade perante a lei, prerrogativas que se desdobram na garantia de livre circulação, manifestação e organização, na inviolabilidade do lar e da correspondência, na garantia de um processo legal justo e no respeito às leis impostas pelo Estado por meio de uma Constituição. Os direitos políticos dizem respeito à participação dos cidadãos e cidadãs nas decisões relativas aos destinos da sociedade a qual compõem. O seu exercício corresponde à possibilidade de votar e ser votado, formar grupos políticos e organizar partidos. É possível existir direitos civis sem direitos políticos, no entanto, a plena realização dos direitos políticos só acontece com a realização dos de natureza civil”.

      Por outro lado, se tomarmos como base as definições que se tornaram estatisticamente hegemônicas a partir do final do século XIX, ser de esquerda é ter como objetivo a superação da democracia liberal, bem como a expansão do controle estatal na economia até a extinção da propriedade privada dos meios de produção.

      Observe que são definições mutuamente excludentes. Chamar as duas de “esquerda” é investir na confusão. Não podemos chamar semáforo de liquidificador e achar que faz sentido. Não faz”.

      Quanto ao sentido da palavra COITADO ser atributo de alguém digno de pena, não mudou muito, apenas perdeu-se (junto com o latim) sua origem: “coitado” vem de COITA, que vem do Latim COACTUM, que veio do verbo COGERE, “apertar, constranger”.

      Assim, “coitado” é um sujeito que está numa situação de aperto, que se vê obrigado a obedecer ou atender a determinações alheias ou contrárias ao seu íntimo e que por isso é infeliz.
      Em uma democracia, podemos dizer que é a condição de quem não tem condição de escolha econômica, social e política.
      Em governos socialistas podemos dizer que é a condição de todos que não pertencem à casta que governa o destino dos demais com mão de ferro.

      • Francisco Fábio
        10/09/2016

        Paulo, eu nunca me meteria nas suas devaneios eruditos se você não os usasse para sofismar tirando falsas conclusões contra o pensamento da esquerda. Consideraria tudo como um sarau acadêmico com degustação de petiscos. Você não fala dos conceitos você fala dos personagens dos conceitos. Claro que isto é válido. Num ambiente acadêmico saber o pensamento de Marx e de outros é bom. Serve para exposições acadêmicas e não para estudo dos conceitos. Você não fala o que é o Comunismo, o Socialismo, o Capitalismo. Repito os CONCEITOS.
        A discussão passaria a ser: O comunismo quer o que? Isto é possível, não é, quais os defeitos? O mesmo para o socialismo o capitalismo ou outro novo sistema, estudar da possibilidade de fazer mistura entre eles etc, etc.Com a capacidade de cada um iríamos fazer raciocínios lógicos ( O animal humano tem uma grande capacidade para isto) e aí iriam aparecer os caminhos se for conseguido conscientizar a maioria e aí qualquer regime poderá ser democrático. A democracia, você já disse, e aí concordamos, terá que existir. A discordância poderia se dá em eu achar um e você outro. Ganharia quem convencesse a maioria. A democracia pode se dá em qualquer regime pois seu conceito básico é: “Todos são iguais perante a lei.” Se é para todos, todos farão a lei! Como isto pode ser feito, a prática vai dizer. Repito pois não concordo com você: CONCEITO NÃO MUDA POR QUE NÃO SERIA CONCEITO, SERIA OPINIÃO.

        Em tempo: COITADO para o “povão” é outra coisa. O que você disse é para os eruditos com suas elucubrações teóricas…

      • Questões Relevantes
        10/10/2016

        Francisco, seu argumento não encontra respaldo na realidade. Toda minha argumentação é baseada nas teses, nas ideias e nas práticas de cada uma das correntes de pensamento que abordo. Se você não é capaz de reconhecer isto, o problema é menos o texto e mais seus preconceitos e sua capacidade de entender o que lê.

        Quanto ao sentido da palavra COITADO, tem certas nuances, mas em geral significa desgraçado, infeliz, mísero, digno de dó. Assim, como disse no comentário anterior, podemos dizer que nas democracias liberais as pessoas que não podem fazer escolhas econômicas, social e política estão em uma situação digna de dó, infeliz. Já nos governos socialistas, onde o cidadão comum não tem qualquer direito de escolha econômica, social e política, ficando estas questões restitas à casta que governa o destino dos demais com mão de ferro, todo cidadão comum é digno de dó.

        Se para o “povão” tem outro significado, esclareça.

  3. Marcos Carvalho Campos
    10/07/2016

    Tiram sarro dos “marxistas difusos” (isto é piada ?) quanto a sua fé em um futuro melhor … quer teoria mais cheia de fé do que o liberalismo de von Mises ? uma fé 100% calcada em um tal de mercado, que para cada produto tem uma definição (começa por aí a incoerência inconsistência profunda), que precisa como um deus greco-romano de sacrifícios dos seus adoradores ?

    • Questões Relevantes
      10/07/2016

      Marcos, Marcos Carvalho Campos, você não tem o domínio mínimo dos conceitos que utiliza, apesar de trabalhar na UFPR. Espero que não seja professor.

      • Marcos Carvalho Campos
        10/07/2016

        Sou professor de Engenharia Mecanica. Se for para falar em dominio minimo dos conceitos … acho que você parece que tem um bola de cristal defeituosa ai do seu lado , quando tasca a falar sobre o conhecimento dos outros. Você que está precisando aprofundar mais suas leituras sobre marxismo, mesmo porque a esquerda atual já evoluiu sobre o que Marx propôs , já a direita continua com a mentalidade do fascismo a la Mussolini mesmo.

        Quer exemplo ? A direita continua até hoje aparelhando o poder judiciario, investigando e prendendo só a “turma do PT”… Trocentas denuncias contra centenas de politicos de direita do PSDB , DEM , PMDB e outros menores emboloram nas gavetas dos juizes … Meu chapinha a sua page poderiam bem questionar , como Questão Relevante , o partidarismo da justiça … Não seria interessante ???

      • Questões Relevantes
        10/07/2016

        Marcos, tenho particular interesse em teoria política e posso garantir que a esquerda não mudou tanto assim. O blog traz alguns debates e outros tantos artigos que deixam isto claro. Evidentemente o livre mercado e a democracia liberal têm defeitos que devem ser nomeados e trabalhados, mas sua linha de raciocínio é um tipo de humor involuntário. Depois de 13 anos de governo do PT e de uma maioria de juízes do STF indicados pelo partido, alguns que só não andam com o broche do partido para manter as aparências, chega a ser ridículo a afirmação. Quando à Lava-Jato, ela começou investigando a roubalheira na Petrobrás, comandada pelo PT há 13 anos. Está desenrolando o novelo. Esta semana mesmo começou a investigar casos do período FHC. Ou seja: a realidade teima em desmentir seus delírios. Como engenheiro, imaginei que seria mais rigoroso com a lógica, mas evidentemente subestimei o poder das paixões ideológicas sobre a racionalidade.

      • Francisco Fábio
        10/10/2016

        Questões relevantes, quê meus argumentos? Eu não argumentei na minha última postagem. Eu disse que não achava prático discutir em redes sociais o que pensava Marx ou outro qualquer. Que era válido em ambiente acadêmico ou conclaves eruditos. O que proponho discutir é a implantação de SISTEMAS DE GOVERNAR. Qual seria o melhor e se os conceitos seria válidos, praticáveis ou não. Fiz perguntas e não obtive respostas. Mas afirmou ( você é mestre em afirmar!) que eu não vejo a realidade e que não entendi nada. Fazer o que? Você é que não vê a realidade. Tapou olhos e ouvidos

        Quanto ao COITADO, você se esquivando da pergunta repetiu o significado da palavra, hoje. E o que eu queria mostrar a mudança do significado dela de ontem para hoje. E a pergunta não foi gratuita. Queria era mostrar que o dito ontem não pode, sem trazer para hoje, saber o que realmente foi dito.
        – Você não disse, mas sabe. Com erudição disse que vem de COITO Daí o “povão” deduziu o que você não quer dizer…

      • Questões Relevantes
        10/10/2016

        Francisco, você está se tornando um mestre em ler o que ninguém escreveu e em não entender o que eu escrevi. Quem nos ler, verá.

  4. Marcos Carvalho Campos
    10/07/2016

    Para quem não sabe , Marx simplesmente começou o questionamento do que já era insano naquela época e continua até hoje. Dão um pulinho lá na Siria de hoje e nos explique pelas leis de Von Mises o que acontece por lá , depois com base nos marxistas (difusos ou ortodoxos) encontraram explicação bem mais plausível.

    • Questões Relevantes
      10/07/2016

      Citar a Síria foi um atestado de indigência intelectual. O drama Sírio não envolve luta de classes e nem tão pouco livre mercado. Ver que você trabalha na UFPR deixa tudo ainda mais triste. A Síria era uma ditadura laica e gozava do mais alto grau de tolerância religiosa e de costumes no Oriente Médio. A guerra teve origem em grupos religiosos islâmicos financiados pela Arábia Saudita para desestabilizar Assad, um aliado do Irã, que disputa com eles o controle da região.

      • Marcos Carvalho Campos
        10/07/2016

        ” …. O drama Sírio não envolve luta de classes e nem tão pouco livre mercado .. ” piada , né ? O gasoduto que queriam passar pela Siria e chegar ao mercado Europeu é o que mesmo ??

        Acho que você conhece bem pouco o que é a Teocracia do Reino. Não só os Sauditas estão financiando “rebeldes” na Siria , mas está mais do que comprovado o envolvimento dos EUA e de Israel em financiar e treina a AlQaeda , Siria, a tal Al Nusra, bem como o EI.

      • Questões Relevantes
        10/07/2016

        Marcos, só se for em algum roteiro ruim de teoria da conspiração. Não conheço nenhum analista digno de nota que sustente esta sua tese.

      • Marcos Carvalho Campos
        10/07/2016

        Claro que não conhece.

        Quais são seus analistas digno de nota ? Marco Antonio Villa, Olavo de Carvalho ??? Reinaldo Azevedo ? Mainardis ??

        Analistas … Tá aí o Schumpeter que não nos deixa enganar sobre capitalismo (Que a partir da visão marxista verdadeira tem sim seu papel historico destacado pelo alemão, mas que teria que ser superado como meio de produção prepoderante para a evolução da humanidade isto é o que pregava o barbudo, a superação do capitalismo , detalhe não fixou data para que isto ocorresse) ….Nas palavras de Schumpeter, o capitalismo caracteriza-se pela “destruição criadora”. (tirei do artigo do post do Paulo Falcão) . Destruição do quê mesmo ? na Siria . .tratou-se de Aleppo, de Palmira, na Libia de várias cidades enfim Guerras Imperialista para imposição de mercados de produtos de gente doente…. então um dos teóricos do séculos passado já dava os nomes aos bois .. destruição “criadora” (bem contraditoria tal definição) ,prefira a atual definição da canadense Capitalismo de Desastre (sugiro a leitura).

        Os anti-marxistas acham que Marx não entendia nada do que era o modo de produção capitalista, tanto sabia, que os capitalistas que aprenderam com Marx , foram preservando suas estruturas e evoluíram com ela , Hoje a sociedade mais invejada no planeta são os escandinavos , com a social-democracia, “marxista” da segunda internacional, bem como a Islândia. E aqui a turma neo-liberal acha o maximo a escola austríaca … ai ai … só banqueiro e seus funcionarios mais bem pagos gostam desta seita … Esta pagina é bancada pelo Itau assim como o tal Partido Novo ???

      • Questões Relevantes
        10/07/2016

        Marcos, sobre Joseph Schumpeter, cujo conhecido conceito da destruição criativa você não entendeu, sugiro a leitura também deste outro:
        A DESTRUIÇÃO CRIATIVA E A EMPATIA IMEDIATA.
        http://wp.me/p4alqY-cM

        Já sobre esta questão da social-democracia, deixo duas sugestões:
        SERÁ QUE EXISTE UMA EXPERIÊNCIA VIRTUOSA DE ESQUERDA?
        http://wp.me/p4alqY-if

        E este:
        A PROVA DE QUE A DIREITA TEM CORAÇÃO.
        http://wp.me/p4alqY-kz

      • Roberto Bacelar
        10/08/2016

        Citar a Síria para falar de marxismo sem levar em conta a geopolítica escancara os dois dedos de profundidade de conhecimento sobre o tema.

    • Francisco Fábio
      10/10/2016

      Marcos, é para o Paulo, não é para você. Ele quer impedir minhas respostas e usa o expediente de não abrir a possibilidade de responder, Veja que não aparece “o responder” depois que ele me responde. Mas continuarei pois já disse que não escrevo para ele, escrevo para quem lê o que ele diz e evitar que sejam levados pela verborreia dele, pois sempre a usa para desconstruir a esquerda e muita gente é iludido e é para tentar evitar isto que comento o seu blog.

      Queria só completar a resposta do último comentário.Paulo você vive tão fora da realidade que coloca como COITADO aquele que é assistido pelo Estado. Acha portanto que o privado é que dará a assistência? Esquece você que é assistência quando o Estado prover um aeroporto. Assistência não é só Bolsa Família.
      Ou é ingenuidade sua ou má fé.

      • Questões Relevantes
        10/11/2016

        Francisco, você continua não entendendo o que lê. É uma pena.

  5. lucemiro1405
    12/26/2014

    Se vc é tão democrata, irá fatalmente entender o estado totalitário em que estamos entrando com a prisão de ativistas durante a Copa do Mundo.

    • Questões Relevantes
      12/27/2014

      Lucemiro, em uma democracia é garantida a liberdade de expressão, mas não a falta de consequência para o exercício desta liberdade.

      Se alguém desejar ficar em uma praça pública, por exemplo, proferindo ofensas raciais, poderá ser preso por crime de racismo, ou seja, teve o direito de se expressar mas arca com as consequências de seus atos.

      No caso da Sininho e outros “ativistas” presos, ocorreu situação análoga. As democracias acolhem o direito à manifestações e passeatas, mas não ao vandalismo, não à depredação, não ao uso
      de artefatos que ponham outras pessoas em risco.

      Sininho estava entre os membros do grupo de ativistas e black blocs investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na Operação Firewall. Foi presa com base em provas produzidas nesta investigação.
      Há um inquérito e um processo que corre em segredo de justiça por associação criminosa.
      Pode haver alguma injustiça? Pode. Mas podemos chamar a prisão de arbitrária? Não. Ela se deu com base um provas produzidas ao longo de investigações. É como funciona o estado de direito.

      • lucemiro1405
        12/28/2014

        Não compare Sininho e os ativistas com um racista! Ela é o contrário disso. Inicialmente, até a Globo responsabilizou a PM pela ataque ao cineagrafista (há um vídeo, a Globo tirou do ar).
        Como assim “provas produzidas nessa investigação”. Provas não são produzidas, existem ou não existem. Quais são? Corre em sigilo de justiça? Pq? O que vi lá foi exatamente o que Romeu Tuma Jr denunciou que ocorre no pretensamente democrático governo do PT: pessoas são presas com base em achismos e em investigações picotadas aqui e ali, “produzidas”, realmente.

      • Questões Relevantes
        12/29/2014

        Lucemiro, leia com mais vagar para entender o que lê. Não chamei Sininho de racista, de maneira nenhuma.
        Quanto à Globo ou qualquer outro canal ter atribuido responsabilidade à PM, trata-se de mal jornalismo. As imagens disponíveis são inequívocas e não estão sendo contestadas.
        Quanto ao termo “produzir provas”, uma rápida pesquisa no dicionário ou no google lhe pouparia o vexame de escrever o que escreveu acima. Trata-se de um termo técnico, é como se chama o processo de investigar, colher evidencias e comprovar sua ligação com os acusados.
        Ninguém pode acusar este blog de defender ou ser simpatizante do PT. Mas o caso aqui é de polícia mesmo.

      • Francisco Fábio
        10/11/2016

        Oi nós de volta outra vez! Quero que todos que leem o blog fiquem sabendo o sabão de glicerina que é o Paulo. Vou ver se ele consegue se esgueirar. Pergunto, (não me fale de Marx), qual sua opinião sobre a PEC 241?
        Eu não entendo de nada, como você diz, mas sou a mosca que pousou na sua sopa. Ah Raul! Ensina para o Paulo o que é COITADO…

      • Questões Relevantes
        10/11/2016

        Francisco, sobre a PEC 241 sou a favor. Posso discordar de alguns pontos, mas defendo a sua necessidade.
        Aliás, concordo com o Felippe Hermes:

        “99% das pessoas que estão reclamando da PEC não sabem a diferença entre:
        Déficit e superávit
        Primário e nominal
        Gasto liquidado e gasto empenhado
        RGPS e RPPS
        Juro real e nominal
        O que é SELIC
        O que é DRU
        O que é gasto discricionário
        Qual o custo efetivo da dívida pública
        Mas sabe do que mais? Não tem problema nenhum você não saber isso. Ninguém é obrigado a perder tempo com isso para entender algo.
        Errado é você querer opinar sobre a dinâmica do orçamento sem saber o básico sobre ele.
        Errado é você comentar com – Eu acho que não é assim.
        Ou ainda, dizer: Vá estudar história, para responder algo sobre a dinâmica dos juros nessa brincadeira toda”.

        Outra dele:
        “A PEC 241 dividiu o Brasil em dois:
        1) aqueles que sabem que não existe almoço grátis;
        2) aqueles que querem tomar o almoço dos outros”.

        Também recomendo a leitura deste esclarecedor artigo:
        SE O SEU GURU XINGA A RESPONSABILIDADE FISCAL, PEÇA UM EMPRÉSTIMO PARA ELE.
        http://wp.me/p4alqY-qm

  6. Ronaldo Queiroz
    03/16/2014

    Pobre Paulo Falcão – desconhece a própria história da democracia moderna – deveria estudar atentamente o processo de lutas sociais que introduziu no coração do Estado Liberal a própria democracia. Por certo, compreenderia a complexidade da realização histórica da democracia burguesa.

    • Questões Relevantes
      03/16/2014

      Ronaldo Queiroz, fiquei na dúvida se você leu o artigo todo ou apenas o título. Seu texto é vago e parece indicar que valoriza a democracia burguesa em seu momento atual, que incorporou diversas bandeiras de lutas sociais. Se é isto, leia de novo o artigo e veja que não divergimos nisso. O que o artigo afirma, isto sim, é que o marxismo, na medida em que se realiza, elimina a democracia. Este aspecto foi desenvolvido de forma mais técnica e abrangente em um artigo que analisa o verbete DEMOCRACIA no “Dicionário de Política” de Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino e que pode ser lido aqui: http://wp.me/p4alqY-3B

      • Ronaldo Queiroz.
        05/08/2014

        Li teu artigo com certa acuidade e nele encontrei muito mais o afã de negar o marxismo como filosofia política positiva do que em historiar com cuidado o contexto em que o socialismo de caserna se fez realidade política. Como historiador procuro historicizar sempre. Quando historiamos as ditaduras modernas é possível entender melhor a paisagem autoritária. O marxismo, assim como o liberalismo, podem – de acordo com as preferências ideológicas – servir para – numa miséria da filosofia – encontrar relação com o autoritarismo. Liberais na América Latina construíram ditaduras – assim como marxistas no Leste Europeu fizeram o mesmo. Mas trata-se de filosofia? Claro que não. Onde já havia uma tradição autoritária forte – uma cultura política ditatorial sólida – independentemente da filosofia política o autoritarismo permaneceu. Esta é a realidade meu caro Paulo Falcão.

      • Questões Relevantes
        05/09/2014

        Ronaldo, no manifesto comunista de Marx e Engels está bem clara a tese de tomada do poder e destruição simultânea da democracia liberal e do estado de direito. É, digamos assim, um princípio filosófico. E permanecendo no campo da filosofia, podemos afirmar que, ao abolir as liberdades individuais (como o direito de empreender, por exemplo) abolimos o próprio conceito de homem livre. Há quem veja nisso uma libertação, quem considere este “coletivismo de consciências” a verdadeira democracia. Além desta tese não fazer sentido para mim, resta evidente que seus autores imaginam ser possível mudar a natureza humana.

        É justamente por esta razão que vejo Platão como superior a Marx. Platão revela uma profunda compreensão da natureza humana e de suas tentações autoritárias quando afirma ser a democracia a melhor alternativa de governo real, já que nenhuma atinge o ideal. Ou, a menos boa das formas boas e a menos má das formas más de Governo: “Sob todo o aspecto é fraca e não traz nem muito benefício nem muito dano, se a compararmos com outras formas, porque nela estão pulverizados os poderes em pequenas frações, entre muitos. Por isso, de todas as formas legais, é esta a mais infeliz, enquanto que entre todas as que são contra a lei é a melhor. Se todas forem desenfreadas, é na Democracia que há mais vantagem para viver; por outro lado, se todas forem bem organizadas, é nela que há menor vantagem para viver”. Esta frase revela a compreensão dos perigos da concentração de poder e o reconhecimento de que a partilha do poder oferece menos riscos para seus partícipes, coisa que Marx claramente não compreendeu.

      • Francisco Fábio
        10/12/2016

        Ronaldo Queiroz, como o Paulo não me dá o direito de responder, peço licença para usar o seu espaço. Paulo, como sou educado vou continuar a ter urbanidade, não sei por quanto tempo.
        -Não repita mais que não tem almoço grátis. Você me ensinou e eu aprendi. A minha dúvida é quem pagará o almoço. Acredito que deveria ser quem tem o dinheiro. A empregada levada ao restaurante pelo patrão para ficar tomando conta dos seus pimpolhos e que almoçou também está dizendo, como o SKAF, que não quer pagar. E aí, como fica?
        Sobre a 241: Eu não preciso saber fazer a feijoada para saber se está boa ou não. Basta comer! Se ainda não comi mas estou vendo o preparo tenho condições de saber se ficará boa ou não. Se vejo o cozinheiro colocando na panela, pregos e merda, terei certeza que ficará péssima. E estão colocando as duas coisas na PEC 241.
        – O FHC com seu cupincha Sergio Mota dizia que o seu governo iria durar vinte anos. Como ele vendeu tudo do país, ficou só oito. O PT foi acusado de querer ficar 20 ou mais anos. Com 12 deram o golpe. E aí vice que se auto intitulava decorativo demonstrou que com canalhice tudo é possível. Vai colocar na CONSTITUIÇÃO que o mais importante do Governo que é a economia seguirá o que ele determinou em 2016, por 20 anos. Aconteça o que acontecer nestes próximos anos.
        Façamos divagações. Nos próximos cinco anos o mundo se recupere economicamente. A China volte a crescer e volte a comprar do Brasil. A nossa inflação caia a próximo de zero pelo arrocho nos salários. Sem compradores internos mas exportação forte O Preço do Petróleo volte as alturas pelo aumento do consumo no mundo. Tudo isto conjugado poderá até aumentar a arrecadação do governo. Mas o que adiantará? Em 2021 o nosso orçamento só poderá prever gastos iguais a 2016. Voltaremos a ser o que éramos exportadores de produtos primários e bugigangas artesanais.
        Não agregaremos melhoras na saúde e na educação por percentuais mais baixo de gastos nestas áreas. Seremos mais doentes e com pior educação apesar de termos arrecadado mais.
        Isto me soa como estupidez! Qualquer amarração só teria algum sentido se fosse condicionada não a gastos mais a arrecadação. Mas mesmo isto é querer hoje definir como será o futuro que ninguém sabe como será.
        -Acabo de saber que a equipe econômica disse que poderá emprestar até US10bi ao FMI, sem mexer nas nossas reservas. Mas o país não está quebrado? Ah entendi! Pagamos altos juros para os rentistas (e garantimos isto) e receberemos baixos juros do FMI. GENIAL!
        -E Paulo, estão colocando muita merda na feijoada. Sei, mesmo não sendo erudito. que ela ficará péssima.

      • Questões Relevantes
        10/13/2016

        Francisco, sua ignorância está começando a incomodar.

        Todos os seus comentários são publicados. Não existe nenhuma censura. Esta conversa de que bloqueio sua possibilidade de resposta é única e exclusivamente ignorância de sua parte. Utilizo uma plataforma gratuita do wordpress. Nela, o comentário, digamos, inicial , tem uma aba de resposta. A primeira resposta publicada clicando-se esta aba também traz esta aba. As demais, não. Mas clicando-se no RESPONDER do comentário inicial ou da primeira resposta, automaticamente o novo comentário será publicado dentro deste assunto, após o último anteriormente publicado.

        Quanto à suas afirmações e avaliações sobre a economia, são uma coleção de achismos e preconceitos atrozes.

        Reduza sua ignorância. Segue o link da íntegra da PEC 241:
        http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1468431&filename=PEC241/2016

  7. Marco Lisboa
    02/24/2014

    Faltou citar o próprio Marx, para definir o que ele pensava do socialismo. Para começar, ele nunca fez um julgamento moral do capitalismo (uma sociedade injusta porque os capitalistas são maus) e reconheceu o papel progressivo que o capitalismo tem, historicamente. A base de seu método histórico é justamente esta: cada modo de produção tem sua superestrutura. O capitalismo traz consigo um direito, uma moral, toda uma série de valores entre os quais a crença de que a democracia representativa é o sistema político mais justo. Quando esse modo de produção (no caso do capitalismo, baseado na propriedade privada dos meios de produção) não é capaz de garantir mais o avanço das forças produtivas, ele será substituído por um novo modo. Como o comunismo primitivo deu lugar ao escravismo, esse ao feudalismo e o feudalismo ao capitalismo. A história não acabou. Seria no mínimo muito estranho supor que o capitalismo é o ponto de chegada, o sistema mais perfeito e justo a que poderemos chegar. Ou o menos imperfeito possivel, como alguns mais realistas afirmam. Marx acreditava que num sistema em que vigorasse a propriedade coletiva dos bens de produção, começaria a verdadeira história do homem, pois ele seria capaz de se realizar plenamente. Ele escreveu muito pouco sobre o socialismo, ou sobre como seria essa transição para uma sociedade comunista. Mas nada do que ele escreveu aponta para o tipo de totalitarismo que existiu no socialismo real. Ele fala em dissolução do Estado e não em seu hipertrofiamento. Fala em sociedade livre de produtores e consumidores. Nada parecido com o planejamento ultracentralizado e burocrático da antiga União Soviética. E certamente, iria querer a máxima participação dos cidadãos conscientes. Toda forma política tem um conteúdo material. No capitalismo, uma sociedade baseada na produção de mercadorias, o trabalhador tem a liberdade de vender a sua força de trabalho. E o capitalista tem a liberdade de ser proprietário dos bens de produção. Todo mundo que tiver o dinheiro suficiente tem a liberdade de ter o seu jornal ou a sua televisão (com certas limitações, é claro).Escolas, igrejas, imprensa etc. tem a liberdade de expressarem as suas convicções, que reforçam e legitimam o sistema existente. Essa liberdade de expressão, de organização assim como outras, nasceram com a revolução burguesa. Mas são conquistas permanentes. A questão é colocá-los num contexto em que esses direitos tenham uma base material que assegure a sua efetividade. Todo mundo conhece a democracia representativa e seu males. A afirmação de que esse é o sistema menos imperfeito possível é uma opinião, baseada talvez num raciocínio indutivo (não vimos nada melhor até hoje) ou numa crença no fim da história. Eu não vejo, em teoria, como a propriedade social dos bens de produção e uma livre organização de produtores e consumidores iria contra esses direitos antes citados.
    Mas a prática…. É correto dizer que a prática dos países socialistas fracassou. Mas esse raciocínio de que toda tentativa de superar o modo de produção capitalista irá fracassar é de novo um raciocínio indutivo. Para resolver essa questão, pelo menos em teoria, haveria que se refutar a análise marxista do modo de produção capitalista. Mas essa é uma discussão muito extensa e foge ao tema.

    • Questões Relevantes
      02/24/2014

      Prezado Marcos Lisboa, obrigado por sua reflexão. Não sei se você leu outros artigos deste blog, mas em conjunto eles tratam também de temas que você listou.

      De qualquer maneira, não considero o capitalismo o final da história, mas espero que a democracia o seja!

      Até hoje, o que mais se aproxima do que considero desejável é a social-democracia nos moldes da Noruega, Finlândia e Canadá.

      Quanto a citar o próprio Marx, distingo o Marx economista do Marx panfletário do Manifesto Comunista. Se tenho críticas ao Marx filósofo/Economista, as tenho em maior quantidade deste outro, panfletário. Por exemplo, em “O Manifesto Comunista” lemos:

      “Os proletários não podem apoderar-se das forças produtivas sociais sem abolir o modo de apropriação que era próprio a estas e, por conseguinte, todo meio de apropriação em vigor até hoje. Os proletários nada têm de seu a salvaguardar; sua missão é destruir todas as garantias e seguranças da propriedade privada existentes até agora” (Marx e Engels, 1988, p. 86) [3].

      Ou seja, quando você diz “Mas nada do que ele escreveu aponta para o tipo de totalitarismo que existiu no socialismo real.” discordo. Penso que este e outros textos de Marx trazem bem clara a semente do totalitarismo.

      Para concluir, além do fracasso que você reconhece das experiências reais das ideias marxistas, quero ressaltar a contradição que emana desta sua questão: “Eu não vejo, em teoria, como a propriedade social dos bens de produção e uma livre organização de produtores e consumidores iria contra esses direitos antes citados.” Em primeiro lugar, me parece que a citação de Marx acima já esclarece em que termos esta transformação ocorreria, o que só poderia ser feito implodindo o estado democrático e de direito. Em segundo, a eliminação da possibilidade das iniciativas individuais (na criação e posse de meios de produção) é uma formulação que repete os erros das experiências que fracassaram: já vem prenhe de autoritarismo, mesmo que bem intencionado.

      De qualquer maneira, agradeço mais uma vez sua rica e ponderada participação.

  8. Ligya Rodrigues Fernandes da Silva
    02/24/2014

    Muito culto o seu texto, todavia, sou a favor de uma democracia mitigada, a minha própria, que não depende de conceitos ultrapassados mas que se baseia na experiência para, a partir daí definir um conceito próprio, que atenda melhor os interesses sociais. Para mim, estupidez é se basear em conceitos antigos para moldar a sociedade, até porque a sociedade atual é fruto de intensa evolução, sendo que os conceitos dos antigos pensadores JAMAIS serão passíveis de serem implantados à sociedade atual.

    • Questões Relevantes
      02/24/2014

      Ligya Rodrigues Fernandes da Silva, pensar é sempre bom. Desejar o novo, inventá-lo. Mas não se faz isto sem conhecer as bases teóricas e as experiências realizadas ou corre-se o risco de repetir velhos erros. Quanto à sua “democracia mitigada”, enquanto as propostas não estiverem na mesa, fica apenas a desconfiança com o sentido das palavras escolhidas: o que seria uma democracia atenuada, menos intensa? Certamente sou contra qualquer ideia que enfraqueça a democracia.

  9. Bruno Barreto
    02/24/2014

    Ótimo texto! Parabéns!

  10. Victor Marinho Barreto
    02/20/2014

    Excelente texto! Sempre que possível acompanho os seus posts e cada vez mais admiro a sua visão a respeito da falta de subsídios dos esquerdistas ao apoiarem a instituição falida do Marxismo.

    • Questões Relevantes
      02/20/2014

      Caro Victor, obrigado. O objetivo é chamar cada coisa pelo seu nome e diminuir o charlatanismo ideológico.

  11. Sérgio T. Molina
    02/20/2014

    Há de se questionar a “liberdade” no modelo produtivo capitalista…

    • Questões Relevantes
      02/20/2014

      Caro Sérgio, TUDO pode ser questionado em uma democracia (que só existe no capitalismo). Esta é a grande diferença.

  12. Chrystian Mariana
    02/14/2014

    No prefácio de 1872 da edição alemã do Manifesto do Partido Comunista, Marx diz:
    “Em vista da experiência prática adquirida, primeiro na Revolução de Fevereiro e, ainda mais em seguida, na Comuna de Paris, onde o proletariado, pela primeira vez, sustentou o poder político por dois meses, este programa tornou-se antiquado em alguns detalhes. Uma coisa em particular foi provada pela Comuna: que a classe trabalhadora não pode simplesmente lançar mão da maquinaria do Estado já pronta e manejá-la tendo em vista os seus propósitos. O instrumento político da sua escravidão não pode servir como instrumento político da sua emancipação. A primeira condição para a tomada do poder político é transformar a maquinaria de trabalho e destruí-la – um instrumento de governo de classe”. Em A Guerra Civil na França, Marx situa a Comuna de Paris dentro da história e assim redefine sua própria teoria social: “Tratou-se, portanto, não de uma revolução contra esta ou aquela forma de poder estatal, legítima, constitucional, republicana ou imperialista. Foi uma revolução contra o próprio Estado, este aborto sobrenaturalista da sociedade; uma retomada pelas pessoas, para as pessoas, de suas próprias vidas. Não foi uma revolução para transferi-lo de uma fração das classes dominantes para outra, mas uma revolução para romper essa própria maquinaria horrível de dominação de classe”.

    Chrystian Mariana

    • Questões Relevantes
      02/14/2014

      Chrystian Mariana, obrigado por sua contribuição. Este texto reforça duas teses que defendo: a primeira é a incompatibilidade do marxismo com a democracia e o estado de direito (que, desde a revolução industrial, só existe no capitalismo). A segunda, o caráter messiânico, utópico, em que retoma, de certa maneira, o conceito anarquista de superação do estado, algo viável para pequenos grupos mas impossível em grandes coletivos, como cidades ou estados.
      Paulo Falcão.

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Publicado às 02/09/2014 por em Uncategorized e marcado , , , , , , , .
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